web counter free
Mostrando postagens com marcador Comércio Internacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comércio Internacional. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Bancos recebem multas bilionárias por manipulação do mercado cambial



Olá alunos,

Cinco dos maiores bancos do mundo terão de pagar multas que totalizam US$ 5,7 bilhões (R$ 17 bilhões) por terem manipulado o mercado cambial e de juros internacional, informaram nesta quarta-feira autoridades americanas.

Agradecemos a sugestão dessa notícia que foi enviada pelos alunos  Lucas Benevides, Erik Sant’Anna, Camila, Ricardo Moura, Raphael Del Monte da turma P1 do primeiro período, da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges. Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense. como ganhar dinheiro


Quatro dos bancos - JP Morgan, Citigroup, Barclays e RBS - concordaram em admitir sua culpa nas acusações criminais nos EUA.

O quinto banco, o UBS, admitirá culpa especificamente de manipular as taxas de juros interbancárias de Londres (a chamada taxa Libor), pelo qual pagará uma multa de US$ 545 milhões.

E, separadamente, o Bank of America foi multado pelo Fed (o banco central americano) em US$ 205 milhões por más práticas no mercado cambial.

Segundo o Departamento de Justiça americano, entre 2008 e 2012, diversos traders formaram um cartel e, via diferentes estratégias acordadas em conversas privadas online, manipulavam os preços diários de dólares americanos e euros em seu favor.

Em teoria, esses agentes deveriam competir entre si na negociação das moedas, mas agiam em conjunto para adulterar os preços.

Um negociador do Barclays convidado a se juntar ao cartel foi advertido pelos demais com a frase "se fizer besteira, durma com o olho aberto à noite".

O mercado cambial movimenta US$ 5 trilhões ao dia e é o maior dos mercados financeiros, mas é pouco regulado, diz o jornal The New York Times.

Como funciona a taxa?

Os preços no mercado cambial internacional (o forex) mudam tão rapidamente, de acordo com a demanda e a oferta por cada moeda, que é difícil estabelecer uma taxa de troca para moedas específicas em um determinado momento. Para ajudar empresas e investidores a avaliar o valor de seus ativos e dívidas em diferentes moedas, determina-se uma taxa cambial diária.

Essa taxa se baseava, até recentemente, nos acordos cambiais feitos durante uma breve janela: de 30 segundos antes e 30 segundos depois das 16h no horário de Londres.

É muito importante que essa informação seja precisa e obtida de modo correto, já que a taxa derivada dela vai balizar muitas transações financeiras.

Em um dos esquemas ilegais, um único trader acumulava uma posição (de compra ou venda) em uma única moeda e, pouco antes dos 30 segundos, saía dessa posição, alterando a taxa. Outros membros do cartel, cientes do esquema, planejavam suas negociações com base nele.

Em novembro passado, reguladores anunciaram que traders do mercado cambial de cinco grandes bancos passaram anos fazendo manipulações do tipo.

Em salas de chat online com nomes sugestivos, como "O Clube dos Bandidos", "O Cartel e A Máfia", os negociadores faziam grandes operações de compra ou venda com o objetivo de distorcer a taxa diária.

E o esquema ocorreu justamente no período pós-crise financeira global, quando os bancos deveriam estar "limpando a casa".

A secretária de Justiça dos EUA, Loretta Lynch, disse que "quase todos os dias" ao longo de cinco anos, desde 2007, traders usaram chats eletrônicos privados para manipular taxas cambiais.

Suas ações prejudicaram "um número incontável de consumidores, investidores e instituições ao redor do mundo", disse ela."O Departamento de Justiça não hesitará em acusar criminalmente instituições financeiras que recaírem no crime. Os bancos que não se regularizarem precisam entender: (a lei) será aplicada."

'Valores'

A maior multa, de US$ 2,4 bilhões, recairá sobre o Barclays, que, ao contrário dos outros bancos, não participou das investigações promovidas em novembro por autoridades britânicas, americanas e suíças.

Como parte do acordo, o banco britânico também terá de demitir oito funcionários envolvidos na manipulação.

O executivo-chefe do Barclays, Antony Jenkins, disse que "a má conduta no cerne dessas investigações é totalmente incompatível com os propósitos e valores do Barclays e lamentamos profundamente que tenham ocorrido".

No banco RBS, o executivo-chefe Ross McEwan disse que a admissão de culpa da instituição "é mais um duro lembrete de como este banco perdeu seu caminho e de como é importante que recuperemos a confiança."



quarta-feira, 17 de junho de 2015

O futuro do trabalho nos BRICS



Olá alunos,

BRICS nos dias de hoje já não é mais uma novidade para o cenário internacional. A postagem de hoje visa entender como o grupo avança, mas precisa criar alternativas e não manter os países como reféns do mercado financeiro.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges. Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Hoje em dia os BRICS já deixaram de ser uma completa novidade nas relações internacionais. Desde o seu surgimento “por vias tortas” como uma sigla formulada pelo mercado financeiro, até a estratégica criação do seu Banco de Desenvolvimento e de um Acordo Contingente de Reservas, este bloco vem se consolidando progressivamente como uma referência política inevitável na atual ordem mundial. Cada vez mais é importante saber o que pensam e o querem os BRICS. É grande a expectativa em torno da próxima Cúpula Presidencial do bloco, que este ano acontece no dia 10 de julho na cidade de Ufa, na Rússia.

A despeito da heterogeneidade de seus membros e das dificuldades inerentes à construção de qualquer mecanismo intergovernamental, os BRICS já começam a se posicionar conjuntamente em fóruns multilaterais – como recentemente o fizeram na Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao defender que esta tenha um papel de liderança na definição dos objetivos, metas e indicadores relacionados ao trabalho decente nas negociações da Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 da ONU –, e pode-se dizer que a mera criação do bloco tem servido de impulso às negociações bilaterais entre os países-membros, ainda que o maior fluxo continue a ser de todos com a China e vice-versa.

Muito se fala do peso dos BRICS com relação ao tamanho da sua população (cerca de 40% de toda a humanidade) e à parcela do PIB mundial que é produzida nesses cinco países (em torno de 25%). Contudo, a situação laboral nos países BRICS tem recebido pouca atenção dos analistas e dos meios especializados.

A População Economicamente Ativa (PEA) dos BRICS representa um enorme potencial produtivo, que hoje corresponde a mais de 1,5 bilhão de trabalhadores e trabalhadoras na ativa, com idade média relativamente baixa. Exceto pela África do Sul (25,1%), os níveis de desocupação nestes países são baixos para os padrões internacionais, ficando abaixo de 7% em todos eles.

O desenho e a implementação de políticas públicas de educação, emprego e renda que de fato melhorem a situação do mercado de trabalho principalmente para os jovens, as mulheres e os negros, representaria um importante impulso econômico para cada um dos países BRICS. Decorre daí a imensa importância de uma maior e mais intensa coordenação entre os Ministérios do Trabalho dos cinco países, que possibilite avanços no campo dos direitos trabalhistas e novas possibilidades de cooperação. A institucionalização do Fórum do BRICS Sindical como um espaço oficial dos BRICS, assim como já é o Fórum Empresarial, é de extrema importância e seria um sinal dos governos nacionais de que se busca construir um melhor modelo de integração laboral no bloco.

Infelizmente, em países como o Brasil, temos visto acontecer exatamente o contrário: na pressão por maiores margens de lucro, o setor privado vem fazendo pesado lobby no Congresso Nacional para a aprovação de um Projeto de Lei (PL4330) que, com o pretexto de regulamentar a terceirização de 12 milhões de trabalhadores, pretende precarizar o trabalho de mais de 40 milhões que atualmente têm seus direitos garantidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

O próprio governo brasileiro enviou ao Congresso medidas provisórias (MP664 e MP665) que dificultam o acesso dos trabalhadores ao benefício do seguro-desemprego e a outros direitos. É notório que o emprego formal e respaldado em uma relação de direitos laborais garantida na Constituição é um dos pilares fundamentais do desenvolvimento social de uma nação. Ao caminhar na direção da ampliação do mercado de trabalho terceirizado, o Brasil vai na contramão de economias desenvolvidas e das convenções internacionais da OIT.

Aliás, são várias as convenções da OIT não ratificadas por todos os países dos BRICS. Algumas delas* são indispensáveis para a organização dos trabalhadores e a garantia dos seus direito, como a Convenção 29 sobre Abolição do trabalho forçado ou obrigatório (China não ratifica) e a Convenção 87 sobre Liberdade Sindical e proteção ao direito sindical (Brasil, China e Índia não ratificam). 

De forma geral, a expansão da informalidade e da terceirização precisa ser combatida não apenas no Brasil, mas também nos outros países-membros dos BRICS, sobretudo na Índia e na África do Sul. A adoção de um piso de proteção social é urgente e colocar o trabalho no centro dos projetos de desenvolvimento quer dizer fomentar o bem-estar social contra o bem-estar do grande capital – que pelo menos desde a crise de 2008 tem sido incessantemente salvo com recursos públicos dos Estados. Significa também priorizar a economia real em detrimento do cassino rentista neoliberal que aprisiona as políticas macroeconômicas ao tripé de juros altos, com inflação e crescimento baixos. De pouco adiantará a criação do Banco de Desenvolvimento e do Acordo de Reservas se as políticas econômicas, de emprego e renda dos BRICS continuarem reféns do mercado financeiro.

Além disso, estes dois instrumentos recém-criados devem abolir, de uma vez por todas, práticas draconianas como as condicionalidades cruzadas embutidas nos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, cruelmente impostas a governos em dificuldades de liquidez ou em busca de investimentos. Somente através de uma prática política e econômica distinta é que os BRICS terão legitimidade para disputar a hegemonia da política internacional com as nações hoje dominantes.

O que está em jogo com a existência dos BRICS é a possibilidade de se construir um caminho mais autônomo de desenvolvimento nacional e inserção internacional, que seja distinto daquilo que já vigora, por exemplo, no G20, na OCDE ou na OMC. Para que isso seja realidade é preciso de alguma forma repensar o modelo de desenvolvimento em curso, não apenas no campo da economia e das finanças, mas também no da indústria, da tecnologia, da agricultura, da energia, e do meio ambiente. Sem isso, o futuro do trabalho nos BRICS estará privatizado, terceirizado e precarizado.

Acima de tudo, é preciso recuperar o valor dos direitos, do que é público e da busca de um projeto coletivo de sociedade que promova a agenda do Trabalho Decente e não os interesses rentistas. Na atual disputa de hegemonia nas relações internacionais, se não forem os BRICS a fazê-lo, então quem o fará?

* Outras convenções não ratificadas são a Convenção 98 sobre Aplicação dos princípios do direito de sindicalização e de negociação coletiva (China e Índia não ratificam); a Convenção 138 sobre Idade mínima de admissão ao emprego (Índia não ratifica); a Convenção 141 sobre Organização dos Trabalhadores Rurais (Rússia não ratifica); a Convenção 154 sobre Relações de Trabalho na Administração Pública (Rússia, Índia, China e África do Sul não ratificam); e a Convenção 154 sobre Negociação Coletiva (China, Índia e África do Sul não ratificam).

**João Antonio Felício é presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), membro da Direção Executiva Nacional da CUT e do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vivemos em um mundo mais rico... para quem?

Olá alunos,

Em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado, ou seja, em termos econômicos, o mundo melhorou. A postagem de hoje busca analisar como se deu esse crescimento econômico mundial e indagar a quem ele atingiu.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Estamos ficando mais ricos. Certamente não todos nós, nem no planeta nem em todos os países. Mas, em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado.

Uma das formas de medir isso é pela quantidade de produtos e serviços produzidos em média por pessoa, o PIB per capita. Para a população global, esse índice subiu quase quatro vezes em seis décadas até 2010.

Há diferenças significativas entre os países: na China, o crescimento foi oito vezes. Na Coreia do Sul e em Taiwan foi ainda maior: em média, o país e o território estão 25 vezes mais ricos do que em 1950.

Outros países, no entanto, a maioria deles na África, viram o PIB per capita diminuir. Na República Democrática do Congo, o padrão médio de vida caiu para menos da metade no mesmo período.


Esses números devem ser lidos com cautela: eles não captam fatores intangíveis que afetam a qualidade de vida, como os laços comunitários ou padrões ambientais. Também há ressalvas técnicas quanto a comparar números em dólares e ajustá-los para levar em conta a inflação e obter termos reais comparáveis durante um longo período de tempo.

Mas os números foram tirados do que é provavelmente o banco de dados histórico mais respeitado, o Projeto Maddison, criado pelo falecido professor Angus Maddison. A história que eles contam é clara: em termos econômicos, o mundo melhorou.

Um benefício disso é que estamos vivendo mais. Em meados do século passado, um bebê recém-nascido tinha uma expectativa de vida de 50 anos. Hoje, a esperança de vida é de 70. Novamente, há variações enormes entre países, mas a tendência é favorável em quase todas as nações (Botswana é a única onde a expectativa de vida caiu, em alguns meses).

Há muitos fatores por trás de vidas mais longas, mas crescimento econômico significa que podemos gastar mais na nossa saúde, nutrição e em água limpa para beber.

A história é parecida se olharmos com cuidado para os padrões de vida: a propriedade de carros aumentou 30% nos primeiros sete anos do século, antes de caírem um pouco durante a recessão global. Esse aumento foi particularmente expressivo em países de renda média e baixa.




Desigualdade

De volta às estatísticas sobre padrão de vida, há um outro motivo pelo qual o PIB per capita não permite uma leitura mais ampla da realidade: esse número não leva em consideração a distribuição de renda e mudanças em padrões de desigualdade.

Pode ser que o padrão de vida esteja aumentando apenas para os mais ricos.

Vejamos, por exemplo, os Estados Unidos, país cuja abundância de dados facilita estudos. Em 2013, a renda média real (ou seja, descontada a inflação) dos lares mais pobres subiu 1,4% nos 40 anos anteriores. Nos lares mais ricos, esse índice foi de 44%.




Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne nações ricas e algumas emergentes, também indicam que a desigualdade está crescendo entre os países-membros. A medição usa como referência o coeficiente de Gini, no qual os números mais altos indicam distribuição de renda mais desigual. Esse índice subiu nos anos recentes.

Há, claro, um debate bastante vigoroso a respeito de quão negativo é esse aumento da desigualdade, e a respeito das políticas que podem ou devem ser empregadas para combater este fenômeno.

O aumento da desigualdade é um lembrete de que, por mais que o mundo tenha enriquecido, muitas pessoas não sentiram os efeitos da bonança.



 Link Original

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

OMC fecha primeiro acordo de comércio global de sua história






Olá alunos,

Depois de anos de paralisação a OMC
adotou a primeira reforma do comércio global de sua história. A postagem de hoje busca analisar os impasses que levaram a demora da aprovação e os termos do novo acordo.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


A Organização Mundial do Comércio (OMC) adotou a primeira reforma do comércio global de sua história nesta quinta-feira (27), depois de anos de paralisação, meses de impasse e um atraso no último dia em função de uma objeção em cima da hora.

Com o acordo, a OMC irá adotar novos padrões de verificações aduaneiras e procedimentos nas fronteiras. Seus patrocinadores dizem que a simplificação do fluxo de comércio acrescentará até um trilhão de dólares e 21 milhões de empregos à economia mundial.

"Colocamos nossas negociações de volta nos trilhos", afirmou o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, em uma coletiva de imprensa.

Os diplomatas da área aplaudiram o fim da espera de 19 anos por um acordo.

No entanto, o acordo é só uma fração das propostas comerciais da Rodada de Doha, que foi iniciada em 2001 e acabou se mostrando impossível de ser aprovada.

A OMC diminuiu suas ambições e buscou um entendimento bem mais modesto do que Doha, que buscava reduzir barreiras comerciais, tarifas e subsídios agrícolas, o tema mais controverso das discussões.

Azevêdo ressaltou que os membros da OMC precisam encontrar uma maneira de acelerar as negociações no futuro. "Não podemos esperar outros 17 ou 18 anos para apresentar resultados", declarou.

O representante comercial dos Estados Unidos, Michael Froman, disse que o pacto pode reduzir substancialmente o tempo e os custos das transações, e que irá trazer novas oportunidades tanto para países ricos quanto pobres.

Ele declarou ser "uma vitória particularmente importante para negócios pequenos e médios de todos os países".

Impasse

Mesmo este acordo implementado foi bloqueado por um impasse de quatro meses causado pela Índia, que vetou a adoção do pacote de reformas na véspera do prazo original, meia-noite do dia 31 de julho.

A Índia exigiu mais atenção para seus planos de estocar alimentos subsidiados, uma violação das regras costumeiras da OMC. Concessões acordadas entre os governos norte-americano e indiano puseram fim ao empecilho.

O embaixador indiano na OMC, Anjali Prasad, não quis comentar.

O pacote de reformas adotado nesta quinta-feira foi acertado em uma reunião da entidade no Bali em dezembro do ano passado. Sua aprovação é amplamente vista como uma oportunidade de progresso rumo a novas negociações globais, cujo conteúdo deve ser definido até julho de 2015.

Isso deve tranquilizar as nações menores entre os 160 membros da OMC. Muitas temiam que a postura dura da Índia levasse os EUA e a União Europeia a darem às costas à OMC e se concentrar em organismos comerciais menores, pondo fim às esperanças de que as reformas no comércio beneficiassem a todos.

A Comissária de Comércio da Europa, Cecilia Malmstrom, afirmou que o acordo confirmou o lugar da OMC no centro da política de comércio internacional. "Em resumo, a OMC voltou com tudo."

Link Original

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Por que o investimento estrangeiro se sustenta no Brasil?



Olá alunos, 

A economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros - uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo. A postagem de hoje busca analisar os motivos da
resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil.
 
Esperamos que gostem e participem. 
 
Fellype Fagundes e Carlos Araújo  Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Apesar de dados que têm despertado o pessimismo de analistas e de uma parte da sociedade, a economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros - uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo.

Animados, Phil Popham, diretor de marketing da Jaguar Land Rover (JLR), e Terry Hill, diretor do grupo para a América Latina, descreveram no Salão Internacional do Automóvel, no mês passado em São Paulo, os planos da empresa para a construção de uma fábrica em Itatiaia e as perspectivas de negócios no país.
"O segmento de carros premium continua a crescer apesar da desaceleração", explicou Popham. "Além disso, nosso foco é no longo prazo."

A fábrica da JLR no Brasil será a primeira totalmente controlada pelo grupo fora da Grã-Bretanha e começará a fabricar o Land Rover Discovery Sport em 2016. A estimativa é que custe R$ 750 milhões e crie, inicialmente, 400 empregos - número que poderia dobrar em alguns anos.

O grupo não parece ser o único a olhar para além do atual estado de quase estagnação da economia brasileira - que deve crescer em torno de 0,3% este ano, segundo as projeções do mercado.

Surpreendemente, apesar da desaceleração, o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) para o Brasil continua em patamares relativamente elevados.

Nos últimos 12 meses, tal fluxo atingiu US$ 66,5 bilhões, segundo dados do BC - mesmo nível de 2011, quando o Brasil ainda era o queridinho entre economias emergentes. Em 2010, quando o PIB se expandiu 7,5%, o IED ficou na casa dos US$ 48 bilhões.

Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parecem confirmar o fenômeno. De acordo com a Cepal, o IDE para o Brasil aumentou 8% de janeiro a agosto na comparação com 2013. Já na região como um todo, os investimentos estrangeiros caíram 23%.

O caso do setor automobilístico chama a atenção também porque ele parece ter sido um dos mais rapidamente afetados pela freada do PIB.


As vendas caíram 8,9% este ano sobre o mesmo período de 2013 e os pátios cheios se tornaram a imagem-símbolo do desaquecimento econômico. O setor também teria fechado 12 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

Ainda assim, também no Salão do Automóvel, tanto a BMW quanto a chinesa Chery Internacional apresentaram modelos de carros a serem produzidos em fábricas recém-inauguradas no Brasil.

E a Geely Automobile, também chinesa, confirmou que está estudando a abertura de uma montadora no país embora, como ressalta Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, "ao menos no curto e médio prazo, haja dúvidas sobre se haverá demanda para tanto carro".

O que explica a resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil?

Planejamento

Parte desses investimentos foi planejada anos atrás, quando o crescimento brasileiro ainda empolgava, como nota o economista Caio Megale, do Itaú-Unibanco.

"Mas isso só explica uma parte da história", diz Megale. "O mercado brasileiro de fato tem algumas características que tem ajudado a sustentar o interesse estrangeiro. Somos uma democracia estável e a economia ainda apresenta fundamentos sólidos, por exemplo."

Irene Mia, diretora para América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit, concorda. A EIU tem planos de abrir um escritório em São Paulo até o final do ano, para "melhor servir seus clientes brasileiros e estrangeiros focados no Brasil".

"O crescimento não é o único critério usado pelos investidores para tomar suas decisões de investimento. A atratividade do Brasil para o IDE permanece enorme ", diz ela.

Economistas e analistas econômicos costumam apontar pelo menos dois fatores que estariam por trás da atratividade do mercado brasileiro.

O primeiro estaria ligado à escala desse mercado, que estimularia as empresas a pensarem "no longo prazo" no que diz respeito ao Brasil.

"O mercado de cosméticos brasileiro é o terceiro maior do mundo, o automobilístico é o quarto maior e o de laptops, o terceiro", diz Olavo Cunha, do Boston Consulting Group.

"Muitas multinacionais sentem que precisam ter um plano para o Brasil para os próximos dez, vinte anos. E mesmo aquelas que já têm uma forte presença no país, como a Nestlé ou a Unilever, por exemplo, precisam fazer investimentos para manter sua fatia do mercado no longo prazo."

Mobilidade social

Nos últimos anos, as dimensões do mercado brasileiro ainda teriam sido reforçadas pelo processo de expansão da Classe C. Milhões de brasileiros deixaram a pobreza para serem incluídos nessa nova classe de consumidores. E embora esse processo tenha sido freado pela desaceleração, continua em curso.

Além disso, como as taxas de desemprego continuam em patamares historicamente baixos, ao menos até agora a desaceleração ainda não chegou a afetar de forma drástica a vida e hábitos de consumo da maioria dos brasileiros, segundo os analistas.


Outro fator que fomentaria o interesse estrangeiro pelo Brasil é que alguns nichos da economia brasileira - e algumas regiões geográficas do país - ainda estão crescendo em um ritmo relativamente acelerado.

O setor de petróleo e gás, por exemplo, continua a atrair a atenção de investidores - embora o escândalo de currupção da Petrobras possa deixar sequelas.

A área de infra-estrutura também seria promissora, segundo Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet).

"Há um enorme potencial para se atrair aportes nessa área, mas para isso o governo precisa garantir um ambiente regulatório favorável", diz ele.

O mercado de bens de luxo é outro exemplo. De acordo com um relatório da McKinsey, o número de grifes estrangeiras com presença no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.

Ainda assim, as três principais marcas de luxo no país têm apenas 0,3 lojas para cada milhão de clientes em potencial - contra 4 lojas na China.

No caso dos carros premium, a JLR prevê que eles possam aumentar sua participação de 2% para 4% ou 5% do mercado de automóveis no Brasil até 2020. Na Europa, essa participação é de 10% e há pouco espaço para crescimento.

Mesmo entre os modelos populares, associações do setor acreditam haver espaço para uma expansão do mercado automobilístico no longo prazo.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, projeta que, até em um cenário pessimista, a frota de automóveis no país deve dobrar nos próximos 20 anos.

"Para completar, as empresas estrangeiras também estão lentamente descobrindo o potencial de crescimento das cidades médias e interior do país", diz Baggi, da Tendências.

"Impulsionadas por recursos do agronegócio, algumas dessas cidades estão se tornando uma nova fronteira de consumo"

Alta lucratividade

Para Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab na Universidade Columbia, há ainda um outro fator por trás da atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.

"Um carro que custa US$ 15 mil nos Estados Unidos pode ser vendidos no Brasil pelo dobro ou o triplo", diz ele.

O preço mais alto compensa, em parte, os custos da carga tributária mais elevada, a complexa burocracia do país e os problemas ligados à falta de infraestrutura.

"Mas as margens (de lucro) também são maiores. As empresas são obrigadas por barreiras protecionistas a produzir no país para acessar o nosso mercado doméstico. Mas, uma vez aqui, elas também acabam protegidas da concorrência externa", diz Troyjo.

"Quem perde, mais uma vez são os consumidores brasileiros."

Segundo Troyjo, 2015 será decisivo para definir as tendências nos fluxos de IDE para o Brasil nos próximos anos.

"Se o governo começar a fazer as reformas e correções de rumo na política econômica vistas como necessárias para a retomada do crescimento, os investidores devem responder positivamente. Se o sinal for contrário, alguns podem começar a repensar até sua estratégia de longo prazo para o país", opina.

Link Original

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Brasil e o embargo econômico contra Cuba







Olá alunos,



Desde os anos 1960, o Congresso norte-americano aprovou a Lei Helms-Burton, que impôs pesadas sanções econômicas ao regime comunista instalado em Cuba. As restrições econômicas e comerciais não trouxeram nenhum dos resultados políticos desejados pelo EUA e afetaram profundamente o povo cubano. A postagem de hoje busca analisar os efeitos desse bloqueio e as previsões de que ele possa chegar ao fim. 

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


O anúncio pelo governo dos EUA de que a Doutrina Monroe – criada por George Washington em 1823 para defender os interesses norte-americanos no Hemisfério contra pretensões europeias  – deixou de existir poderia servir como primeiro passo para uma revisão de fundo da política externa da Casa Branca para a região. Dentre as políticas passiveis de reavaliação sobressai a questão do embargo contra Cuba.

Desde os anos 1960, como reflexo do clima de guerra fria e da pressão dos imigrantes cubanos instalados em Miami, o Congresso norte-americano aprovou a Lei Helms-Burton, que impôs pesadas sanções econômicas ao regime comunista instalado na ilha. Passados mais de 50 anos, as restrições econômicas e comerciais não trouxeram nenhum dos resultados políticos desejados pelo EUA, afetaram profundamente o povo cubano e deu poderosos argumentos para os irmãos Castro se manterem no poder, acenando com a “agressão imperialista de Washington e da máfia terrorista de Miami”.

Durante todo esse tempo a política externa dos EUA ficou refém da maioria cubana, sobretudo na Flórida, sem conseguir pôr fim ao embargo comercial nem devolver a Cuba a base de Guantánamo. Nos últimos 20 anos, contra a opinião de todos os países da região, os presidentes norte-americanos evitaram discutir esses dois temas. 

As circunstâncias internas e externas em Cuba e nos EUA, contudo, estão se alterando mais rápido do que se imagina. 

Raúl Castro, com apoio de uma nova geração de membros do Partido Comunista, vem introduzindo mudanças graduais e controladas na economia cubana, como a legislação recente de empresas privadas. A frágil economia da ilha tem-se apoiado mais recentemente no petróleo subsidiado na Venezuela. Diante da rápida deterioração venezuelana, esta poderá agravar-se com a redução ou suspensão do fornecimento de petróleo, que, em parte, é reexportado para geração de divisas.

Do ponto de vista externo, Cuba foi recentemente readmitida na Organização dos Estados Americanos (OEA) e os EUA começaram a eliminar algumas restrições de comércio e de movimentação de pessoas, com o rápido aumento das remessas de dólares de Miami para os parentes na ilha. Com esses pequenos passos e algumas brechas na legislação, interesses comerciais dos dois lados elevaram as exportações americanas para mais de US$ 350 milhões em 2013. Por outro lado, investimentos importantes da Espanha e do México na área de turismo e do Brasil em infraestrutura, além de conversações iniciais visando a um acordo comercial entre Cuba e União Europeia, não passam despercebidas dos interesses das empresas, sobretudo as baseadas na Flórida. 

Desde o inicio de seu governo Barack Obama tem buscado “um novo começo” com Cuba, ressaltando a necessidade de as políticas em relação a Havana serem criativas e permanentemente atualizadas. Cuba, contudo, continua sendo um tema sensível de política interna dos EUA e por isso toda ação positiva vem acompanhada de restrições quanto à falta de uma agenda de reforma democrática e de preservação dos direitos humanos. 

Essa política gradualmente menos restritiva está sendo respaldada por pesquisas de opinião que apontam que a maioria dos norte americanos defende mais diálogo, a retirada de Cuba da lista de “nações que patrocinam o terrorismo” e a possibilidade de um enviado especial para negociar com o regime castrista. Cerca de 56% dos americanos defendem a normalização das relações com Cuba, numero que sobe a 63% entre os habitantes da Flórida, segundo o centro de estudos Atlantic Council. Obama, na sua reeleição, por sinal, venceu na Flórida, bastião pró-embargo, onde exilados cubanos se instalaram depois de terem seus bens expropriados pela revolução de 1959. É perceptível a evolução da opinião pública, a ponto de cubanos exilados e seus dependentes estarem visitando a ilha pela primeira vez. Impensável a pouco tempo, hoje cubanos americanos começam a se reunir para discutir como normalizar as relações entre os dois países e pôr fim ao embargo econômico.

Nota-se mesmo uma discreta aproximação entro os dois países, apesar de persistirem questões espinhosas como a do cidadão norte-americano preso por acusação de espionagem e da ação clandestina da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), mantida de 2009 a 2012 via Twitter, em Cuba para promover campanhas antigoverno, identificar potenciais líderes oposicionistas e ampliar setores dissidentes. A ironia é que para alimentar esse canal firma de fachada financiada pela Usaid fazia pagamentos a empresa estatal cubana contra o objeto do embargo, que é o de privar o regime castrista de receitas...

Se os EUA iniciaram o processo de revisão da política de sanções contra o Irã, não há mais razão para manter o embargo econômica contra a ilha, apesar da oposição política de um grupo cada vez menos expressivo do lobby anti-Cuba em Miami. Obama, antes do fim de seu mandato, poderia finalmente eliminar o último resquício da guerra fria no Continente. 

O Brasil, nas últimas décadas, colocou-se contra o embargo e a favor da plena reintegração de Cuba à comunidade hemisférica. Os gestos recentes no tocante ao financiamento da construção do porto de Mariel e a cooperação, via Opas, no programa Mais Médicos aproximaram ainda mais os dois países. 

Quando as relações com os EUA s normalizarem e o Brasil voltar a ter uma política externa que projete o País e faça sua voz se resolvida mais forte, deveríamos, com credibilidade, estimular a gradual aproximação EUA-Cuba por meio de uma discreta ação junto ao governo e ao Congresso norte-americano para que seja posto um fim ao embargo econômico à ilha.