web counter free
Mostrando postagens com marcador Investimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Investimento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mercado já percebia Brasil como "subgrau de investimento", diz Tombini.



Olá alunos,

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em entrevista nos alertou que o Brasil deve “fazer seu dever de casa” e retomar o crescimento e o desenvolvimento que tinha antes. A notícia de hoje pretende nos mostrar melhor suas opiniões.

Gostaríamos de agradecer aos alunos da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense, Josiane Tavares, Bárbara da Conceição Borges Soares, Letícia Sardinha Gaspar, Kathleen Miranda, Rodrigo Lopes da Rocha, Alice Gaspar Barbosa e Lucas Gusmão da Silva Pacheco, pela indicação da notícia.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges.
Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

A reclassificação da nota do Brasil pela agência Fitch mostra que “temos que fazer nosso dever de casa, completar o ajuste macroeconômico e retomar o crescimento”, disse o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, durante café da manhã com jornalistas. 

Segundo ele, a percepção do mercado já era “subgrau” de investimento. Para Tombini, a “lição de casa” que precisa ser feita passa pela consolidação fiscal e uma métrica é a relação dívida sobre Produto Interno Bruto (PIB) em estabilidade, com tendência declinante à frente. Do lado do BC, Tombini disse que a autoridade monetária tem que produzir a desinflação de 2015 para 2016 e levar o IPCA à meta em 2017 para proteger a renda do trabalhador e alongar o horizonte de planejamento de empresas e famílias. Sobre o impacto da reclassificação de risco sobre os fluxos de capital, Tombini disse que não há um grande efeito.

Ele lembrou que a previsão de Investimento Direto no País (IDP) é de US$ 65 bilhões e que ela não muda em função da alteração de rating. Olhando os fluxos líqui dos de capitais, há uma entrada de US$ 9 bilhões a US$ 10 bilhões, “o que é uma boa notícia nas atuais circunstâncias”, disse. "As coisas não acontecem da noite para o dia”, sustentou o presidente do BC.

Ele observou que já havia um sentimento de perda do grau de investimento e ocorreu agora. Estamos monitorando, temos as nossas equipes vendo isso, acompanhando em tempo real a evolução dos fluxos e o primeiro impacto tem sido recebido com grande tranquilidade”, afirmou.

Ele também avaliou como positiva e tranquila a recepção pelo mercado do aumento do juro pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), recordando que esse foi o evento mais esperado de todos os tempos em termos de política monetária e que, ao longo dos últimos anos, em seus contatos com o Fed e outras autoridades monetárias, passava a visão de que esse teria de ser um processo cauteloso e sem surpresas.


“Veio dessa forma e, em um primeiro momento, os mercados entenderam a mensagem de que será um ajuste gradual e cauteloso, o que ajuda na absorção dessa importante mudança”, disse.

Link Original

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Brasil perdeu o grau de investimento. O que isso significa?



Olá alunos,

Por meio de perguntas e respostas a agência de classificação de risco Standart & Poor’s fez uma avaliação do grau de investimento do Brasil. No momento em que vivemos, torna-se imprescindível entender melhor sobre o que se trata a temática para que possamos nos conscientizar, de fato, sobre a crise que passa nosso país.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges
Monitoras da Disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Na noite de quarta-feira 9, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota atribuída ao Brasil, retirando o chamado grau de investimento. A avaliação negativa pode trazer prejuízos ao País e também ao governo Dilma Rousseff, que tratava a manutenção do chamado rating como uma prioridade. Leia as perguntas e respostas, entenda a decisão e suas possíveis repercussões.
O que é o grau de investimento?
O grau de investimento é o selo de bom pagador atribuído pelas agências de risco a empresas e países. Ele indica a investidores de todo o mundo o grau de segurança que terão ao aplicar seu dinheiro. Quanto maior a qualidade de um título de dívida, maior a chance de o compromisso firmado na compra ser honrado.

Desde quando o Brasil tinha esse selo de bom pagador?

Desde abril de 2008, quando a própria Standard & Poor's colocou o Brasil entre os países com grau de investimento. Em maio de 2008, foi a vez da Fitch dar ao País o grau de investimento. Em setembro de 2009, veio o selo de bom pagador da Moody's.

Por que o grau de investimento é importante?

Por que a avaliação positiva ajuda o País e suas empresas a conseguirem empréstimos no exterior com melhores condições de pagamento e juros menores. 

Por que a Standard & Poor's rebaixou a nota do Brasil?

O grande motivador da decisão da agência foi a proposta orçamentária enviada pelo governo ao Congresso prevendo um déficit primário de 30,5 bilhões de reais em lugar do superávit de 0,7% estimado anteriormente. Segundo a agência, isso significou "uma convicção menor dentro do gabinete da presidente sobre a política fiscal". O déficit reforçou a preocupação da agência com o País, manifestada em 28 de julho, quando a S&P revisou a perspectiva de nota brasileira para negativa (ainda mantendo o grau de investimento).

A Fitch e a Moody's também vão rebaixar a nota do Brasil?

Na Fitch, o Brasil está a dois degraus da nota mínima para ser considerado bom pagador. Em julho, a agência colocou a nota brasileira em perspectiva negativa e indicou que ela deve ser revisada, sem explicitar se o País pode ou não perder o grau de investimento. A Moody's afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que só deve revisar a nota brasileira se ocorrer algum "evento brusco" na direção da política econômica, o que estaria descartado na visão da empresa.

Por que essas agências continuam relevantes depois da crise de 2007?

As agências de risco foram duramente criticadas após a crise dos títulos subprime que estourou nos Estados Unidos e na Europa em 2008. A Standard & Poor's, por exemplo, foi acusada pelo governo norte-americano de inflar falsamente a nota de crédito de alguns instrumentos financeiros entre março e outubro de 2007, provocando perdas de 5 bilhões de dólares a investidores institucionais. 
Segundo investigadores federais, S&P mentiu deliberadamente para aumentar seus lucros e agradar os emissores de títulos em detrimento dos investidores. Em fevereiro de 2015, a S&P aceitou pagar 1,5 bilhão de dólares ao governo dos EUA e a 19 estados norte-americanos para encerrar as inúmeras ações judiciais abertas contra ela.
Ainda assim, as agências de classificação seguem importantes, pois são parte fundamental do sistema financeiro internacional e não têm substitutas. No início de 2015, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul anunciaram a ideia de criar uma agência de classificação dos BRICS, mas a ideia ainda não saiu do papel. 

Qual foi a reação da equipe econômica à decisão?

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, convocou entrevista coletiva no Palácio do Planalto para transmitir mensagem de "tranquilidade e segurança". Segundo ele, trata-se de "apenas uma avaliação de uma agência de risco, que é importante". De acordo com Barbosa, o governo trabalha "para manter sempre a melhor avaliação por parte do mercado e de todos os agentes da economia" e tem "todos os instrumentos" para resolver a situação fiscal.
Barbosa, entretanto, lembrou que isso depende de medidas legislativas e de um esforço conjunto da sociedade. O mesmo recado foi dado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em nota, Levy disse que o esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia em um ambiente global de incertezas e reafirmou o plano de garantir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB em 2016. Segundo ele, isso será feito por meio do envio de propostas na área de gastos e receitas discutidas com o Congresso.

De que forma a notícia afeta o governo Dilma?

A notícia é ruim para Dilma Rousseff porque afeta um dos poucos setores que ainda a apoiam de maneira firme, o financeiro. Com a taxa de juros nas alturas, o lucro dos bancos quebrando marcas históricas e Levy (ex-Bradesco) na Fazenda, este setor tem se mostrado refratário à busca pelo impeachment comandada pela oposição.

O apoio pode ser reduzido caso este grupo entenda, como a S&P, que o governo perdeu o ímpeto pelo corte de gastos. Para o setor financeiro, credor do governo, é importante que os cortes ocorram, uma vez que permitirão ao Brasil acumular dinheiro para pagar a dívida com seus credores.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Nos EUA, Dilma tenta acalmar empresários sobre efeitos da Lava Jato

                  
      
Olá alunos,

Nem ano de crise em todo o Brasil, presidente busca convencer empresários americanos a investir no Brasil e afastar temores sobre turbulência política no país. A postagem de hoje vêm nos trazer a íntegra de sua visita aos EUA.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges. Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Ao lado de vários de seus principais ministros, a presidente Dilma Rousseff dedicou boa parte do terceiro dia de sua visita aos Estados Unidos a tentar convencer empresários americanos a investir no Brasil e afastar temores sobre a turbulência política no país gerada pela Operação Lava Jato.

Enfrentando uma recessão e denúncias de envolvimento de dirigentes do PT e ministros do governo no escândalo da Petrobras, Dilma buscou mostrar a investidores em Nova York que o Brasil tem avançado no combate à corrupção e que o governo está aberto a sugestões do setor privado.

Em público, empresários que participaram das reuniões com a presidente elogiaram o ajuste fiscal promovido pelo governo e afirmaram que o Brasil apresenta boas perspectivas econômicas no longo prazo. Reservadamente, porém, dois executivos disseram temer que novas revelações da Lava Jato dificultem ainda mais a capacidade de Dilma para governar e levar adiante as reformas prometidas.

A presidente se reuniu nesta segunda-feira com representantes de bancos de investimentos e de várias empresas americanas nos ramos industrial, varejista e do agronegócio com atividades no Brasil, entre as quais Coca Cola, Dupont, Walmart, Caterpillar, GM e GE.

Dilma disse que um de seus objetivos era mostrar que o ajuste fiscal não é só uma estratégia para resolver problemas de curto prazo como a inflação, mas também engloba ações "estruturais" para fazer o país voltar a crescer. Ela citou entre essas ações mudanças recentes que farão o governo gastar menos com pensões por mortes e com seguro desemprego, além de esforços "para ampliar a participação do crédito privado no crédito global do país" e "ampliar a presença dos mercados de capitais no financiamento de longo prazo da infraestrutura".

As últimas medidas visam diminuir o papel do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) na economia e os custos que o governo tem com empréstimos subsidiados do banco.

A agenda desta segunda-feira começou com uma visita de Dilma ao The Wall Street Journal, maior jornal econômico americano, onde ela se reuniu com Rupert Murdoch, dono do diário e de um dos principais conglomerados jornalístico do mundo, a News Corp.

Em sua edição desta segunda, o WSJ publicou um encarte publicitário pago pelo governo brasileiro sobre os leilões no país na área de infraestrutura. À tarde, Dilma tratou dos leilões no encerramento de um seminário com empresários.

Instabilidade política

O governo tenta impedir que as denúncias de corrupção na Lava Jato afastem investidores dos leilões.
Um dos ministros a falar no seminário, Nelson Barbosa (Planejamento) afirmou a jornalistas que a operação "causa alguma incerteza maior de curto prazo, mas não prejudica as expectativas de longo prazo que são mais importantes nesse tipo de projeto".

Segundo ele, o Brasil "tem uma tradição de transparência no uso de recursos públicos e de respeito aos contratos" que o torna atraente a investidores.

Outro ministro presente na visita, Armando Monteiro (Indústria) disse que nenhum executivo tratou nas reuniões com Dilma dos efeitos políticos e econômicos da Lava Jato.

"A presidente é quem tomou a iniciativa de dizer que o Brasil está (se) aperfeiçoando, que a Petrobrás está aperfeiçoando a sua governança, adotando medidas, renovando o conselho, a gestão", disse ele.
Segundo Monteiro, Dilma afirmou aos empresários que o Ministério Público no Brasil é autônomo e que não há interferência do governo nas investigações do órgão.

Tom otimista

Em declarações a jornalistas após seus encontros com a presidente, empresários adotaram um tom otimista. "O Brasil é um mercado importante para nós e estamos comprometidos com seu futuro", disse David Cheesewright, presidente da rede de supermercados Walmart.

Ele se disse "encorajado" pelas reformas do governo e por "esforços para tornar mais simples gerenciar negócios e melhorar o sistema de impostos".

O brasileiro Carlos Brito, CEO da gigante de bebidas AB Inbev, elogiou a iniciativa de Dilma de se aproximar dos empresários na visita. Segundo ele, a presidente afirmou que "estará aberta a sugestões" do grupo.

Para Andre Gluski, presidente da AES, dona da Eletropaulo, "o público em geral ficou muito impressionado" com o discurso de Dilma. Ele também se disse otimista sobre a perpectiva de investimentos no Brasil no longo prazo.

Em privado, porém, executivos de duas empresas com representantes nas reuniões disseram que os desdobramentos da Lava Jato geram incertezas sobre a economia brasileira e a capacidade de Dilma de governar. Um deles se disse receoso de que, conforme as denúncias se aproximam do alto escalão do governo, Dilma se fragilize e o ajuste fiscal fique comprometido, o que "tiraria o Brasil dos trilhos".

Ele afirmou que, embora no longo prazo o Brasil siga sendo um mercado promissor para sua empresa, algumas decisões de investimento poderão ser adiadas até que o ajuste fiscal se consolide e se conheça toda a extensão das denúncias da Lava Jato.

Delegação desfalcada

No dia anterior, a presidente ouviu em Nova York executivos de multinacionais brasileiras. A Lava Jato desfalcou a delegação empresarial nacional.

Normalmente presentes em missões como essa, as principais empreiteiras brasileiras, que tiveram executivos presos na operação ─ entre as quais Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS ─, não enviaram representantes para a visita de Dilma aos Estados Unidos.




segunda-feira, 15 de junho de 2015

No México, Dilma buscará alianças para reavivar economia



Olá alunos,

Enfrentando uma recessão e uma crise com o Congresso, a presidente Dilma Rousseff viaja nesta semana ao México em busca de parcerias para reavivar a economia nacional. A postagem de hoje busca trazer informações para uma nova perspectiva para a economia brasileira.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges. Monitoras da discplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Segundo diplomatas, Dilma pretende ampliar as exportações de produtos brasileiros para a segunda maior economia latino-americana e atrair mais investimentos mexicanos ao Brasil.

A visita ocorre durante uma rara maratona diplomática da presidente: na semana passada, ela recebeu em Brasília líderes da China e do Uruguai, e no fim de junho viajará aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Barack Obama.

A presidente chega à Cidade do México nesta segunda à noite e volta ao Brasil na quarta. Será a primeira visita de Estado - modalidade mais formal no linguajar diplomático - de um líder brasileiro ao México desde 2007, embora nesse intervalo Dilma e o ex-presidente Lula tenham viajado ao país para encontros multilaterais. A viagem será ainda uma retribuição à visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, ao Brasil após sua eleição, em 2012.

ONIPRESENÇA MEXICANA

Embora jamais tenham sido aliados muito próximos e nutram certa rivalidade regional, Brasil e México vêm se acercando nos últimos anos, num movimento liderado por empresários dos dois lados.

Segundo o governo brasileiro, o México é hoje o quarto maior investidor do Brasil, atrás da União Europeia, Estados Unidos e Japão. Empresas mexicanas já injetaram US$ 23 bilhões (R$ 71 bilhões) na economia brasileira.

Carros e autopeças respondem por metade das transações entre os dois países, que somaram US$ 9 bilhões (R$ 28 bilhões) em 2014. O embaixador do Brasil no México, Marcos Raposo Lopes, diz que os brasileiros ignoram estar cercados por produtos de empresas mexicanas em seu cotidiano.

Ele lembra que a mexicana Mabe é dona das marcas de eletrodomésticos Bosch, Dako, Continental e GE. A Bimbo, gigante mexicana do setor alimentício, comercializa o pão Pullmann, e a Coca-Cola vendida no Brasil é engarrafada pela mexicana Femsa.

Também são mexicanas a fabricante de canos Amanco, as telefônicas Claro e Embratel (gerida pela América Móvil) e a rede de cinema Cinépolis. Apesar disso, diz o embaixador, "pergunte a um brasileiro se ele já teve contato com algum produto mexicano e ele provavelmente dirá que não."

"Brasileiros e mexicanos sabem muito pouco sobre o país do outro, e os estereótipos ainda predominam dos dois lados."

EXPORTAÇÕES NA MIRA

Já os investimentos brasileiros no México são mais tímidos e somam US$ 2 bilhões (R$ 6 bilhões), embora estejam aumentando. A brasileira Braskem está construindo com a mexicana Idesa um polo petroquímico no Estado de Veracruz, e a Gerdau ergue um complexo siderúrgico em Hidalgo. Os dois investimentos totalizam US$ 5,6 bilhões (R$ 17 bilhões).

Em sua visita, Dilma deve assinar com o presidente Peña Nieto um acordo para facilitar investimentos entre os dois países. Será a terceira vez que o Brasil firma um acordo desse tipo (os países já contemplados são Angola e Moçambique).

Outra prioridade de Dilma, diz o embaixador Marcos Raposo Lopes, será ampliar as exportações brasileiras para o México.

Segundo o governo, o comércio entre os dois países dobrou nos últimos dez anos e o México é hoje o décimo primeiro maior importador de produtos brasileiros.

Carros e autopeças respondem por metade das transações, que somaram US$ 9 bilhões (R$ 28 bilhões) em 2014. O México tem saldo favorável de US$ 1,6 bilhão (R$ 4,9 bilhões) na relação.

Dilma tentará reduzir barreiras a produtos brasileiros em outras áreas. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 80% dos setores industriais brasileiros defendem diminuir as tarifas comerciais entre os dois países. A organização cobra o governo a avançar nas negociações rumo a um acordo de livre comércio com o México.

O acerto dependeria de um aval dos demais sócios do Brasil no Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela). O bloco já se comprometeu a negociar um acordo comercial amplo com o México no futuro.

'ALGUNS PASSOS À FRENTE'

Para João Augusto de Castro Neves, diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group, em Washington, as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil têm forçado Dilma - tida como mais avessa à diplomacia que seus antecessores - a buscar parcerias no exterior para aliviar a situação.

"Normalmente, líderes de países com problemas domésticos recorrem à política externa, onde têm mais liberdade para atuar."

Nesse cenário, diz Neves, o México é atraente por viver um momento econômico mais favorável que muitos países latino-americanos que têm a China como maior parceiro comercial.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que o país crescerá 3% neste ano. O ritmo é inferior ao que registrou no início da década, mas lhe deixa à frente de Brasil (-1%), Argentina (-0,3%) e Venezuela (-7%), que sofrem com a desaceleração da economia chinesa.

O México, por sua vez, tem se beneficiado da recuperação dos Estados Unidos, de longe seu principal parceiro comercial e investidor.

Por vender poucas matérias-primas à China, Neves diz que o México não viveu a bonança que muitos países latino-americanos tiveram na última década. Para crescer mais, diz ele, o país teve que optar por um caminho alternativo, abrindo-se ao comércio e promovendo reformas estruturais para se tornar mais competitivo.

O país liderou as negociações para a criação da Aliança do Pacífico, bloco criado em 2012 que une quatro nações latino-americanas, e hoje mantém acordos de livre comércio com 45 países.

Essas ações, diz ele, deixaram o México "alguns passos à frente" de outros países vizinhos - entre os quais o Brasil - que, diante da desaceleração chinesa, "se veem agora pressionadas a promover reformas liberalizantes".

"É interessante para o Brasil olhar para o México, ver que estão melhores do que nós e aprender com sua trajetória."

POLÍTICAS PROIBICIONISTAS

Se no campo econômico os dois países vêm se aproximando, politicamente ainda há uma grande distância entre ambos, diz Paulo José dos Reis Pereira, professor de relações internacionais da PUC-SP.
Segundo Pereira, por uma "necessidade de sobrevivência", o México sempre se voltou aos Estados Unidos, o que relegou os vizinhos ao sul ao segundo plano.

Há ainda divergências pontuais entre os dois países. O México se opõe ao pleito do Brasil por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, uma das maiores ambições da política externa nacional. E num sinal de certo distanciamento, o Brasil apoiou a candidatura vitoriosa da francesa Christine Lagarde na última eleição à direção do FMI, embora o mexicano Agustín Carstens estivesse na disputa.

Para Pereira, porém, há espaço e razões para que os dois países também se aproximem politicamente.
Ele diz que tanto Brasil quanto México sofrem os efeitos de suas políticas para as drogas, que enfocaram a proibição e a repressão ao tráfico mas não puseram fim à violência.

Segundo o professor, o México "tem acenado com a possibilidade" de repensar essas políticas, consolidadas por uma convenção da ONU da década de 1960. No ano que vem, a Assembleia Geral das Nações Unidas discutirá o tema numa sessão especial.

Ele diz que, hoje, a cooperação entre Brasil e México nesse campo é "praticamente inexistente" fora de fóruns multilaterais, mas que "os dois países poderiam ter um protagonismo na proposição de novas políticas de regulação das drogas".

"É um caminho possível e, mais do que isso, desejável."



sábado, 30 de maio de 2015

Como a China está redefinindo a arquitetura financeira global


Olá alunos,
No mesmo instante em que, na última sexta-feira, os líderes do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras agências multilaterais discutiam em seu tradicional encontro de primavera como revigorar suas operações, a poucas quadras dali, num prestigiado centro de pesquisas de Washington, o ministro chinês das Finanças, Zhu Guangyao, tentava tranquilizar a plateia afirmando que Pequim não pretende substituir a ordem econômica global. A postagem de hoje procura evidenciar na potência mundial que a China está se tornando e nas consequências disso para todo o globo.
Agradecemos a sugestão dessa notícia que foi enviada pelos alunos Carolina Byrro, Paula Ladeira, Larissa Vieira, Mariana Del Bello e Andressa, da turma T1 do primeiro período, da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges.
Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Não parecia coincidência. Na véspera do encontro das duas organizações, fundadas sob a liderança dos Estados Unidos na metade do século passado e que desde então ditam as regras das transações econômicas globais, a China festejou a adesão de 56 países - entre as quais o Brasil - ao seu novo banco de desenvolvimento.
O Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (BAII), que deverá ser lançado ainda neste ano e financiará obras no mundo todo, tem sido considerado a última tacada de Pequim para se contrapor à influência americana no FMI e no Banco Mundial.
Em outra frente, os chineses se aliaram a seus parceiros nos Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) para criar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que terá sede em Xangai e deverá ser inaugurado em 2016. Os Brics também preparam o lançamento do Arranjo Contingente de Reservas, um fundo nos moldes do FMI para socorrer membros do bloco em dificuldades.
Qual o futuro?
As ações chinesas levaram muitos a questionar na reunião de primavera do Banco Mundial e do FMI o que ocorrerá com essas organizações e outros bancos multilaterais quando as novas instituições amparadas por Pequim começarem a operar.
Em público, tanto o Banco Mundial, quanto o FMI deram as boas vindas às iniciativas chinesas. Mas os gestos de Pequim também reforçaram os apelos por reformas nessas instituições, para que se tornem menos burocráticas e cedam mais espaço para nações emergentes em seus círculos de decisão.
"É uma ótima notícia que um país como a China, sentada em mais de US$ 4 trilhões (R$ 12,1 trilhões) de reservas, ponha esses recursos a serviço do financiamento de infraestrutura e desenvolvimento em vez de investir em fundos de países ricos", diz à BBC Brasil Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), outra organização multilateral sediada em Washington.
Moreno afirma, porém, que a entrada da China nessa arena "força uma conversa sobre como nossas instituições, que têm muita experiência, podem ser mais ágeis e eficientes, e como podemos corrigir nossos processos".
Nos últimos anos, muitos países emergentes têm deixado de procurar bancos multilaterais para financiar obras de infraestrutura por causa das rígidas regras dessas organizações e de sua aversão a riscos.
Paralelamente, bancos estatais da China passaram a conceder empréstimos bilionários a operações chinesas no exterior. A estratégia é mais visível na África, onde chineses têm financiado e realizado uma série de obras - entre as quais estradas, ferrovias e conjuntos habitacionais - em troca de matérias-primas.
Para os governos africanos, a parceria com os chineses se mostrou uma alternativa às lentas e complexas negociações com bancos multilaterais e países desenvolvidos, que costumam fazer uma série de exigências para liberar seus recursos.
Já críticos ao modelo chinês dizem que os empréstimos de Pequim são mais sujeitos a desvios e ignoram boas práticas trabalhistas e ambientais.

'Dos bilhões aos trilhões'

Sob a presidência do coreano-americano Jim Yong Kim, o Banco Mundial parece disposto a ampliar seu quinhão no financiamento de grandes obras mundo afora. A organização aprovou em 2014 um financiamento para que a República Democrática do Congo conduza os estudos para erguer oito hidrelétricas no país.
Estima-se que a obra custará ao menos US$ 50 bilhões (R$ 152 bilhões), o que a tornaria um dos maiores projetos já financiados pelo Banco Mundial.
Aumentar o volume dos empréstimos é um dos maiores desafios da instituição. O Banco Mundial calcula que em 2014 os financiamentos do órgão e de outras agências multilaterais somaram US$ 135 bilhões, enquanto todas as formas de investimentos entre países - como as que a China realiza na África - atingiram US$ 1 trilhão.
O presidente do banco tem dito que é preciso passar "dos bilhões aos trilhões", e para isso defende que as organizações multilaterais se aproximem de bancos privados.

Reforma atrasada

O avanço chinês também tem reforçado as cobranças para que o FMI conclua a reforma do seu sistema de cotas para dar mais poder a Pequim e outras potências emergentes.
O processo se iniciou em 2010, mas para ser posto em prática ainda precisa ser ratificado pelo Congresso dos Estados Unidos, maior acionista do fundo e onde muitos legisladores temem que a reforma enfraqueça Washington perante os rivais russos e chineses.
Em entrevista durante o encontro em Washington, a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, cobrou os legisladores americanos a acelerar a aprovação para que "a instituição possa continuar a representar a comunidade inteira à medida que ela evolui".
O Brasil é um dos principais interessados na reforma. Em discurso à plenária do FMI no sábado, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que a demora em concluir o processo não só frustra os membros do fundo, como ameaça sua a capacidade de operar.

Apagando o fogo

O surgimento do BAII, o novo banco chinês de desenvolvimento, foi um dos principais temas discutidos nos corredores do evento da última semana em Washington.
Os Estados Unidos tentaram até a última hora enfraquecer a adesão de outros países ao banco, levantando dúvidas sobre a disposição chinesa em seguir padrões internacionais sobre a concessão de crédito.
Mesmo assim, até mesmo aliados próximos dos americanos - como Grã Bretanha, Coreia do Sul e Alemanha - decidiram integrar a organização, que deverá começar a operar até o fim deste ano.
Em Washington, o ministro das Finanças da China, Zhu Guangyao, tratou de acalmar os ânimos americanos.
Em evento no Atlantic Council, ele afirmou que o BAII não substituirá o Banco Mundial, mas sim o complementará.
Ele disse ainda que a China está empenhada em fortalecer o FMI e o Banco Mundial, mas que os órgãos precisam de reformas para melhor assistir países em desenvolvimento.
Entre os bancos multilaterais em Washington, o discurso também é conciliatório. Os líderes do BID, do FMI e do Banco Mundial já disseram querer cooperar com as novas instituições chinesas.
O governo chinês também deverá buscar a aproximação. Observadores avaliam que Pequim está interessada na vasta expertise dessas instituições, o que tornaria a relação vantajosa para os dois lados.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Por que o investimento estrangeiro se sustenta no Brasil?



Olá alunos, 

A economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros - uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo. A postagem de hoje busca analisar os motivos da
resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil.
 
Esperamos que gostem e participem. 
 
Fellype Fagundes e Carlos Araújo  Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Apesar de dados que têm despertado o pessimismo de analistas e de uma parte da sociedade, a economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros - uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo.

Animados, Phil Popham, diretor de marketing da Jaguar Land Rover (JLR), e Terry Hill, diretor do grupo para a América Latina, descreveram no Salão Internacional do Automóvel, no mês passado em São Paulo, os planos da empresa para a construção de uma fábrica em Itatiaia e as perspectivas de negócios no país.
"O segmento de carros premium continua a crescer apesar da desaceleração", explicou Popham. "Além disso, nosso foco é no longo prazo."

A fábrica da JLR no Brasil será a primeira totalmente controlada pelo grupo fora da Grã-Bretanha e começará a fabricar o Land Rover Discovery Sport em 2016. A estimativa é que custe R$ 750 milhões e crie, inicialmente, 400 empregos - número que poderia dobrar em alguns anos.

O grupo não parece ser o único a olhar para além do atual estado de quase estagnação da economia brasileira - que deve crescer em torno de 0,3% este ano, segundo as projeções do mercado.

Surpreendemente, apesar da desaceleração, o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) para o Brasil continua em patamares relativamente elevados.

Nos últimos 12 meses, tal fluxo atingiu US$ 66,5 bilhões, segundo dados do BC - mesmo nível de 2011, quando o Brasil ainda era o queridinho entre economias emergentes. Em 2010, quando o PIB se expandiu 7,5%, o IED ficou na casa dos US$ 48 bilhões.

Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parecem confirmar o fenômeno. De acordo com a Cepal, o IDE para o Brasil aumentou 8% de janeiro a agosto na comparação com 2013. Já na região como um todo, os investimentos estrangeiros caíram 23%.

O caso do setor automobilístico chama a atenção também porque ele parece ter sido um dos mais rapidamente afetados pela freada do PIB.


As vendas caíram 8,9% este ano sobre o mesmo período de 2013 e os pátios cheios se tornaram a imagem-símbolo do desaquecimento econômico. O setor também teria fechado 12 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

Ainda assim, também no Salão do Automóvel, tanto a BMW quanto a chinesa Chery Internacional apresentaram modelos de carros a serem produzidos em fábricas recém-inauguradas no Brasil.

E a Geely Automobile, também chinesa, confirmou que está estudando a abertura de uma montadora no país embora, como ressalta Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, "ao menos no curto e médio prazo, haja dúvidas sobre se haverá demanda para tanto carro".

O que explica a resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil?

Planejamento

Parte desses investimentos foi planejada anos atrás, quando o crescimento brasileiro ainda empolgava, como nota o economista Caio Megale, do Itaú-Unibanco.

"Mas isso só explica uma parte da história", diz Megale. "O mercado brasileiro de fato tem algumas características que tem ajudado a sustentar o interesse estrangeiro. Somos uma democracia estável e a economia ainda apresenta fundamentos sólidos, por exemplo."

Irene Mia, diretora para América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit, concorda. A EIU tem planos de abrir um escritório em São Paulo até o final do ano, para "melhor servir seus clientes brasileiros e estrangeiros focados no Brasil".

"O crescimento não é o único critério usado pelos investidores para tomar suas decisões de investimento. A atratividade do Brasil para o IDE permanece enorme ", diz ela.

Economistas e analistas econômicos costumam apontar pelo menos dois fatores que estariam por trás da atratividade do mercado brasileiro.

O primeiro estaria ligado à escala desse mercado, que estimularia as empresas a pensarem "no longo prazo" no que diz respeito ao Brasil.

"O mercado de cosméticos brasileiro é o terceiro maior do mundo, o automobilístico é o quarto maior e o de laptops, o terceiro", diz Olavo Cunha, do Boston Consulting Group.

"Muitas multinacionais sentem que precisam ter um plano para o Brasil para os próximos dez, vinte anos. E mesmo aquelas que já têm uma forte presença no país, como a Nestlé ou a Unilever, por exemplo, precisam fazer investimentos para manter sua fatia do mercado no longo prazo."

Mobilidade social

Nos últimos anos, as dimensões do mercado brasileiro ainda teriam sido reforçadas pelo processo de expansão da Classe C. Milhões de brasileiros deixaram a pobreza para serem incluídos nessa nova classe de consumidores. E embora esse processo tenha sido freado pela desaceleração, continua em curso.

Além disso, como as taxas de desemprego continuam em patamares historicamente baixos, ao menos até agora a desaceleração ainda não chegou a afetar de forma drástica a vida e hábitos de consumo da maioria dos brasileiros, segundo os analistas.


Outro fator que fomentaria o interesse estrangeiro pelo Brasil é que alguns nichos da economia brasileira - e algumas regiões geográficas do país - ainda estão crescendo em um ritmo relativamente acelerado.

O setor de petróleo e gás, por exemplo, continua a atrair a atenção de investidores - embora o escândalo de currupção da Petrobras possa deixar sequelas.

A área de infra-estrutura também seria promissora, segundo Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet).

"Há um enorme potencial para se atrair aportes nessa área, mas para isso o governo precisa garantir um ambiente regulatório favorável", diz ele.

O mercado de bens de luxo é outro exemplo. De acordo com um relatório da McKinsey, o número de grifes estrangeiras com presença no Brasil dobrou nos últimos cinco anos.

Ainda assim, as três principais marcas de luxo no país têm apenas 0,3 lojas para cada milhão de clientes em potencial - contra 4 lojas na China.

No caso dos carros premium, a JLR prevê que eles possam aumentar sua participação de 2% para 4% ou 5% do mercado de automóveis no Brasil até 2020. Na Europa, essa participação é de 10% e há pouco espaço para crescimento.

Mesmo entre os modelos populares, associações do setor acreditam haver espaço para uma expansão do mercado automobilístico no longo prazo.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, projeta que, até em um cenário pessimista, a frota de automóveis no país deve dobrar nos próximos 20 anos.

"Para completar, as empresas estrangeiras também estão lentamente descobrindo o potencial de crescimento das cidades médias e interior do país", diz Baggi, da Tendências.

"Impulsionadas por recursos do agronegócio, algumas dessas cidades estão se tornando uma nova fronteira de consumo"

Alta lucratividade

Para Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab na Universidade Columbia, há ainda um outro fator por trás da atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.

"Um carro que custa US$ 15 mil nos Estados Unidos pode ser vendidos no Brasil pelo dobro ou o triplo", diz ele.

O preço mais alto compensa, em parte, os custos da carga tributária mais elevada, a complexa burocracia do país e os problemas ligados à falta de infraestrutura.

"Mas as margens (de lucro) também são maiores. As empresas são obrigadas por barreiras protecionistas a produzir no país para acessar o nosso mercado doméstico. Mas, uma vez aqui, elas também acabam protegidas da concorrência externa", diz Troyjo.

"Quem perde, mais uma vez são os consumidores brasileiros."

Segundo Troyjo, 2015 será decisivo para definir as tendências nos fluxos de IDE para o Brasil nos próximos anos.

"Se o governo começar a fazer as reformas e correções de rumo na política econômica vistas como necessárias para a retomada do crescimento, os investidores devem responder positivamente. Se o sinal for contrário, alguns podem começar a repensar até sua estratégia de longo prazo para o país", opina.

Link Original

domingo, 2 de novembro de 2014

Por que o Brasil parou de crescer?



Olá alunos,

Nos últimos três anos, o PIB brasileiro teve uma expansão tímida de 2,7%, 1% e 2,5%, respectivamente.
O governo atribuiu a freada ao contexto internacional desfavorável e uma onda de "pessimismo" em parte motivada por questões políticas. A postagem de hoje busca indagar sobre os fatores que realmente vem influindo nessa desaceleração.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Agora é oficial: o Brasil parou de crescer. É verdade que a desaceleração não ocorreu de repente. Nos últimos três anos, o PIB teve uma expansão tímida de 2,7%, 1% e 2,5%, respectivamente, menor do que na década de 2000 e 2010, quando, mesmo com duas crises financeiras internacionais, o crescimento médio foi de 3,7% ao ano.

Mas foi o anúncio do IBGE de que a economia brasileira teve uma retração de 0,2% no primeiro trimestre e 0,6% no segundo que parece ter feito até o governo admitir que o país chegou em uma encruzilhada.
"Gostaria que o Brasil estivesse crescendo em um ritmo mais acelerado", reconheceu a presidente Dilma Rousseff.

O dado levou Dilma a prometer mudanças em sua política e equipe econômica em um eventual segundo mandato e analistas "do mercado" revisaram suas expectativas de expansão do PIB para este ano pela 15ª vez consecutiva - para 0,48%.

Segundo o serviço Broadcast, da Agência Estado, até a estimativa oficial do governo, de um crescimento de 1,8% em 2014, já estaria sendo revista - embora não esteja claro para quanto, especialmente depois da ligeira recuperação da economia em julho, registrada no índice IBC-Br, do Banco Central.

A questão é que se há consenso de que temos um problema, suas causas ainda estão longe de ser unanimidade.

O governo atribuiu a freada ao contexto internacional desfavorável e uma onda de "pessimismo" em parte motivada por questões políticas.

Ao explicar o caso específico dos números negativos do segundo trimestre, também culpou os feriados da Copa do Mundo pela queda da atividade de setores como varejo e indústria.

Já economistas, analistas de mercado e consultorias apontam erros na condução da política econômica – também destacados por candidatos da oposição.

Numa tentativa de mapear esse debate, a BBC Brasil fez uma compilação das "hipóteses" sobre o que, afinal, teria contribuído para empurrar o país desse patamar de 3,7% de crescimento para o que internacionalmente se convenciona chamar de "recessão técnica". Confira abaixo o resultado:

Contexto internacional

Há certo consenso de que o cenário externo não ajudou o Brasil nos últimos anos, ao contrário do que ocorreu na década passada - embora o governo atribua a esse fator um peso muito maior que economistas críticos da atual política econômica.

"Vivemos um período muito diferente daquele em que a economia mundial crescia 4,4% e todos comiam o mamão com açúcar da globalização", resumiu, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Vale, Murillo Ferreira.

Em 2010, ano em que o país cresceu 7,5%, a expansão da economia internacional foi de 5,2%. Já em 2014, a estimativa é que cresça 3,3% segundo o FMI e 2,7% segundo a ONU. Em 2013, o crescimento foi de 2,3%.

Essa mudança de contexto afetaria desde o nível das exportações, até a atração de investimentos e expectativas dos investidores domésticos.

O país também estaria sofrendo os efeitos da desaceleração da China e da queda no preço das commodities no mercado internacional.

"Mas também é preciso considerar os limites dessa influência do cenário externo", opina Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências.

"Mesmo com um cenário desfavorável, outros países conseguiram crescer muito mais que o Brasil, por exemplo."

De 2011 a 2013, o PIB dos países latino-americanos cresceu 3,1% ao ano em média. A média da Aliança do Pacífico - Colômbia, Peru, Chile e México - foi de 4,6%, e a dos emergentes, de mais de 5%.
Já o Brasil cresceu a um ritmo de 2% ao ano.

Deterioração das expectativas

Outra hipótese sobre a qual há certo consenso diz respeito às "expectativas negativas" que estariam achatando os investimentos.

O governo, porém, tem dado a entender que esse "pessimismo" seria politicamente motivado enquanto consultorias econômicas e analistas do mercado o atribuem às incertezas ligadas à condução da política econômica.

"O mesmo pessimismo que se tinha em relação à Copa está havendo em relação à economia brasileira. E no caso da economia é mais grave, porque a economia é feita de expectativas", disse Dilma recentemente.

Na entrevista à Folha, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, parece ter endossado o argumento governista sugerindo que haveria um "Fla-Flu" político entre a administração do PT e o mercado financeiro e industriais de São Paulo.

"A política em São Paulo está muito rancorosa", disse.

Para Marcelo Moura, economista do Insper, porém, "é bobagem" pensar que os empresários deixariam de investir para "atrapalhar" o governo.

"Os empresários e investidores querem retorno: vão investir sempre que calcularem que podem obter lucro com isso. Imagina se iriam arriscar seus ganhos por questões políticas ou ideológicas", diz ele.

"A questão é entender por que essas expectativas estão tão negativas. Por que os empresários não estão investindo? E aí a resposta estará provavelmente ligada às incertezas provocadas pela péssima condução da política econômica", opina.

 
Abandono do "tripé"

Essa é uma hipótese defendida por economistas críticos ao governo: a de que o suposto abandono do chamado "tripé" macroeconômico, teria contribuido para a desaceleração.

O termo refere-se à política que combina metas fiscais, metas de inflação e câmbio flutuante - adotada para garantir a estabilidade da economia no final dos anos 90, quando o sistema de câmbio fixo ruiu.

A lógica é que, com a flexibilização dessa política, a inflação corroeria a renda das famílias e os empresários hesitariam em investir.

Durante o governo Dilma, anunciou-se a transição para a chamada "nova matriz econômica", que combinaria juros baixos, taxa de câmbio "competitiva" e uma "consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento", nas palavras do secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland.

Segundo economistas ortodoxos, o fato de o Banco Central (BC) ter sido obrigado a voltar a elevar os juros seria uma prova do fracasso da "nova matriz".

O governo nega, porém, que o "tripé" tenha sido "substituído". Diz que, apesar de a inflação rondar os 6,5%, está dentro da meta definida pelo BC, de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima e para baixo. Ao menos oficialmente, também garante que a meta de superávit primário, de 1,9% do PIB, ainda pode ser alcançada.

Para economistas como Ribeiro, da Tendências, e Moura, do Insper, o grande problema é como as metas têm sido atingidas nos últimos anos.

Moura diz que, no caso das metas fiscais, o governo vem lançando mão da chamada "contabilidade criativa" - manobras contábeis que fariam parecer que se estaria economizando recursos, quando na realidade isso não ocorreria.

Por exemplo: o tesouro faz repasses ao BNDES, que empresta para estatais, que pagam dividendos ao governo. Os dividendos entram como receita, mas os repasses não são contabilizados como despesas.

No caso das metas de inflação, Ribeiro faz coro com economistas que denunciam a represa de preços administrados, como energia e combustíveis, para segurar o índice.

"Isso tem criado uma série de desequilíbrios", diz ela. "A Petrobras, por exemplo, deve ter sua capacidade de investimento afetada por não poder repassar a alta de seus custos aos consumidores."

Desgaste do modelo

De acordo com os defensores dessa hipótese, na segunda metade dos anos 2000, o país teria crescido em função do aquecimento do seu mercado interno e medidas de estímulo ao consumo, mas teria faltado empenho para a ampliação dos investimentos. O resultado seria o desgaste desse "modelo de crescimento baseado em consumo".

De fato. Nos últimos três anos o nível dos investimentos na economia brasileira caiu do patamar dos 19,5% do PIB - já considerado baixo - para cerca de 17%.

"O governo achava que, ao estimular o consumo, os investimentos viriam naturalmente e não foi o que ocorreu", acredita Ribeiro, da Tendências. "O resultado foi uma inflação de demanda, por falta de produtos."

Em um primeiro momento, medidas anticíclicas ligadas à expansão do crédito e gastos do governo ajudaram a evitar que o Brasil fosse duramente atingido pelos efeitos da crise internacional de 2008, como explica André Biancarelli, economista da Unicamp.

Mesmo Michael Reid, colunista da revista liberal Economist e autor de Brasil: A Ascensão Turbulenta de uma Potência Global, admite que tais políticas foram efetivas em 2008 e 2009.

"Mas as medidas de estímulo deveriam ter sido interrompidas uma vez que a economia começou a se recuperar", opina Reid. "Se o governo tivesse rapidamente voltado a focar no superavit fiscal a partir de 2010, as taxas de juros e a inflação seriam hoje menores e o Brasil estaria crescendo mais."

Já Biancarelli discorda da tese do "esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo".

Para ele, o dinamismo do mercado interno brasileiro é um dos trunfos do país em seus esforços para retomar o crescimento - e impor medidas que reduzam esse dinamismo seria "arriscado".

Problemas estruturais

Por essa hipótese, o maior problema não seria o que o governo fez nos últimos anos, mas o que deixou de fazer.

A ideia é que a única forma de garantir o crescimento do PIB no médio e longo prazo teria sido reduzir os problemas estruturais que afetam a competitividade das empresas brasileiras - como a complexa burocracia e sistema tributário do país, as deficiências de infra-estrutura e a escassez de mão de obra qualificada.

Sem reformas de peso nessas áreas, seria esperado que, cedo ou tarde, o crescimento arrefecesse.

"Temos problemas de logística graves, um sistema tributário intrincado e uma legislação trabalhista anacrônica", diz Helio Zylberstein, economista da USP.

"Sem resolver questões como essas será difícil fazer avanços na produtividade das empresas brasileiras - o que é essencial para retomarmos o crescimento".

Para Moura, do Insper, se continuar a adiar as reformas e investimentos para amenizar esses problemas, o Brasil pode abandonar o sonho de ser um país desenvolvido.

"Não dá para querer ser desenvolvido crescendo 3% em ano em que a economia vai bem", opina.

"Precisamos passar para o patamar dos 5%, 6% de crescimento, ou mais - e sem desatar esses nós estruturais isso nunca vai ocorrer."