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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O que causa mais danos, inflação ou recessão?

Caros leitores,

Tem sido extramemente perceptível, nos últimos tempos, os efeitos práticos da inflação no ambiente social, com um aumento em série de preços em produtos básicos da cesta básica, afetando até mesmo a própria dificuldade do cidadão manter sua subsistência. O fenômeno, que é refletido em diferentes países, acende um alerta em termos econômicos.

Diante disso, trazemos hoje uma notícia que traz a comparação direta entre a realidade inflacionária e de recessão, tendo como plano de fundo o contexto atual de diferentes países através do globo, e a forma que encontram para enfrentar essa realidade.

Esperamos que gostem e compartilhem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).

É preciso apagar o fogo antes que ele fique fora de controle.

Esse parece ser o lema dos países atingidos pela gigantesca inflação que assola o mundo — e que recentemente bateu recordes de décadas.

A Alemanha está com o nível mais alto de inflação em quase meio século — e lida com uma crise energética derivada da guerra na Ucrânia. Os Estados Unidos e o Reino Unido alcançaram o aumento de preços mais elevado dos últimos 40 anos. A América Latina, por sua vez, também está sob pressão devido à escalada do custo de vida.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, teve queda de 0,68% em julho, após ter registrado alta 0,67% em junho. Com isso, o país registrou uma deflação - inflação negativa -, a primeira depois de 25 meses seguidos de alta de preços.

No ano, porém, a inflação acumulada é de 4,77%. No acumulado nos últimos 12 meses a taxa desacelerou para 10,07%, contra os 11,89% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Ou seja: os "bombeiros" da economia estão correndo para conter esse fogo antes que ele se torne incontrolável. Os especialistas encarregados pela política fiscal e monetária dos países tentam buscar uma solução, mas não podem se descuidar de outra fonte de perigo: a recessão.

Mas o que a inflação alta tem a ver com a recessão econômica? Quando a inflação é desencadeada, os bancos centrais aumentam as taxas de juros (o custo do crédito) para desencorajar a compra de bens ou serviços. É uma política que busca reduzir o consumo, com a esperança de que os preços caiam.

Com esse mecanismo, a inflação fica mais controlada, mas, ao mesmo tempo, o crescimento econômico é desacelerado.

Se a desaceleração for muito grande, porém, a economia paralisa e as chances de o país entrar em recessão aumentam. Diante desse dilema, as autoridades têm que trabalhar numa verdadeira corda bamba e se perguntar a todo momento: até quando é possível aumentar os juros sem sufocar demais a economia?

Esse equilíbrio precário entre inflação e recessão é o que faz os economistas tentarem apagar um incêndio sem jogar mais combustível no outro.

Daí vem a pergunta: a inflação é pior do que a recessão econômica?

O mal menor

"Não é tanto o que é pior, mas o que é a primeira coisa a ser enfrentada. Acredito que um país que quer manter a estabilidade macroeconômica não pode arcar com uma inflação alta", argumenta Juan Carlos Martínez, professor de economia na IE Business School, na Espanha.

"Uma recessão é um mal menor do que uma inflação persistente na economia", avalia o especialista, numa entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC para a América Latina.

Benjamin Gedan, vice-diretor do Programa Latino-Americano do Wilson Center e professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, também defende que a redução do custo de vida é uma prioridade.

"As duas coisas são ruins, mas a inflação é mais difícil de superar em muitos casos", aponta.

A inflação alta crônica, acrescenta, impõe muitos custos à sociedade — o que não está relacionado apenas à crise econômica.

"Isso também cria tensões sociais, pois os trabalhadores exigem aumentos salariais recorrentes, os proprietários impõem aumentos de aluguel e os comerciantes decidem aplicar repetidas elevações de preços", exemplifica Gedan.

José Luis de la Cruz, diretor do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Crescimento Econômico (IDIC) do México, entende que o controle da inflação pode levar muitos anos, enquanto as recessões, pelo menos nos últimos anos, têm sido superadas com mais rapidez.

"Neste momento, é fundamental conter a inflação porque as experiências dos últimos 50 anos nos mostram que uma espiral inflacionária acaba por desencadear uma recessão", lembra o economista.

"Você pode enfrentar uma recessão sem que isso implique em inflação, mas, no outro caso, a inflação acaba levando a uma crise."

Os Estados Unidos, por exemplo, "estão pagando o preço de um erro", avalia de la Cruz, porque as autoridades deixaram passar muito tempo antes de aumentar os juros para controlar o consumo e o investimento.

Dessa forma, a demanda permaneceu alta e os preços continuaram subindo, sem eliminar os incentivos para continuar gastando, analisa o especialista.

O que acontece na América Latina?

Assim como em outras partes do mundo, a América Latina também sofre com a onda inflacionária.

Em países como o Chile, a inflação atingiu a marca histórica de 13,1% (a maior em quase três décadas), seguida por Brasil e Colômbia, onde essa taxa supera os dois dígitos.

Países como Peru e México, onde a espiral inflacionária é um pouco menor, também sofreram as consequências de preços elevados, que estão deixando marcas profundas nos setores mais vulneráveis da sociedade. A Argentina, que apresenta um problema crônico de inflação, tem uma ferida aberta com um aumento de 64% no custo de vida anual.

Diante desse cenário, os bancos centrais da região têm aplicado aumentos históricos nas taxas de juros para tentar aliviar a pressão (ou diminuir a força do fogo). Em tempos econômicos bons, muitos governos costumavam estabelecer uma meta de inflação na faixa de 2% a 4%.

Porém, com o custo do crédito em disparada, essas metas foram deixadas de lado, pelo menos por enquanto. O Brasil, por exemplo, está com taxas de juros de 13,7%, enquanto no Chile o custo dos empréstimos subiu para um máximo histórico de 9,7%.

Restam poucas opções para as pessoas que aspiravam comprar uma casa com empréstimo bancário, ou para os empreendedores que planejavam renovar equipamentos, expandir as operações ou iniciar novos projetos de investimento.

Claramente, o tempo do "dinheiro barato", ou seja, dos empréstimos mais acessíveis, ficou no passado. O aumento do custo do crédito tem sido tão rápido e profundo que os economistas esperam ver os primeiros resultados disso em breve.

De fato, em países como os Estados Unidos e o Brasil, a inflação deu uma trégua e diminuiu ligeiramente, aumentando as expectativas de que os preços poderiam ter atingindo o patamar máximo.

Quem são os mais afetados pela inflação?

"O pior de tudo é que a inflação tem o efeito de um imposto sobre os pobres, que têm pouca poupança e geralmente trabalham no setor informal, com baixa capacidade de proteger o poder de compra", explica Gedan.

Dada a pobreza generalizada na América Latina e o gigantesco setor informal, os impactos da inflação são particularmente graves na região. Nesse sentido, as autoridades não hesitaram em aumentar as taxas de juros, especialmente devido aos episódios de escalada de preços na América Latina nas últimas décadas.

"Dados os traumas recentes ​​da região com a hiperinflação e o desejo de preservar a credibilidade conquistada com muito esforço dos bancos centrais, não é surpreendente ver uma ação rápida em muitos países para conter os aumentos de preços", diz o especialista.

O debate nos Estados Unidos

Embora a inflação e a recessão sejam duas ameaças econômicas, nos Estados Unidos o debate se concentrou em quanto e com que velocidade o Federal Reserve (o equivalente ao banco central em outros países) deve continuar a aumentar as taxas para impedir a escalada dos preços.

Criticado por não ter agido antes, o órgão embarcou em uma série de aumentos de juros neste ano. E como esses aumentos freiam a economia, a pergunta que muitos estão fazendo é se o país entrará ou não em recessão.

Os EUA já passam pelo que se conhece como "recessão técnica", o equivalente a dois trimestres consecutivos de contração econômica. Mas nos EUA, esses números negativos não representam uma verdadeira recessão, de acordo com os padrões usados pelo país.

Quem define esse estágio econômico por lá é uma organização independente chamada National Bureau of Economic Research (NBER). A instituição conta com a participação dos principais economistas, que se reúnem regularmente e analisam todas as variáveis ​​que podem afetar um processo de recessão.

A definição que eles usam está longe de ser uma fórmula matemática: "[A recessão é] Um declínio significativo na atividade econômica que se espalha por toda a economia e dura mais do que alguns meses."

A abordagem do comitê de economistas é que, embora cada um de três critérios (profundidade, espalhamento e duração) deva ser contemplado individualmente até certo ponto, as condições extremas relacionadas a um critério podem compensar parcialmente as indicações mais fracas dos outros.

Justamente por não ser uma fórmula infalível, há muito debate nos Estados Unidos sobre se o país está realmente caminhando para uma recessão ou se não chegará a esse estágio.

As mais altas autoridades do país (responsáveis ​​pela política fiscal e monetária) têm se mostrado otimistas, argumentando que o mercado de trabalho continua forte. Em julho, a inflação caiu ligeiramente (de 9,1% para 8,5%), dando um certo alívio nas previsões que consideravam inevitável uma recessão no país.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Lançamento livro Coletânea GPEIA/UFF - "Estado e Instituições: Desafios Contemporâneos do Mutilateralismo e Perspectivas no Âmbito da Governança Global"

Caros leitores,

É com muita satisfação que compartilhamos o lançamento do Livro Coletânea “Estado e Instituições: Desafios Contemporâneos do Multilateralismo e Perspectivas no Âmbito da Governança Global”, como resultado dos trabalhos do "II Seminário Internacional sobre Estado e Instituições".


O livro é composto por uma seleção de artigos que se destacaram no Evento, em conjunto com capítulos inéditos, e já está está disponível através do seguinte link:


Livro Estado e Instituições


Encaminhamos o Sumário Expandido com o conteúdo do livro, composto por capítulos escritos por especialistas no tema, e desejamos a todos interessados na área uma boa leitura!


Sumário do Livro Coletânea


Cordialmente,

Comissão Organizadora & Equipe GPEIA

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Convite - Desenvolvimento e Estratégias para a Reconstrução do Brasil

Caros leitores,

É fato que vivemos um momento de delicadeza ímpar quando se trata do cenário econômico nacional, com uma busca enfática de alternativas que possam trazer benefícios, especialmente ao longo prazo, visando uma recuperação plena do ambiente econômico após mais de uma década desde a crise de 2008 e seus reflexos em âmbito nacional, regional e internacional.

Diante disso, convidamos a todos a participar do Evento "Desenvolvimento e Estratégias para a Reconstrução do Brasil", promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP) como parte de seu curso "Pensadores do Brasil"

Contando com exposição do Prof. Marcio Pochmann, ex-presidente do IPEA, a aula ocorrerá no dia 16/09, às 19:00, ocorrendo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), localizada na Rua São Francisco Xavier 524, Maracanã, auditório 11, 1º andar.

Esperamos que gostem e participem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Análise | Índia e Brics em condições de Guerra Fria

Caros leitores,

O contexto geopolítico global, com a imposição de sanções em face da Rússia, trouxe diferentes efeitos práticos em diferentes escalas das Relações Internacionais. Um dos marcos desta é justamente a aproximação entre nações e o Governo Russa, tal como é o caso da Índia.

Diante disso, trazemos hoje uma análise acerca da posição indiana frente ao Brics nos últimos tempos, fruto principalmente de uma percepção equivocada do país acerca dos interesses chineses no bloco, em uma história que é naturalmente conturbada. Os efeitos, de fato, afetam as próprias perspectivas futuras para o Brics.

Esperamos que gostem e compartilhem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).

A conversa por telefone entre o primeiro-ministro indiano Modi e o presidente russo Putin na última sexta-feira, 1°de julho, foi um importante sinal no dia seguinte ao lançamento do novo Conceito Estratégico da OTAN, que chama a Rússia de "ameaça mais significativa e direta da aliança”. Na leitura de Moscou e na de Nova Délhi está presente a determinação das duas lideranças em avançar na cooperação econômica, apesar das sanções ocidentais contra a Rússia. 

Ironicamente, as "sanções do inferno" do Ocidente acabaram por dar grande estímulo às relações comerciais entre Índia e Rússia, dando-lhe um dinamismo que nunca se suspeitaria que seria recapturado na era pós-soviética.

A ligação de sexta-feira foi combinada durante a cúpula do Brics (23 a 24 de junho). Curiosamente, ela acontece em um momento em que as potências ocidentais intensificam seus esforços para criar discórdia entre os países membros do Brics, e tentam fazer uma lavagem cerebral especificamente com a Índia, para que se juntem ao seu movimento nas novas condições da Guerra Fria. A Índia, claro, se movimenta pelo mais vantajoso, mais ardilosa que nunca nesse circuito multilateral - UE, G7, QUAD.

A relação entre Índia e Rússia foi um elemento motivador da visita de Modi ao Japão, em abril, (parcialmente), e as três visitas a Europa em maio, e, também, das duas reuniões com o presidente dos EUA, Joe Biden, nesse mesmo período (em grande parte). Nos cálculos do Ocidente, China e Índia estão dando à Rússia o que analistas chamam de "profundidade estratégica", o que poderia mitigar os efeitos do esforço frenético de "apagar" a Rússia. Vale observar que as tentativas do Ocidente de criar paranoias na mente Indiana acerca dos laços estreitos entre a Rússia e a China não estão tendo mais o efeito desejado, de tornar Delhi desconfiada das intenções da Rússia. A Índia vê, pelo contrário, grandes oportunidades de explorar a inclinação da Rússia para com a região Ásia-Pacífico em parcerias econômicas.

Sem dúvida, a Índia está "se equilibrando" entre Washington e Moscou e a cúpula do Brics foi uma ótima ocasião para monitorar essa corda bamba. Um jornal notoriamente pró-Ocidente de Delhi previu que Modi atuaria como um sentinela do Presidente dos EUA, Biden, bloqueando qualquer declaração do Brics crítica aos EUA. Seja isso verdade ou não, Modi fez um discurso bastante moderado na Cúpula do Brics.

Putin, por outro lado, afirmou em seu discurso na cúpula que "considerando a complexidade dos desafios e ameaças que a comunidade internacional está enfrentando e o fato destes transcenderem as fronteiras, precisamos encontrar soluções coletivas. Os Brics podem contribuir significativamente para esses esforços”.

Acrescenta, ainda, que "estamos confiantes, hoje como nunca antes, que o mundo precisa da liderança dos países do Brics na definição de um caminho que o unifique e aponte para a formação de um sistema realmente multipolar de relações entre os Estados [...] Nós podemos contar com o apoio de diversos países na Ásia, África e América Latina que estão em busca de construir uma política autônoma e independente."

Em seu discurso, o Presidente chinês Xi Jinping fez um apelo ainda mais direto aos parceiros do Brics: "nosso mundo hoje está obscurecido pelas nuvens escuras da mentalidade da Guerra Fria e de Políticas de disputa de Poder e assolado por ameaças de segurança convencionais e não convencionais que emergem constantemente. Alguns países tentam expandir alianças militares em busca de uma segurança absoluta, estimulam o confronto entre os blocos coagindo outros países a escolherem lados e buscam o domínio unilateral às custas dos direitos e interesses de outros. Se essas tendências perigosas continuarem, o mundo testemunhará ainda mais turbulência e insegurança.

É importante que os países do Brics se apoiem mutuamente naquilo que for de interesse central, pratiquem o verdadeiro multilateralismo e sejam salvaguarda da solidariedade e do que é justo, repelindo as divisões, ideias de hegemonia e bullying."

De fato, não importa o quão impressionante tenha ficado a Declaração de Pequim da XIV Cúpula do Brics, o fato é que o bloco segue trabalhando muito abaixo de seu potencial real e uma das principais razões para isso é a mentalidade de "soma zero" da Índia em relação à China, o que dificulta o trabalho entre os dois países em quaisquer articulações regionais.

Vale frisar, no entanto, que qualquer desconfiança na mente Indiana de que a China "dominaria" os Brics é injustificada. A Rússia, sem dúvida, ocupa um lugar especial na estrutura dos Brics. Na verdade, o Brics é fruto de uma ideia inicialmente vinda de Moscou e a Rússia foi responsável pelo lançamento desta configuração. A primeira reunião entre Ministérios (no formato BRIC) ocorreu por sugestão de Putin em setembro de 2006, durante a sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York. A ideia de criar o Brics, depois, amadureceu na Rússia.

Em segundo lugar, o Brics é um formato "desideologizado". Não demonstra interesse de agir contra os EUA, embora desafie a hegemonia ocidental sobre a Ordem Política e Econômica internacional. O fato de o próprio governo Manmohan Singh ter recebido a iniciativa BRIC de Putin em um momento tão sensível quanto durante as negociações da Índia para um acordo nuclear com os EUA (de olho no embargo de Washington à transferência de tecnologia) fala por si.

Moscou concebeu o conceito do Brics para o fortalecer a formação de um sistema multipolar de Relações Internacionais e para crescer a cooperação econômica — e de fato contribuiu para o nascimento de um novo sistema econômico, baseado na igualdade de acesso dos países aos mercados e ao financiamento, uma combinação de planejamento estatal e economia de mercado.

A Índia tem um problema para perceber que o paradigma do Brics não está na expansão das capacidades ou ambições dos países membros do grupo, mas na promoção de uma mudança qualitativa no modelo de desenvolvimento econômico do Sul Global. A atitude prepotente da Índia — franzindo sempre a testa e politizando o fórum com questões exteriores aos debates (principalmente para constranger a China) - não faz sentido.

Ao contrário da Índia, a China leva os Brics a sério. A iniciativa chinesa de criar o Centro Brics de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas está caminhando e a implementação deste projeto em meio à conjuntura atual pode ser uma conquista significativa que impulsionaria toda a concepção do bloco. Idealmente, a Índia deveria cooperar com esse projeto ao invés de se unir a seus parceiros QUAD, que acabou perdendo seu rumo.

Mais uma vez, a inovação na Indústria deve ser uma prioridade para a Presidência chinesa do Brics em 2022. As expectativas são altas para que, durante sua gestão a China traga uma série de iniciativas inovadoras. Agora que a construção da sede do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics (NDB) em Xangai terminou, novas propostas são esperadas sobre o desenvolvimento de suas operações, incluindo possivelmente uma expansão do número de acionistas do banco.

Evidentemente, a China promoverá seus próprios projetos, incluindo a Nova Rota da Seda (BRI). Mas há que se notar que é, também, a China que está aportando a maior parte dos recursos financeiros destes projetos. Está na hora de a Índia fazer uma séria reavaliação acerca de seu papel dentro da estrutura do Brics e sobre as mudanças no equilíbrio do poder interno no agrupamento nessas novas condições da Guerra Fria.

O Brics está em uma encruzilhada histórica e essa constatação colocou a possibilidade de um formato "Brics+" no centro das discussões. O lançamento da reunião ampliada do Brics+ com Ministros das Relações Exteriores já ocorreu sob a presidência do Brics de 2022 da China. Os participantes incluíram Egito, Nigéria, Senegal, Argentina, Indonésia, Cazaquistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Tailândia.

Durante a reunião entre os ministérios, a China também anunciou planos para abrir a possibilidade de países em desenvolvimento se juntarem ao grupo principal do Brics. A Argentina e o Irã foram mencionados como candidatos à expansão do Brics. Seja como for," Brics+ " certamente estará na agenda da governança global nos próximos tempos.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Argentina, finalmente, parte do BRICS?

Caros leitores,

O Brics foi durante boa parte do início do século uma das prioridades no tratamento diplomático brasileiro, tornando-se símbolo de um momento econômico favorável aos seus membros como um resultado do boom das commodities. Embora o passar do tempo tenha trazido um abandono do tratamento prioritário ao bloco pelo governo brasileiro, este continua sendo um contraponto essencial às potências globais simbolizadas pelo G7.

Diante disso, trazemos hoje uma notícia que apresenta o interesse argentino na adesão ao grupo, movido por um interesse genuíno em buscar os benefícios e a parceria comercial que os Brics poderiam representar. O movimento, identificado desde 2015 pelo governo da Argentina, culminou em sua participação como convidada na 14ª Cúpula do bloco.

Esperamos que gostem e compartilhem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).

A14ª Reunião da Cúpula do Brics, realizada em junho, ocorreu em um momento tenso devido à guerra na Ucrânia. O evento, que reuniu os chefes de Estado de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, aconteceu pela terceira vez em formato virtual por causa da pandemia da Covid-19. Mas algo será diferente nessa edição: a presença da Argentina como convidada, país que já demonstrou interesse em fazer parte do grupo.

A cúpula anual do bloco tem como objetivo “promover uma parceria de alto nível entre os países-membros e inaugurar uma nova era para o desenvolvimento global”, de acordo com uma declaração da China, o país anfitrião do encontro deste ano, que deve ter como principais temas a cooperação vacinal e de saúde pública.

A China pediu formalmente aos membros dos Brics que considerassem expandir o grupo de cooperação Sul-Sul, mas não citou países específicos. A proposta foi aceita, de acordo com uma declaração do bloco. Mas os países não estabeleceram prazos para novos membros e mencionaram a necessidade de rever procedimentos de adesão antes de seguir em frente.

O presidente argentino Alberto Fernández dirigiu-se à cúpula dos ministros das Relações Exteriores dos Brics, por carta, em maio deste ano destacando o grupo como uma “alternativa de cooperação a uma ordem mundial que vem trabalhando em benefício de poucos”. Ele também enfatizou que os interesses da Argentina estão alinhados com os do bloco.

A entrada da Argentina seria a segunda adição aos membros fundadores do bloco desde a adesão da África do Sul em 2010. Outros países, como a Indonésia, também foram mencionados como potenciais novos membros, o que ampliaria ainda mais o grupo de potências emergentes do Sul Global.

“A Argentina vê seu futuro não na velha Europa ou no Atlântico Norte, mas no Novo Sul, simbolizado pelos Brics, cujo núcleo está no Pacífico Asiático”, argumentou Jorge Heine, pesquisador da Universidade de Boston, em uma coluna para o jornal estatal chinês Global Times.

Argentina e possível expansão dos Brics

O interesse da Argentina nos Brics não é novo. Desde 2015, primeiro com a ex-presidente Cristina Kirchner e depois com seu sucessor Mauricio Macri, o governo argentino tem enfatizado seu desejo de se juntar ao grupo. Embora nenhum progresso tenha ocorrido além de declarações, especialistas concordam que o cenário atual é diferente.

Esteban Actis, pesquisador da Universidade Nacional de Rosário, argumenta que a invasão russa da Ucrânia provavelmente levará a uma fragmentação da governança global, com menos peso dado a grupos multilaterais como o G20. Em vista disso, a China parece estar interessada em expandir os Brics para tornar o bloco mais robusto e acrescentar novos países para promover seu desenvolvimento.

A questão de saber se a Argentina se qualifica como uma “economia emergente” é discutível. Em novembro passado, a empresa de pesquisa MSCI reclassificou a Argentina como uma “economia autônoma”, em meio a suas dificuldades econômicas persistentes.

“Sempre fui bastante cético quanto à possibilidade de a Argentina aderir, mas as mudanças no cenário internacional podem tornar isso possível”, avalia Actis. “Somado a isso, há o apoio do Brasil e do governo Bolsonaro, anteriormente relutante em expandir o bloco”.

Fontes diplomáticas disseram à Télam, agência estatal de notícias da Argentina, que o processo de adesão será “longo”, mas que o governo já havia recebido apoios não oficiais de Brasil, China e Índia. Acrescentar um novo país aos Brics requer consenso de todos os membros, o que torna o processo ainda mais complexo.

O grupo dos Brics foi formado em 2009 como um fórum para a cooperação política, econômica e comercial entre os países-membros, com o objetivo de equilibrar a influência de organizações financeiras e comerciais internacionais lideradas por países ocidentais, especialmente os Estados Unidos.

À época em que foi criado, diante de um boom de commodities e da crise financeira nas maiores economias do mundo, os Brics se posicionaram como uma força notável em nível global, com potencial de mudar a atual ordem mundial.

Entretanto, o ceticismo em relação ao progresso do bloco e seu significado como um grupo predominam, com até mesmo seus apoiadores mais entusiastas questionando a falta de progresso ou coordenação em políticas substantivas. Apesar disso, o grupo ainda consegue se manter unido.

Para Julieta Zelicovich, doutora em relações internacionais, a heterogeneidade do bloco torna difícil sua ampliação. Embora a China e o Brasil possam concordar com a adesão da Argentina por causa de seus interesses com o país, o mesmo não se aplica para a África do Sul, Índia ou Rússia, que têm poucos incentivos claros para expandir o bloco, avalia.

Em busca de financiamento para infraestrutura

Uma possibilidade mais factível para a Argentina seria aderir ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou o Banco dos Brics, como é conhecido, já que não é necessário fazer parte do bloco para se filiar. Uruguai, Emirados Árabes Unidos e Bangladesh são os membros mais recentes do NDB.

“O NDB seria um espaço interessante para a Argentina e está alinhado com a ideia do governo [argentino] de participar de organizações financeiras alternativas”, disse Zelicovich.

A Argentina está em meio a uma crise econômica e de dívida soberana, com baixas reservas cambiais em seu Banco Central e acesso limitado a fontes de financiamento. Essa conjuntura atrasou a expansão de seus parques de energia solar e eólica, entre outros projetos, que são necessários para a transição energética do país.

O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, disse que apoiará a Argentina como integrante do NDB, após uma reunião em abril com o seu homólogo argentino Martín Guzmán. Para Guedes, sua adesão permitiria uma maior integração entre as economias de ambos os países, especialmente nos setores de energia e agricultura.

Desde sua criação em 2014, o NDB aprovou cerca de 80 projetos em todos os seus países-membros, totalizando aportes de US$ 30 bilhões. Projetos em áreas como transportes, água e saneamento, energia limpa, infraestrutura digital e social e desenvolvimento urbano estão no escopo.

Federico Vaccarezza, professor de relações econômicas internacionais da Universidade Austral, disse que a adesão ao NDB significaria um novo canal de financiamento para a Argentina, especialmente em infraestrutura energética. “Diante de um cenário de falta de dólares no país, o NDB representa uma oportunidade”.

Além de uma possível adesão ao NDB, em 2020 a Argentina aderiu ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), outra iniciativa de financiamento de desenvolvimento liderada pela China, criada em 2015. Um dos objetivos originais do AIIB era o de apoiar investimentos em infraestrutura da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês), à qual a Argentina aderiu formalmente este ano em visita a Beijing.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

4 dados que mostram por que Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, segundo relatório

Caros leitores,

Diante do grave contexto econômico que vivemos, com a retomada do país ao Mapa da Fome e as consequências da inflação sentidas principalmente pela camada mais pobre da sociedade, uma discussão acerca da realidade macro do Brasil representa elemento essencial para compreender a conjuntura atual da desigualdade e seus efeitos no cotidiano da população.

Diante disso, trazemos hoje os dados do relatório elaborado pelo "World Inequality Lab" que demonstra o grau de desigualdade de nosso país, incluindo alguns fatores que podem explicar o  grave cenário e as consequências em diferentes escalas.

Esperamos que gostem e compartilhem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).

O Brasil permanece um dos países com maior desigualdade social e de renda do mundo, segundo o novo estudo lançado mundialmente pelo World Inequality Lab (Laboratório das Desigualdades Mundiais), que integra a Escola de Economia de Paris e é codirigido pelo economista francês Thomas Piketty, autor do bestseller O Capital no Século 21, entre outros livros sobre o tema.

O novo Relatório sobre as Desigualdades Mundiais é o segundo realizado desde 2018 e teve a colaboração de cerca de uma centena de pesquisadores internacionais.

O documento de mais de 200 páginas inclui análise sobre o impacto da pandemia de covid-19, que exacerbou o aumento da fatia dos bilionários no total da riqueza global. Pela primeira vez o estudo inclui dados sobre as desigualdades de gênero e ecológicas (a pegada de carbono entre países ricos e pobres, mas também entre as categorias de renda).

O estudo se refere ao Brasil como "um dos países mais desiguais do mundo" e diz que a discrepância de renda no país "é marcada por níveis extremos há muito tempo".

O texto afirma que as diferenças salariais no país foram reduzidas desde 2000, graças sobretudo à política de transferência de renda do Bolsa Família e ao aumento do salário mínimo. Ao mesmo tempo, os níveis extremos de desigualdade patrimonial no país continuaram aumentando desde meados dos anos 90.

"Entre os mais de 100 países analisados no relatório, o Brasil é um dos mais desiguais. Após a África do Sul, é o segundo com maiores desigualdades entre os membros do G20", disse à BBC News Brasil Lucas Chancel, principal autor do relatório e codiretor do Laboratório das Desigualdades Mundiais.

A seguir, quatro dados do novo relatório que mostram por que a desigualdade de renda e de patrimônio no Brasil é uma das maiores do mundo:

1. Os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total

No Brasil, a renda média nacional da população adulta, em termos de paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), é de 14 mil euros, o equivalente a R$ 43,7 mil, nos cálculos dos autores do estudo. Os 10% mais ricos no Brasil, com renda de 81,9 mil euros (R$ 253,9 mil em PPP), representam 58,6% da renda total do país. O estudo afirma que as estatísticas disponíveis indicam que os 10% mais ricos no Brasil sempre ganharam mais da metade da renda nacional.

O Chile, que não integra o G20, tem números equivalentes (58,9%) ao Brasil em relação à fatia de renda dos mais ricos. O país sofreu nos dois últimos anos uma onda de violentos protestos por melhores condições de vida. Nos Estados Unidos, país com fortes desigualdades sociais, os 10% mais ricos ganham 45% da renda geral do país, ressalta Chancel. Na China, esse índice é de 42%. Na Europa, ele se situa entre 30% e 35%, completa o economista.

Já o 1% mais rico no Brasil, com uma média de renda de 372 mil euros (quase R$ 1,2 milhão), em paridade de poder de compra, leva mais de um quarto (26,6%) dos ganhos nacionais.

2. Os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que os 10% mais ricos

A metade da população brasileira mais pobre só ganha 10% do total da renda nacional. Na prática, isso significa que os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que recebem os 10% mais ricos no Brasil. Na França, essa proporção é de apenas 7 vezes.

"O Bolsa Família conseguiu reduzir uma parte das desigualdades nas camadas mais pobres da população", diz Chancel. Mas em razão da falta de uma reforma tributária aprofundada, além da agrária, a desigualdade de renda no Brasil "permaneceu virtualmente inalterada", já que a discrepância se mantém em patamares muito elevados, aponta o estudo.

3. A metade mais pobre no Brasil possui menos de 1% da riqueza do país

As desigualdades patrimoniais são ainda maiores do que as de renda no Brasil e são uma das mais altas do mundo. Em 2021, os 50% mais pobres possuem apenas 0,4% da riqueza brasileira (ativos financeiros e não financeiros, como propriedades imobiliárias). Na Argentina, essa fatia da população possui 5,7% da fortuna do país.

4. O 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira

Os 10% mais ricos no Brasil possuem quase 80% do patrimônio privado do país. A concentração de capital é ainda maior na faixa dos ultra-ricos, o 1% mais abastado da população, que possui, em 2021, praticamente a metade (48,9%) da riqueza nacional. Nos Estados Unidos, o 1% mais rico detém 35% da fortuna americana.

O relatório afirma que a desigualdade de riqueza cresceu no Brasil desde meados dos anos 90, em um contexto de desregulação financeira e falta de uma reforma fiscal mais ampla.

De acordo com o estudo, o patrimônio do 1% da população mais rica do planeta vem crescendo entre 6% e 9% ao ano desde 1995, enquanto, na média, o crescimento de toda a riqueza gerada no mundo foi de 3,2% ao ano. Esse aumento global, diz o relatório, foi exacerbado durante a pandemia de Covid-19. O Brasil seguiu essa tendência: o patrimônio do 1% mais rico no Brasil passou de 48,5% em 2019 para 48,9% do patrimônio total em 2021, afirma Chancel, que considera a progressão "significativa".

Segundo ele, os ultra-ricos no mundo aumentaram suas fortunas porque há uma desconexão entre a economia real, duramente afetada pela crise sanitária, e as bolsas de valores.

Sistema tributário

O estudo sobre a Desigualdade Mundial sugere opções de políticas para redistribuir renda e riqueza, como a taxação progressiva de multimilionários, o que permitiria investimentos em educação, saúde e transição ecológica. O texto defende que o surgimento de Estados de bem-estar social no século 20 estava ligado ao aumento de impostos progressivos.

O principal autor do estudo à BBC News Brasil defende que a falta de uma reforma fiscal ambiciosa no Brasil, que tornasse o sistema tributário mais progressivo, dificulta a redução das desigualdades.

O Brasil é um dos poucos países no mundo que não cobra imposto sobre dividendos (uma parcela do lucro das empresas distribuído aos acionistas), por exemplo.

Para Lucas Chancel, a criação de um imposto sobre dividendos, paralisada no Congresso, é uma boa iniciativa, mas é necessário ir além. Ele sugere o aumento da tributação sobre a herança no Brasil (na França, a alíquota pode chegar a 60%) e a taxação progressiva do estoque de capital, o que poderia incluir um imposto sobre a fortunaEle diz que o Bolsa Família, uma iniciativa positiva que contribuiu na redução de parte das desigualdades, acabou sendo pago, em parte, pela classe média e camadas populares. Isso porque o programa de transferência de renda não foi acompanhado de uma reforma fiscal que aumentasse a contribuição da elite econômica de acordo com suas capacidades.

O país, diz ele, acaba sendo "um exemplo infeliz da adoção de um programa de redistribuição de renda sem modificar estruturalmente, ao mesmo tempo, quem vai pagar o imposto" que financia a medida, ressalta. O mesmo ocorre agora em relação ao novo Auxílio Brasil.

Dados globais do estudo

Na Argentina, que vem enfrentando graves crises econômicas, as desigualdades se situam um pouco abaixo da média na América Latina, embora permaneçam elevadas, ressalta do estudo. Os 10% mais ricos do país ganham quase 43% da renda nacional e possuem 58,2% da fortuna (no Brasil esse número é de 79,8%).

As regiões com maiores desigualdades sociais no mundo são a África e o Oriente Médio. Na Europa, a renda dos 10% mais ricos representa cerca de 36%% do total, enquanto no Oriente Médio e Norte da África, ela atinge 58%, número similar ao do Brasil.

Os 10% mais ricos do mundo ganham 52% da renda mundial, enquanto os 50% mais pobres recebe apenas 8,5% do total. As diferenças são ainda maiores em relação ao patrimônio: a metade mais pobre possui apenas 2% da riqueza mundial (no Brasil é menos de 1%), enquanto os 10% mais abastados possuem 76% da fortuna global.

Desde 1995, o 1% mais rico do mundo levou 38% do aumento da riqueza global, enquanto os 50% mais pobres ficaram com apenas 2% da fortuna adicional acumulada no mundo nesse período.

A pandemia de covid-19 exacerbou as disparidades. O ano passado marcou o maior aumento na fortuna dos bilionários, que cresceu US$ 3,7 trilhões, o equivalente aos orçamentos de saúde do mundo todo, segundo o relatório.

O estudo afirma que após três décadas de globalização comercial e financeira, as desigualdades globais permanecem extremamente significativas. Em 2021, elas estão no mesmo nível do que eram no início do século 20, época do chamado imperialismo moderno ocidental, com colônias e territórios que criaram disparidades econômicas entre os países. Além disso, a renda dos 50% mais pobres no mundo hoje é a metade do que era em 1820.

O relatório também leva em conta a desigualdade de renda relacionada ao gênero. No mundo, as mulheres ganham, em geral, um terço dos homens. O Brasil tem desempenho igual à média dos países ricos da Europa: os salários da população feminina brasileira representam 38% da renda total do país.

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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Convite - O nacional-popular em Gramsci e o Bicentenário da "Independência" do Brasil

Caros leitores,

Em meio ao bicentenário da Independência, comemorado neste ano, surgem relevantes discussões sobre o contexto histórico brasileiro, assim como perspectivas atuais e futuras em temas fundamentais ao cotidiano social pátrio, que partem desde o contexto da desigualdade profunda e dos reflexos econômicos negativos até a origem política do País.

Diante disso, convidamos a todos a participarem do Seminário Internacional "O nacional-popular em Gramsci e o Bicentenário da "Independência" do Brasil", promovido pelo Departamento de Serviço Social da Pontífice Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Contendo nomes especializados no tema de diferentes instituições, o Evento terá como plano de fundo a obra de Antonio Gramsci.

Para maiores informações e inscrições, clique no link abaixo:


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Esperamos que gostem e participem!

Ygor Alonso é membro do Grupo de Pesquisa em Estado, Instituições e Análise Econômica do Direito (GPEIA/UFF).