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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A metamorfose dos BRICS



Grupo tão mencionado e motivo de orgulho para nós brasileiros, os BRICS vêm passando por transformações que fazem gerar, pelo menos, duas formas de enxergar o grupo dos países. A postagem de hoje pretende esclarecer melhor cada abordagem e suas diferenciações.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges.
Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Numa conversa com banqueiros de investimento, analistas internacionais ou diplomatas, percebe-se que o significado de “Brics” muda em função do interlocutor. Há ao menos duas formas de enxergar o grupo.

A primeira avalia o momento dos quatro gigantes (sem África do Sul), como “mercados em crescimento” e destino de investimentos de portifólio. É o que classificamos de “Brics 1.0”.

A segunda concentra-se no impacto da construção institucional dos Brics (com África do Sul) nas relações internacionais. Tal enfoque mede sua articulação em organizações multilaterais, no surgimento de instrumentos plurilaterais e portanto em novas alianças de poder. É o “Brics 2.0”.

A ideia de Brics como aliança de poder encontra-se em expansão

Há desapontamento com a primeira. Nenhum dos Brics, salvo a Índia, ostenta expansão do PIB como na década passada. Todos veem-se confrontados com urgente agenda reformadora.

Nesse contexto, não estranha a recente manobra do banco Goldman Sachs de encerrar seu fundo específico sobre Brics, realocando ativos para outros veículos de investimento rotulados mais amplamente de “mercados emergentes” (de que os Brics também fazem parte). No entanto, o impacto dessa decisão financeira não deve ser superestimado.

A ideia de Brics como aliança de poder encontra-se em expansão. Estabeleceram um fundo de US$ 100 bilhões à disposição de qualquer membro do grupo no advento de crises de liquidez. E o Novo Banco de Desenvolvimento criado pelos Brics é o mais importante instrumento para financiar do desenvolvimento desde as instituições de Bretton Woods.

Os Brics 2.0 não representam pouca coisa. Uma comparação com o antigo G7 mostra que os Brics irão mais longe. O G7 jamais foi além de encontros protocolares.

Se bem gerido, o banco se tornará importante fonte de recursos para projetos, ideias e melhores práticas nos Brics e em outros países nas áreas de infraestrutura e inovação. Também será catalisador de reformas da governança global.

Fala-se das diferenças de cada um dos Brics. Entre eles há membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia e China); detentores de armas nucleares (Rússia, Índia e China); enormes democracias representativas (Índia e Brasil); potências na exportação de commodities (Rússia e Brasil) e uma economia (China) 26 vezes maior do que a outra (África do Sul).

A História mostra, contudo, que plena harmonia de interesses não é indispensável a projetos cooperativos. É bem o caso da União Europeia. Apesar dos sólidos avanços desde o Tratado de Roma, seus membros divergem em inúmeros temas políticos e econômicos dentro e fora da dinâmica de Bruxelas.

Além disso, a ideia de Brics continua válida para comparar as estratégias (ou a falta delas) em projetos de poder, prosperidade e prestígio de quatro (China, Índia, Rússia e Brasil) das sete maiores economias do mundo medidas pelo poder de paridade de compra).

Ademais de seu papel relativo na economia mundial, esses países são superlativos em território, população e influência regional, além de acomodar importante estoque do fluxo global de investimento estrangeiro direto (IED).

Para os Brics, além de colocar sua casa economicamente em ordem, o essencial é que pontos onde há coincidência, como o financiamento do desenvolvimento e novos instrumentos de governança, coexistam pragmaticamente com diferenças em peso econômico, agenda política e visão de mundo.



domingo, 13 de dezembro de 2015

A suposta ascensão e queda dos BRICS



Olá alunos,

As aspirações dos BRICS estão atingindo níveis cada vez mais altos. Porém, levando-se em consideração a atual situação de seus países membros como, principalmente, Brasil, Rússia e África do Sul, com um mau desempenho econômico, faria repensar a grande revolução na ordem econômica internacional proposta por eles. A postagem de hoje pretende trazer maiores esclarecimentos sobre a temática, buscando uma abordagem mais realista do mesmo.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges
Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

É radicalmente díspare a maneira com que diferentes atores e grupos de interesse abordam o papel dos Brics no cenário global.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul querem mais Brics. Os mercados financeiros, aparentemente, menos.

Tais diferenças de perspectiva revelam uma curiosa combinação de, por um lado, fantasias irrealizáveis com, por outro, análises “binárias”. Na maioria dos casos, tais abordagens são bastante superficiais.

Num extremo, a noção de que o grupo está revolucionando a ordem econômica internacional por meio do estabelecimento de novas instituições, como o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), com capital de US$ 100 bilhões, ou o Arranjo Contingente de Reservas, de igual montante, que permite aos países assistência mútua no advento de crises de liquidez.

A partir dessa plataforma, outras obras conjuntas seriam erguidas – ou ações táticas empreendidas – em palcos como as Nações Unidas.

A abstenção por parte dos Brics em votação na ONU que visava à condenação da Rússia por haver aproveitado o tumulto na Ucrânia para anexar a Crimeia seria exemplo de tal força de coordenação dos Brics.

Os cinco países-membros partiriam para coordenação macroeconômica mais sofisticada, e até mesmo a conclusão de transações comerciais entre si em outra moeda que não o dólar norte-americano. Ou seja, os Brics como polo, se não antiocidental, ao menos “alternativo” ao Ocidente.

Noutro, a decretação do “fim” dos Brics. O mau desempenho econômico de Brasil, Rússia e África do Sul – e a redução dos percentuais de crescimento da China – apontariam que a validade do conceito “expirou”.

O último lance nessa tese declinista vem da interpretação, por parte do mercado financeiro, de uma recente decisão do banco de investimento Goldman Sachs.

O desalento de operadores financeiros com os Brics não é apenas questão de modismo. Com exceção da Índia, todos subperformam – porque estão errando muito.

A instituição há pouco anunciou que estava encerrando seu fundo específico sobre Brics, realocando ativos para outros veículos de investimento rotulados sob o conceito mais amplo de “mercados emergentes” (de que os Brics também fazem parte).

Tal decisão parece ainda mais simbólica, pois foi a partir de um estudo conduzido por Jim O’ Neill no próprio banco que o termo “Brics” ganhou grande notoriedade.

Quando, há cinco anos, Christian Déséglise e eu fundamos o BRICLab (um centro para o estudo dos Brics) na Universidade Columbia, em Nova York, nosso intuito não era alardear um futuro da economia global dominado pelos Brics.

Tampouco tratava-se de sugerir, pelas muitas diferenças internas que marcam o grupo, que suas iniciativas conjuntas e mesmo seu potencial econômico rumavam inexoravelmente para o fracasso.

Achamos que a ideia de Brics era (e continuará) válida como fórmula para comparar as estratégias (ou a falta delas) em projetos de poder, prosperidade e prestígio de quatro (China, Índia, Rússia e Brasil) das sete maiores economias do mundo (medidas pelo poder de paridade de compra) tanto pelos cálculos do FMI como do Banco Mundial em 2014.

Além de seu papel relativo na economia global, esses países são superlativos em território, população e influência regional, além de acomodar importante estoque do fluxo global de investimento estrangeiro direto (IED).

Obviamente, o desalento de operadores financeiros com os Brics não é apenas questão de modismo. Com exceção da Índia, todos subperformam – porque estão errando muito.

A China superestimou a velocidade com que a mudança de seu modelo econômico migraria da ênfase em poupança, investimento e exportações para o foco no consumo interno.

A Rússia pagou para ver na disposição do Ocidente em aceitar passivamente a irradiação de seu vulto de poder sobre a vizinhança na Europa Oriental. Além do que, economicamente fez pouco para diminuir sua dependência na exportação de commodities. E as agruras brasileiras são bem conhecidas.

Ainda assim, os Brics continuarão. Nos vários níveis de governo, academia e empresariado a cooperação no âmbito dos Brics aumenta.

A construção institucional vai se expandir e com isso aumentar o peso específico dos Brics em áreas como o financiamento do desenvolvimento ou o comércio e investimento intragrupo.
Não vale, contudo, acreditar ingenuamente que esses movimentos redesenharão em definitivo a ordem internacional.

Bem como a notícia da morte de Mark Twain, rumores sobre o fim prematuro dos Brics são “amplamente exagerados”. Não há nada de automático ou definitivo em torno da potencial queda ou ascensão do grupo ou de seus membros.

Neste momento, a melhor coisa que os Brics poderiam fazer para melhorar sua projeção global seria colocar a casa econômica em ordem. E, claro, tal tarefa se impõe na presente conjuntura menos a Índia e China –e muito mais a Rússia e Brasil.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Empresas dos EUA preparam a entrada no suculento mercado cubano.



Olá alunos,

As notícias do reatamento das relações entre Estados Unidas e Cuba tem chocado todo o mundo. A postagem de hoje procura buscar um melhor entendimento acerca do acontecimento e ver quais fatores estão por trás do fato.

Agradecemos a sugestão dessa notícia que foi enviada pelos alunos Guilherme Paradella, Marcos Gomes, Anderson Silva, Camilo Dias e Elaine das Neves da turma P1 do primeiro período, da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Esperamos que gostem e participem.
Joyce Borgatti e Palloma Borges. Monitoras da disciplina “Economia Política e Direito” da Universidade Federal Fluminense.

Desde que Estados Unidos e Cuba anunciaram em dezembro que começavam a normalização de relações interrompidas durante mais de meio século, as calculadoras dos empresários norte-americanos não pararam de trabalhar. Na equação: avaliar os benefícios de fazer negócios na ilha ante os riscos implicados pelas várias incertezas – legais, regulatórias e até políticas — que ainda rodeiam a aproximação entre Washington e Havana
.
A conclusão geral é que, apesar de ainda haver muitas interrogações a serem resolvidas de ambos os lados do estreito da Flórida, vale a pena desembarcar em Cuba. Mais ainda quando o Governo da ilha parece estar disposto a receber investimentos que necessita com urgência. “Os cubanos deixaram muito claro que estão tentando atrair investimento estrangeiro”, afirma Ted Piccone, da Brookings Institution.

Um chamado que muitos empresários norte-americanos estão desejosos de aproveitar, como ficou evidente na conferência Oportunidades em Cuba, realizada na semana passada na sede da Nasdaq em Nova York. Lá, 240 empresários se dedicaram a escutar autoridades do Governo de Barack Obama e especialistas sobre as possibilidades e os riscos de se fazer negócios em Cuba.

Faquiry Díaz é o presidente da empresa de software Tres Mares, uma das realizadoras, junto com o Council of the Americas, da conferência nova-iorquina organizada pela escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia. Antes do encontro, perguntou aos participantes quanto dinheiro estariam dispostos a investir em Cuba na próxima década. O valor ronda os 12 bilhões de dólares (37,6 bilhões de reais).

Atrai tanto uma ilha empobrecida de apenas 11 milhões de habitantes? Sem dúvida, afirma Díaz, que compara Cuba com o interesse empresarial que Israel desperta por contar com “um povo super educado, com um nível muito alto de cientistas e programadores”.

Também se inclui o fator turismo na “maior ilha do Caribe”, acrescenta. A apenas 140 quilômetros dos EUA. “E a proximidade é muito importante no mundo econômico”, diz Mauro Guillé, diretor do Lauder Institute, de Wharton. Enquanto a Europa está a nove horas de avião da ilha, “50% da população dos EUA pode chegar a Cuba em um voo de três horas”, afirma.

Ou em uma prazerosa viagem de barco. Frank Del Río, presidente da empresa norte-americana de cruzeiros Norwegian Cruise Line, que o diga. Essa indústria emprega mais de 100.000 pessoas nos EUA e tem um impacto no sul da Flórida de mais de cinco bilhões de dólares. Tudo isso sem Cuba, que, se levantar totalmente as restrições de viagem aos norte-americanos –o turismo na ilha ainda está proibido — estaria em cinco anos entre os 10 melhores destinos do mundo, segundo ele. E isso “também significaria bilhões para Cuba”.

O empresário não é o único convencido do potencial turístico. Todos os especialistas do setor afirmam que Cuba desperta enorme interesse entre os norte-americanos. Se forem eliminadas as restrições ao turismo, calculam, o número poderia passar de meio milhão de viajantes por ano em 2014 para dois milhões em 2017. E para muito mais no futuro.

“Cuba poderia se tornar para os EUA o que a Espanha é para a Europa”, prevê Guillén. “Se a Espanha recebe 60-70 milhões de europeus por ano, dentro de 15 a 20 anos, pode ser que 70 milhões de norte-americanos viajem para Cuba”.

E isso quando em matéria se infraestrutura – de estradas a aeroportos e hotéis — quase tudo está por se fazer, além do potencial de setores como as telecomunicações, a indústria farmacêutica e a agricultura, que também fazem os especialistas salivarem. A grande dúvida nesse mar de tentações empresariais é a interrogação sobre a situação legal, com um embargo comercial ainda em vigor.

“Enquanto as regras estão mudando, há incerteza sobre o que se pode e o que não se pode fazer; e se puder fazer como”, reconhece Gustavo Arnavat, ex-diretor-executivo dos EUA no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Conferências como a de Nova York, que seus organizadores querem repetir ainda este ano em Havana, buscam dar algumas respostas. A secretária de Estado adjunta para América Latina dos EUA, Roberta Jacobson, reconheceu aos presentes que o caminho para normalizar relações será longo e difícil. Mas, para empresários como Andrés Fanjul, um dos mais influentes da comunidade cubano-americana, é um processo inevitável. “Temos que continuar tendo melhores relações com Cuba, e com a América Latina”.



quinta-feira, 26 de março de 2015

As 10 cidades com maior crescimento econômico em 2014



Olá alunos,

O resultado de um estudo envolvendo mais de 300 cidades feito pelo centro de pesquisa americano Brookings Institution mostra as dez metrópoles que mais cresceram em 2014. A base de comparação para o estudo foi o crescimento econômico e não a riqueza. Para medi-lo, combinou-se o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o crescimento do emprego.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Macau, Izmir, Bursa ou Xiamen não são as cidades mais conhecidas do planeta, mas estão entre as dez que mais cresceram em 2014.
O resultado de um estudo envolvendo mais de 300 cidades feito pelo centro de pesquisa americano Brookings Institution mostra que cinco delas estão na China e quatro na Turquia. Dubai, nos Emirados Árabes, completa a lista.
No Brasil, o Rio de Janeiro foi cidade melhor posicionada na lista, em 162º. São Paulo ficou em 284º lugar, e Campinas teve o pior desempenho de todas as metrópoles do país, em 291º.
Tóquio, Nova York, Paris e Londres, cidades entre as mais ricas do mundo, também não estiveram entre os melhores desempenhos. Joseph Padilla, coautor do estudo, não se surpreende.
"A base de comparação foi o crescimento econômico e não a riqueza. Para medi-lo, combinamos o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, porque dá uma ideia da renda média da população, e o crescimento do emprego, por seu impacto econômico. Em ambas as medidas, estas cidades superam as de países desenvolvidos", diz Padilla.
Em âmbito global, as 300 grandes cidades comparadas pelo Brookings Institution concentram 20% da população mundial, mas representam 50% da produção econômica.
Confira a lista completa e conheça um pouco mais sobre as cidades e os motivos por trás de sua plena expansão.

1 – Macau

A antiga colônia portuguesa retomada pela China no fim do século 20 teve um crescimento de PIB per capita de 8% e aumento de emprego de 4%.
Ela repete um padrão comum entre as outras cidades da lista: cresce embalada pela economia do país.
No caso de Macau, sua pequena população, de pouco mais de 500 mil pessoas, a ajudou obter este lugar de destaque no ranking. Mas a principal razão disso está num privilégio nacional: é o único lugar da China em que cassinos são legalizados.
"Macau encabeçou o índice em 2012, quando já havia se convertido no centro de jogos de azar da China", afirma Padilla.
"Isso atraiu investimentos de multinacionais, contribuindo de forma decisiva para este fenomenal crescimento."

2 - Izmir

Situada na costa oeste da Turquia, Izmir é a terceira maior cidade do país, com mais de 4 milhões de habitantes, e foi a cidade com o maior crescimento na taxa de emprego de todo o estudo: 6,6%.
Padilla destaca que Izmir tem sido um importante centro comercial desde o século 17, com acessos aos mares Mediterrâneo e Egeu.
"O governo tem usado esta localização para promover zonas industriais. Por isso, ela não foi apenas a cidade em que mais o emprego cresceu em 2014. No período entre 2009 e o ano passado, ficou na segunda posição", explica Padilla.
"Isso mostra uma clara solidez e continuidade econômica."

3 – Istambul

A antiga Constantinopla é a maior cidade da Turquia, com mais de 14 milhões de habitantes, e é responsável por um quarto da economia turca.
"Localizada em um centro histórico e comercial que conecta a Ásia central com a Europa, é a segunda cidade em termos de criação de emprego", diz Padilla.
"Tem uma economia diversificada e muito importante nos setor de serviços, turismo, comércio e de manufatura."
Neste sentido, é um claro exemplo de uma dimensão-chave do estudo do Brookings Institute: o poder de atração das grandes metrópoles sobre o conjunto da economia nacional.

4 – Bursa

Situada no noroeste da Turquia, é a quarta maior cidade do país, com quase 4 milhões de habitantes, e deve seu lugar no ranking graças à sua indústria automotiva.
"É conhecida internacionalmente como um importante centro de produção automotivo, batizado como a Detroit da Turquia", destaca Padilla, em referência à cidade americana conhecida por ter reunido um grande número de montadoras.
Em Bursa, há uma forte presença de multinacionais, como Renault e Fia,t e de uma ampla gama de fornecedores de peças para veículos.
"Tudo isso tem contribuído para sua alta taxa de criação de empregos, de cerca de 6,4%", explica Padilla.

5 – Dubai

Um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes, Dubai era um pequeno povoado pesqueiro há poucas décadas.
Com mais de 3 milhões de pessoas, hoje é a cidade com a maior população do país, com um crescimento do PIB per capita de 4,7% e de emprego de 4,5%.
"Dubai se converteu em um centro global de transporte, comércio, turismo e serviços profissionais", afirma Padilla.
"Graças a um esforço de diversificação, Dubai não depende mais de produtos primários para seu crescimento econômico. Hoje, os serviços representam cerca de 70% do seu PIB."

6 – Kunming

Capital da província de Yunnan, no sul da China, tem mais de 4 milhões de habitantes e um clima temperado que lhe rendeu o apelido de "Chuncheng", ou cidade da primavera.
Kunming é um centro de turismo no sudeste asiático e superou Macau em crescimento do PIB per capital, com 8,1%, ainda que tenha ficado abaixo no aumento do emprego, com 2,9%.
"Kunming é ainda um centro de transporte na região e a sede das mais importantes universidades", diz Padilla.
"Hoje, é a cidade continental chinesa com o melhor desempenho econômico."

7 – Hangzhou

Com uma população de 9 milhões de pessoas, a capital da província de Zhejiang, ao sul de Xangai, teve um crescimento do PIB per capita de 7% e do emprego de 3,3% - este último o maior entre as cidades da China continental.
"Hangzhou passou por um grande crescimento do setor empresarial, financeiro e profissional. Além disso, é um importante centro do comércio eletrônico, e o que exemplifica muito bem isso é o fato de ser a sede global da Alibaba", destaca Padilla.

8 – Xiamen

Esta cidade na costa leste da China tem uma população de mais de 3 milhões de pessoas.
Num ranking elaborado pelo governo chinês, foi considerada a melhor cidade de 2006 e a mais romântica de 2011.
Em 2014, teve um crescimento do PIB per capita de 8,6%, o maior entre as dez cidades da lista.
Deve isso a uma economia diversificada, baseada na pesca, estaleiros, alimentos, produtos têxteis, serviços financeiros e outros setores mais.
Outros dois elementos-chave a colocam nesta posição no ranking: sua relação com Taiwan, que está a 300km de distância, e sua classificação como zona especial econômica, o que lhe confere uma maior abertura ao capital estrangeiro, redução de impostos e legislação mais flexível, com uma forte produção industrial voltada para a exportação.
"Xiamen é um dos grandes centros de manufatura da China e, neste século, tem ficado sistematicamente entre as cidades que mais cresceram nacionalmente", afirma Padilla.
"Em 1980, foi uma das primeiras cinco zonas econômicas especiais. E hoje se encontra entre os 20 maiores portos do mundo."

9 - Ankara

Com quase 5 milhões de habitantes, a capital turca é sede do Parlamento, dos ministérios e da diplomacia do país.
Também é um importante centro industrial e comercial que se encontra estrategicamente localizada na rede de transporte nacional.
"As cidades turcas estão crescendo muito graças a fortes investimentos em infraestrutura e no setor de construção", explica Padilla.
"Mesmo que em Ankara o governo siga representando a maior parte da economia, o setor de manufatura teve um importante papel no crescimento do emprego e da indústria. Muitas das companhias de defesa e aeroespaciais tem sua sede na capital."

10 – Fuzhou

A capital da província de Fujian é a cidade mais industrializada desta região do país.
Localizada a penas 249km de Taiwan, Fuzhou se beneficiou da retomada de relações da ilha com a China.
Com uma população de quase 7 milhões, teve um crescimento do PIB per capita de 8%, igual ao de Macau, mas um menor aumento do emprego.
"É um centro especializado em produtos químicos, alimentícios e têxteis, mas os setores que mais cresceram em 2014 foram o empresarial, financeiro e profissional", diz Padilla.
"A isto se soma o fato da China ter acabado de anunciar uma zona de livre comércio expandida em Fuzhou, o que vai contribuir para este crescimento."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vivemos em um mundo mais rico... para quem?

Olá alunos,

Em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado, ou seja, em termos econômicos, o mundo melhorou. A postagem de hoje busca analisar como se deu esse crescimento econômico mundial e indagar a quem ele atingiu.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Estamos ficando mais ricos. Certamente não todos nós, nem no planeta nem em todos os países. Mas, em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado.

Uma das formas de medir isso é pela quantidade de produtos e serviços produzidos em média por pessoa, o PIB per capita. Para a população global, esse índice subiu quase quatro vezes em seis décadas até 2010.

Há diferenças significativas entre os países: na China, o crescimento foi oito vezes. Na Coreia do Sul e em Taiwan foi ainda maior: em média, o país e o território estão 25 vezes mais ricos do que em 1950.

Outros países, no entanto, a maioria deles na África, viram o PIB per capita diminuir. Na República Democrática do Congo, o padrão médio de vida caiu para menos da metade no mesmo período.


Esses números devem ser lidos com cautela: eles não captam fatores intangíveis que afetam a qualidade de vida, como os laços comunitários ou padrões ambientais. Também há ressalvas técnicas quanto a comparar números em dólares e ajustá-los para levar em conta a inflação e obter termos reais comparáveis durante um longo período de tempo.

Mas os números foram tirados do que é provavelmente o banco de dados histórico mais respeitado, o Projeto Maddison, criado pelo falecido professor Angus Maddison. A história que eles contam é clara: em termos econômicos, o mundo melhorou.

Um benefício disso é que estamos vivendo mais. Em meados do século passado, um bebê recém-nascido tinha uma expectativa de vida de 50 anos. Hoje, a esperança de vida é de 70. Novamente, há variações enormes entre países, mas a tendência é favorável em quase todas as nações (Botswana é a única onde a expectativa de vida caiu, em alguns meses).

Há muitos fatores por trás de vidas mais longas, mas crescimento econômico significa que podemos gastar mais na nossa saúde, nutrição e em água limpa para beber.

A história é parecida se olharmos com cuidado para os padrões de vida: a propriedade de carros aumentou 30% nos primeiros sete anos do século, antes de caírem um pouco durante a recessão global. Esse aumento foi particularmente expressivo em países de renda média e baixa.




Desigualdade

De volta às estatísticas sobre padrão de vida, há um outro motivo pelo qual o PIB per capita não permite uma leitura mais ampla da realidade: esse número não leva em consideração a distribuição de renda e mudanças em padrões de desigualdade.

Pode ser que o padrão de vida esteja aumentando apenas para os mais ricos.

Vejamos, por exemplo, os Estados Unidos, país cuja abundância de dados facilita estudos. Em 2013, a renda média real (ou seja, descontada a inflação) dos lares mais pobres subiu 1,4% nos 40 anos anteriores. Nos lares mais ricos, esse índice foi de 44%.




Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne nações ricas e algumas emergentes, também indicam que a desigualdade está crescendo entre os países-membros. A medição usa como referência o coeficiente de Gini, no qual os números mais altos indicam distribuição de renda mais desigual. Esse índice subiu nos anos recentes.

Há, claro, um debate bastante vigoroso a respeito de quão negativo é esse aumento da desigualdade, e a respeito das políticas que podem ou devem ser empregadas para combater este fenômeno.

O aumento da desigualdade é um lembrete de que, por mais que o mundo tenha enriquecido, muitas pessoas não sentiram os efeitos da bonança.



 Link Original

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Brasil é uma das economias mais fechadas entre as maiores do mundo, diz estudo

Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto poderia trazer para o país e busca apartamentos para alugar em santos analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto poderia trazer para o país e busca apartamentos para alugar em santos analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
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Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto poderia trazer para o país e busca apartamentos para alugar em santos analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Projeto Transul: Articulação Brics-Unasul como alavanca do desenvolvimento brasileiro Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto apartamentos para alugar em santos poderia trazer para o país e busca analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Projeto Transul: Articulação Brics-Unasul como alavanca do desenvolvimento brasileiro Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto apartamentos para alugar em santos poderia trazer para o país e busca analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Projeto Transul: Articulação Brics-Unasul como alavanca do desenvolvimento brasileiro Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto apartamentos para alugar em santos poderia trazer para o país e busca analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense





Olá alunos,

De acordo com o levantamento de Otaviano Canuto, a corrente de comércio brasileira (importações mais exportações) representa apenas 27,6% do PIB, contra uma média de 55% das seis maiores economias globais. A postagem de hoje busca analisar os fatores que levaram a esse cenário e como modifica-lo.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


O Brasil é um dos países mais fechados entre as maiores economias mundiais e paga um preço alto por isso. Essa é a conclusão de um estudo do economista Otaviano Canuto, ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e consultor-sênior do Banco Mundial. Para ele, o País ficou isolado de uma revolução nos processos globais, na qual as cadeias de valor se fragmentaram, ou seja, com diversas etapas sendo feitas em países diferentes.

De acordo com o levantamento de Canuto, a corrente de comércio brasileira (importações mais exportações) representa apenas 27,6% do PIB, contra uma média de 55% das seis maiores economias globais. Dado o tamanho da economia brasileira, o economista estima que a corrente de comércio deveria ser de quase 85%. Mesmo levando em conta a dimensão territorial e populacional do País, assim como fatores tradicionalmente associados à abertura comercial, como urbanização e participação da indústria no PIB, o Brasil ainda fica para trás.

O artigo afirma que pouquíssimas companhias brasileiras exportam. São menos de 20 mil empresas acessando os mercados internacionais, quase o mesmo número observado na Noruega. Entretanto, com uma população de 5 milhões de habitantes, os noruegueses têm uma exportadora por cada 250 pessoas, enquanto no Brasil esse número é de uma para 10 mil. Mesmo dentre os exportadores brasileiros, a concentração é muito grande. Os 25% maiores exportadores respondem por 98% das receitas obtidas.

"A extraordinária falta de abertura do Brasil e seu pequeno número de exportadores estão fortemente relacionados com o fato de que as empresas brasileiras são pobremente integradas nas cadeias de valor transnacionais", diz Canuto no artigo. Segundo ele, existem diversos fatores para explicar a não inserção do País nas cadeias globais, como as condições logísticas precárias e os altos custos de transação relacionados ao comércio internacional, assim como políticas deliberadas para favorecer o conteúdo local.

Em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Canuto afirma que a chamada política de "campeões nacionais" do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colabora para a manutenção do cenário descrito acima. Lembrando que existe um processo natural de sobrevivência das companhias que conseguem auferir ganhos de escala, o economista diz que não há necessidade de ampliar essa assimetria, ainda mais "dada a escassez e o custo de financiamento de longo prazo no Brasil".

Ele defende que é preciso abrir a economia brasileira, permitindo que setores ineficientes sejam expostos à competição internacional e fortalecendo as áreas nas quais o Brasil possui vantagens comparativas. Logicamente, existe o risco de aumento do desemprego em meio a esse processo de transição, pelo menos no curto prazo.

Canuto diz que, primeiramente, o aumento do desemprego é um risco, não certeza. Além disso, a experiência mostra que "quanto menos barreiras se colocam para a transferência de mão de obra, quanto menos foco houver na retenção de empregos que já existem, o custo de ajustamento é mais baixo". Outro fator é que o custo de manter artificialmente setores ineficientes é maior do que o possível custo social, já que os empresários que atuam nessas áreas sabem que não têm muito futuro e acabam abandonando os investimentos.

Ao mesmo tempo, ele afirma perceber uma postura menos defensiva do empresariado brasileiro, que vem mostrando maior receptividade a uma agenda mais agressiva de abertura comercial. "As entidades de classe estão mais conscientes de que isso não será suficiente e que é preciso dar um passo diferente e fortalecer o que tem condições de sobreviver no longo prazo", afirma.

Entre esses setores nos quais o Brasil teria vantagens comparativas, estão aqueles ligados à extração de recursos naturais. Canuto diz que ainda existe um certo "preconceito" com o setor, já que parte dos analistas acredita que a indústria manufatureira seria um caminho melhor porque gera produtos com maior valor agregado e seria uma base mais forte para erigir uma matriz produtiva intensiva em ciência e tecnologia. Mas ele não concorda inteiramente com essa visão. "Entre uma agricultura sofisticada como a brasileira e a capacidade de prospecção e produção de petróleo em águas profundas que nós temos, em comparação com uma atividade de montagem com base em mão de obra não qualificada como vemos em muitas indústrias, eu prefiro muito mais os primeiros casos", comenta.

Segundo o estudioso, todos os casos de sucesso de integração ao comércio global tiveram de combater pressões políticas que defendiam maior proteção da indústria local. Ele aponta como exemplo o México, que abriu parte de sua economia e não tem apresentado taxas de crescimento muito maiores que o Brasil nos últimos anos. Entretanto, os segmentos que foram expostos à competição internacional são justamente aqueles que mais crescem e geram uma renda per capita muito mais elevada que o Brasil.

"O México só não cresce mais por conta da ineficiência da penetração das mudanças. O país corre a duas velocidades, entre os setores que foram abertos e aqueles que continuaram protegidos. Mesmo assim, a experiência mexicana revela justamente o custo que é para o Brasil se manter fechado", diz Canuto.

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