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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Sentença de morte do dólar: por que muito em breve essa moeda perderá suas posições?


Olá Alunos,

A notícia de hoje tem como tema as consequências de uma política externa extremamente agressiva adotada pelos EUA, evidenciando o processo e as mudanças no sistema financeiro mundial acarretadas por este comportamento. 

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.


No momento, mais de 70% de todas as transações são efetuadas em dólares, sendo 20% das transações efetuadas em euros e 10% em moedas asiáticas, inclusive em yuans.
Agora, a China está se preparando para próximo passo, ou seja, passar a efetuar pagamentos por fornecimentos físicos do petróleo em moeda nacional, ao invés do dólar.
Vale destacar que se trata não somente de hidrocarbonetos: nas relações comerciais entre os dois maiores parceiros financeiros, Moscou e Pequim, o dólar vem perdendo suas posições. No ano passado, a China foi responsável por 15% do comércio exterior da Rússia. De acordo com estimativas, em 2018 este indicador deve subir até 17%, enquanto o desempenho do dólar vai enfraquecer.
Irã 'bane' dólar

Em abril, Teerã rejeitou a moeda norte-americana e passou a usar o euro em todos os pagamentos internacionais.
"Até mesmo antes disso o dólar no Irã já não era uma moeda muito usada, já que os comerciantes optam por moedas alternativas em suas transações. Já não há motivos para continuar usando faturas em dólares", afirmou o representante do Banco Central do Irã, Mehdi Kasreipur.
Washington introduziu novas sanções contra Teerã, porém, a Europa não pretende deixar de usar o petróleo iraniano, tendo efetuando contratos com o país em euros, em vez de dólares.
A Índia também efetua pagamentos pelo petróleo iraniano em euros. A economia do país tem crescido rapidamente, exigindo cada vez mais petróleo.
Para contornar as sanções, a Índia propôs para o seu terceiro fornecedor mais importante efetuar pagamentos pelo petróleo em rupias através do banco estatal UCO Bank. Nova Deli afirmou que seguirá cumprirá somente as sanções da ONU, mas não as introduzidas por algum outro país.
A Turquia também vem elaborando planos para deixar de usar o dólar, tendo passado a usar as moedas nacionais nos pagamentos mútuos com o Irã.
Reservas de ouro
Ao mesmo tempo, a Turquia tem diminuído a dependência do dólar ao comprar ouro no mercado mundial. De acordo com os dados do Conselho Mundial do Ouro, no ano passado o Banco Central da Turquia adquiriu 187 toneladas do metal precioso, se tornando assim o segundo maior comprador deste ativo, seguindo a Rússia.
Em abril deste ano, o Banco Central da Turquia retirou suas reservas de ouro do Sistema de Reserva Federal dos EUA. Agora, outros países estão fazendo o mesmo. A Alemanha concluiu o programa da retirada de suas reservas de ouro dos EUA, reavendo 300 toneladas deste metal. A Holanda também repatriou cerca de 100 toneladas de ouro.
A fuga do ouro do Sistema de Reserva Federal dos EUA, que começou em 2014, está continuando praticamente sem interrupção. Os motivos são evidentes: o crescimento das taxas do sistema, a pressão sobre o euro e outras moedas por parte dos EUA ou o agravamento de riscos geopolíticos. O mundo tem buscado diminuir sua dependência do dólar.
A Rússia, acumulando 1.860 toneladas de ouro, subiu para o 5º lugar neste ranking.
"Tenho certeza que a reinicialização global começará quando os governos mundiais precisarem se livrar das dívidas e passarem a correlacionar tudo ao preço do ouro. É por isso que tais países como a Rússia e a China estão acumulando ouro – por saberem o que pode acontecer daqui a alguns anos", assinalou Keith Neumeyer, CEO do First Mining Gold.
Afastar do pódio
Segundo as estimativas do Banco Mundial, o dólar deixará de desempenhar o principal papel no sistema financeiro mundial e será substituído por um sistema composta de três moedas: euro, dólar e alguma moeda asiática (talvez o yuan).
De acordo com o que explicou o economista norte-americano e ex-conselheiro do Fundo Monetário Internacional, Barry Eichengreen, o dólar vem perdendo suas posições de principal moeda internacional com o poder das tecnologias financeiras modernas, que têm destruído os "efeitos de rede" que criaram um monopólio do dólar natural. O analista comparou este processo com o desenvolvimento de sistemas operacionais – já não é necessário usar somente o Windows.
Vale ressaltar que o dólar passou a desempenhar o papel de moeda internacional de reserva em 1944, substituindo a libra. Então, o Reino Unido acumulou dívidas pesadíssimas e a libra acabou caindo.
No momento, a dívida dos EUA já superou US$ 20 trilhões (R$ 74 trilhões) e continua crescendo. Sendo assim, a moeda norte-americana tem ficado cada vez menos atraente, segundo vários analistas. Estima-se que o dólar perca o estatuto de moeda de reserva até 2030.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Brasil será sede do banco BRICS para América Latina

Olá Alunos,

A notícia que trazemos hoje informa o Brasil como sede regional do novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, evidenciando como essa realização será importante na busca de aprofundar o diálogo entre o bloco em temas centrais da agenda internacional.

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.

"Será o momento para o BRICS renovar o seu compromisso com o fortalecimento do multilateralismo e com a busca pela reforma das instituições de governação global", frisou o embaixador Nedilson Jorge. Em entrevista à Lusa, o diplomata refere que o Brasil usará o encontro de alto nível para "viabilizar" o aprofundamento da sua cooperação setorial no seio do bloco das principais economias emergentes do mundo.

"Nesse contexto, o Brasil confere grande ênfase às iniciativas de cooperação, no âmbito do BRICS, em áreas como saúde, ciência, tecnologia e inovação, energia e infraestruturas", afirma Nedilson Jorge.
"Adicionalmente, a Cimeira de Joanesburgo será mais uma ocasião de aproximação com o continente africano e com outros países em desenvolvimento, por meio dos diálogos de 'outreach' e BRICS Plus", explica.

Na opinião do diplomata brasileiro, o encontro com outros países em desenvolvimento "sempre confere novo impulso ao agrupamento", ao permitir a troca de impressões e experiências em diversos temas "nos quais enfrentamos desafios em comum".
 "Esse é o caso no desenvolvimento inclusivo no contexto da 4ª Revolução Industrial, tema muito profícuo, escolhido pela presidência sul-africana do BRICS, o qual deverá orientar nosso diálogo", sublinha.

Sobre os temas em discussão, o embaixador do Brasil na África do Sul avançou à Lusa que a 10ª Cimeira BRICS, que começa amanhã, quarta-feira 25 julho, em Joanesburgo, irá produzir resultados importantes com acordos em temas como aviação regional, além do estabelecimento de um centro de pesquisa em vacinas e de uma representação do Banco BRICS, em São Paulo.

"Assinaremos o acordo sede para a instalação no Brasil do escritório para as Américas do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do BRICS. E avançaremos na área de ciência e tecnologia com a criação de uma rede de parques tecnológicos, para inserirmo-nos de forma competitiva na Quarta Revolução Industrial", explicou à Lusa, Nedilson Jorge.
"Especificamente quanto à iniciativa brasileira do Memorando de Entendimento para a Parceria em Aviação Regional do BRICS, eu gostaria de ressaltar o seu impacto positivo no fortalecimento da nossa relação no setor de transportes ao promover a troca de experiências e de informações quanto a marcos regulatórios", frisou.

Para o Brasil, outro importante resultado desta Cimeira BRICS será a assinatura do Acordo de Sede do Escritório Regional para as Américas do Banco do BRICS, que será localizado no Brasil, na cidade de São Paulo, revelou à Lusa o diplomata brasileiro.

"Como se sabe, o banco já inaugurou o seu primeiro escritório regional, para a África, e acredito que a inauguração do escritório em São Paulo terá papel fundamental para aproximar o Banco e o setor privado nacional", adiantou.

Nesse sentido, recordou que o Brasil já foi contemplado com empréstimos no valor de 621 milhões de dólares para o financiamento de escoamento da produção agrícola, energia eólica, redução de emissões e infraestrutura urbana.

O diplomata considerou depois que a atual presidência rotativa sul-africana do BRICS fez um "excelente trabalho em construir consensos" e em fazer refletir, nos trabalhos do grupo, os pontos de vista de todos os membros, uma contribuição que, segundo Nedilson Jorge, "deve servir de exemplo para trabalhos futuros".
"O Brasil também congratula a África do Sul pela bem-sucedida organização da Cimeira de Joanesburgo e pela escolha do tema. Esse assunto, que norteou as nossas discussões durante todo o ano, vai diretamente ao encontro do objetivo do BRICS de buscar o desenvolvimento socioeconómico, sustentável e inclusivo dos nossos países e de contribuir ativamente para o avanço do mundo em desenvolvimento", referiu à Lusa.

Nedilson Jorge é Embaixador do Brasil na África do Sul desde 2016. Em trinta anos de carreira diplomática, serviu nas embaixadas do Brasil em Roma, Santiago e Buenos Aires, além de ter sido diretor do Departamento da África do Itamaraty durante seis anos (2010-2016).
Os presidentes Michel Temer (Brasil), Vladimir Putin (Rússia), o primeiro-ministro da Ìndia, Narenda Modi, e o Presidente Xi Jinping (China), participam na reunião anual de alto nível organizada pela África dp Sul, que contará também com os chefes de Estado de Angola e Moçambique.

A cimeira terá como tema a "BRICS em África:Colaboração para o Crescimento Inclusivo e Prosperidade Partilhada na 4.ª Revolução Industrial", e é a primeira reunião de líderes mundiais desde que o Presidente Cyril Ramaphosa assumiu a liderança do país do seu antecessor Jacob Zuma.

Link Original.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O grande dilema


Olá Alunos,

A notícia que trazemos hoje tem como recorte a política fiscal e suas consequências ao crescimento social e econômico do país.

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.

Com quais problemas macroeconômicos se defronta o Brasil? Com dois, fundamentalmente: o desemprego e as finanças públicas. O governo atual nada mais fará, a não ser agravá-los. Mas e o próximo? Os dois problemas são graves, e o pior é que a solução do segundo agrava o primeiro. O corte de gastos ou o aumento dos impostos deprime ainda mais a atividade econômica e o emprego. Este é o grande dilema.
O que fazer? Um bom começo é não se iludir. Há algum tempo, era popular entre economistas ortodoxos a aposta no oximoro “contração fiscal expansionista”. Um governo com força política, especialmente em início de mandato, deveria tomar medidas drásticas de diminuição de despesas e aumento de receitas.
Esse choque fiscal restauraria a confiança, levando à expansão compensatória do consumo e do investimento privados, que neutralizaria o efeito contracionista do ajuste das contas. Se tudo corresse bem, o choque fiscal terminaria sendo expansionista. Não existiria, portanto, o “grande dilema”.
Foi o caminho que se tentou em 2015, depois da última eleição presidencial. Não funcionou, como se sabe. E não só no Brasil. A experiência internacional desacreditou a “contração expansionista”. O efeito confiança existe, sim, e não deve ser desprezado, mas ele é incerto quanto à magnitude e pode demorar a se materializar.
Já os efeitos contracionistas do choque fiscal sobre a demanda se fazem sentir imediatamente e com força. Estudos recentes do FMI mostraram, até mesmo, que os multiplicadores associados à contração fiscal costumam ser mais elevados em economias estagnadas ou em recessão.
Economistas heterodoxos também têm suas ilusões, entre elas a de que o crescimento econômico resolve a questão fiscal. A recuperação da economia exigiria, argumenta-se, estímulo fiscal (expansão do gasto ou diminuição de tributos). Mas a expansão fiscal se viabilizaria por meio de seus efeitos favoráveis sobre a atividade e o emprego e, indiretamente, sobre as receitas e despesas públicas. Para estes economistas, também não existiria o “grande dilema”.
O argumento é irrealista. Só se sustenta com suposições extravagantes sobre o tamanho dos multiplicadores keynesianos e da elasticidade da receita em relação ao produto. Não leva em conta, além disso, o impacto adverso da expansão fiscal, em condições de fragilidade fiscal, sobre a confiança e as taxas de juro de médio e longo prazos.

Há alguma verdade dos dois lados. Têm razão os heterodoxos quando dizem que, sem crescimento econômico, é difícil, talvez impossível, equacionar a questão fiscal. E têm razão os ortodoxos quando insistem que é essencial preservar a confiança na política fiscal. Chegamos assim a um preceito aristotélico que eu, quando mais jovem, considerava um tédio total: “A virtude está no meio”.
O que tudo isso significa em termos práticos? Primeiro, a política fiscal não deve ser hostil ao crescimento. Ao contrário, deve favorecê-lo na medida do possível. Não cabe começar, portanto, com uma política fiscal contracionista em 2019.
Mas deve haver compromisso inequívoco com disciplina fiscal e equilíbrio das contas a médio e longo prazos.Medidas para garantir esse equilíbrio devem ser tomadas logo no início do governo, inclusive na área previdenciária.
Para assegurar a credibilidade de uma política fiscal desse tipo, a solução clássica é introduzir regras fiscais críveis, que ancorem as expectativas em relação aos resultados fiscais. As regras existentes (teto do gasto, regra de ouro e meta para o resultado primário) não cumprem esse objetivo e precisariam ser abandonadas ou reformuladas.
E como ficaria a questão do emprego? De onde viria o impulso para reativar a produção? Em condições de fragilidade fiscal, o impulso teria de vir de uma mudança na composição da política fiscal e dos determinantes não fiscais do consumo, do investimento agregado e das exportações líquidas.
Tornar a política fiscal mais amigável ao crescimento não é fácil na prática, mas significa favorecer gastos com multiplicadores elevados sobre atividade e emprego (infraestrutura, construção, transferências para setores de baixa renda) e mudar a composição da tributação para aumentar a renda disponível de setores de baixa renda (com maior propensão marginal a consumir) e diminuir a renda disponível dos setores de renda mais alta.
Com a alavanca fiscal travada, seria preciso recorrer às políticas monetária, cambial e de crédito. O espaço não permite entrar em detalhes. Lembro apenas que, dada a estrutura da dívida pública, a combinação juros moderados/câmbio depreciado, além de ajudar a retomada da economia, favorece o equilíbrio das contas públicas.
Releio o que escrevi. Bela estratégia. Lembrei, porém, do Garrincha: “Já combinou com os russos?”

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Especialista Chinês defende união dos BRICS contra o protecionismo dos EUA.


Olá Alunos,

A notícia que trazemos hoje retoma a discussão da atual guerra comercial entre EUA e China. Nesse contexto, Zhou Zhiwei, diretor executivo do Centro de Pesquisa do Brasil do Instituto Latino-Americano da Academia de Ciências Sociais da China, defende a necessária união entre os países dos BRICS, a fim de diminuir as possíveis retaliações por parte do governo americano.

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.


A 10ª Cúpula do BRICS será realizada entre os dias 25 e 27 de julho em Joanesburgo, na África do Sul. Para Zhou Zhiwei, diretor executivo do Centro de Pesquisa do Brasil do Instituto Latino-Americano da Academia de Ciências Sociais da China, o evento em julho é de grande significado para os países membros do BRICS unificarem sua voz na oposição ao protecionismo comercial e na defesa da ordem e estabilidade da economia mundial.


Zhou Zhiwei disse que foi publicada uma declaração no dia 5 de julho, na Conferência dos Ministros de Comércio do BRICS, visando apoiar o multilateralismo comercial e se opor ao unilateralismo e protecionismo comercial. Os países do BRICS afirmaram sua disposição de defender o multilateralismo comercial baseando-se na Organização Mundial do Comércio e se voltando aos princípios de ordem, transparência, não-discriminação, abertura e inclusão.
"Ainda não foi formada uma atitude conjunta e unificada no mecanismo multilateral quanto às políticas comerciais do presidente Donald Trump. Existem também grandes divergências dentro da União Europeia. Neste contexto, a Cúpula do BRICS divulgou uma declaração independente, expressando ao mundo sua posição conjunta de salvaguardar a ordem comercial global e o multilateralismo comercial. Na minha opinião, essa posição ajuda a neutralizar os efeitos causados pelas políticas protecionistas de Trump."
Também foi proposta nessa conferência uma série de medidas comerciais no quadro do BRICS, para facilitar o investimento comercial e promover o comércio de serviços. Zhou Zhiwei disse que o aprofundamento de cooperações entre os países do BRICS é uma parte importante da resposta ao protecionismo comercial.
"Há uma grande possibilidade de elevar para uma maior escala o investimento comercial no âmbito do BRICS. O mercado chinês será uma propriedade para os demais membros do BRICS, devido a seu grande potencial. A China expressou ao mundo sua vontade de ampliar a abertura através da promoção de mais intercâmbios, como a expo de importação marcada para novembro deste ano. Os investimentos chineses aos demais membros do BRICS registraram rápido crescimento recente, desfrutando da alta correspondência entre as políticas econômicas e externas dos membros do BRICS. Sob o contexto de protecionismo comercial dos EUA, a cooperação entre o bloco será ainda mais reforçada."
Na sua primeira década, o comércio foi o destaque da cooperação do BRICS. Nos próximos dez anos, além da cooperação econômica, os intercâmbios em áreas como educação, tecnologia, cultura e saúde serão também aprofundados entre os países do bloco, disse Zhou Zhiwei.
"Nos últimos dois anos, os países membros do BRICS têm discutido a proposta de uma 'liga educacional', que será de grande significado para reforçar a conectividade entre os países. Por outro lado, a tecnologia foi também um tema em evidência. Embora não tenhamos agora grandes progressos em cooperação tecnológica, os membros do bloco possuem vantagem tecnológica única, possibilitando uma ampla cooperação no setor. "
Zhou Zhiwei disse que sendo os principais países em desenvolvimento do mundo, os membros do BRICS assumem a responsabilidade de promover a reforma da governança global, elevar a posição das novas economias e sua voz na decisão global. O BRICS deve formar uma voz unificada e defender os interesses dos países em desenvolvimento, promovendo dessa forma um sistema de governança global ainda mais equitativo.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Renda básica universal: a última fronteira do Estado de bem-estar social


Olá Alunos,

A notícia de hoje traz para discussão a questão das políticas sociais desenvolvidas e como sua aplicação prática fica aquém do esperado, justificando essa ineficácia diante de uma crescente desigualdade que toma conta das estruturas das camadas mais basilares da sociedade. 

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.


Os céus ameaçam tempestade. Os especialistas ainda não sabem se cairá com a suavidade de uma garoa ou a violência de um furacão, mas está chegando. Se demorará cinco anos ou uma década, mas está chegando. O homem terá de procurar abrigo sob novos sistemas de proteção social. Porque aqueles que existem são cada vez menos eficazes diante da desigualdade ou do desaparecimento de milhares de empregos por causa da robotização, da economia dos algoritmos e da inteligência artificial.

“Em vários países da OCDE, apenas uma em cada quatro pessoas que procuram trabalho recebe algum subsídio”, diz Herwig Immervoll, chefe de Políticas Sociais para o Emprego da organização que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta. “Se deixarmos o mundo se movimentar à vontade, se não fizermos nada, cada vez haverá mais desigualdade. Devemos apoiar os perdedores da globalização de alguma forma”, adverte Federico Steinberg, principal pesquisador do think tank espanhol Real Instituto Elcano.
Sob este céu escuro começa o debate da Renda Básica Universal (RBU). Uma renda mínima que todas as pessoas receberiam “simplesmente” por existir. O discurso é poderoso e tem, claro, vantagens e ressalvas, mas também paladinos respeitáveis. Elon Musk, CEO da Tesla, Chris Hughes, cofundador do Facebook, e o prêmio Nobel de Economia Angus Deaton defendem esse caminho. Um abrigo contra a tempestade no qual muitos adivinham a nova fronteira do Estado de bem-estar social. Essa esperança percorre o mapa-múndi. Geografias tão diversas como Finlândia, Ontário (Canadá), Stockton (Califórnia), Barcelona, Quênia, Escócia, Utrecht (Holanda), Reino Unido, Itália e Índia já colocaram em funcionamento ou estão preparando programas-piloto de renda básica.
Essa expansão é uma resposta à necessidade de novas ideias para proteger milhões de seres humanos da desigualdade. “O Estado de Oregon impôs uma taxa às empresas que pagam aos seus CEOs cem vezes mais do que ao trabalhador”, diz Luca Paolini, estrategista-chefe da gestora Pictet AM. Esses “impostos sobre a desigualdade” poderiam ser um recurso. Mas outros defendem fórmulas mais ambiciosas. “A Renda Básica Universal pode ser uma ferramenta útil diante da desigualdade, mas isso não é o fim da história”, diz Branko Milanović, economista e professor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Maryland. “Para introduzir um instrumento desse tipo é necessário mudar o mecanismo de proteção social. Eles não podem ser financiados paralelamente. Devemos modificar a filosofia do sistema para deixar de pensar nele como um seguro e pensar como consequência da própria cidadania”.
“Demonstramos que é possível estabelecer um instrumento desse tipo no Reino Unido [que proporcionaria uma renda de 10.000 libras – cerca de 49.500 reais – por ano aos menores de 55 anos tributando as transações das grandes plataformas tecnológicas”, diz Anthony Painter, diretor de pesquisa da Royal Society of Arts (RSA). Um ajuste mais fino é o proposto pelo economista Geoff Crocker: “A RBU poderia ser projetada para reduzir a desigualdade se fosse distribuída de forma desigual. Mas alguns defensores argumentam que se o mesmo montante não for distribuído a todos, não é uma renda universal. Parece-me uma abordagem demasiado purista”, adverte.
Os críticos da proposta apelam à experiência e ao dinheiro. “Não existe nenhum país neste momento que a esteja aplicando, não há nenhuma prova sólida, prolongada no tempo e com caráter universal para introduzi-la”, critica Miguel Ángel Bernal, professor no Instituto de Estudos da Bolsa de Valores (IEB) da Espanha. “Um país cuja distribuição de renda tenha muitos ricos e poucos pobres poderia financiar uma renda universal. Mas as economias ocidentais não são assim. Sua distribuição tem um viés para rendas menores e, como resultado, um sistema dessa natureza necessitaria de impostos mais altos, causando problemas econômicos e políticos”, diz Nicholas Barr, professor de Economia Pública da London School of Economics. E conclui: “Uma RBU completa não é viável”.
Embora a ideia de uma renda básica tenha um tom de política de esquerda, a verdade é que também foi defendida por economistas e presidentes conservadores. Richard Nixon esteve perto de introduzir um sistema parecido quando foi presidente dos EUA e até organizações de centro-direita como o Instituto Adam Smith admitem sua validade. Outra coisa é o preço que exigem: desmantelar o resto do sistema de proteção social. O problema básico, claro, é o dinheiro. Como se financia? Quanto custa? Cada geografia é uma narrativa e cada modelo de renda é um personagem diferente. O cálculo para a Austrália, por exemplo, varia de 5% a 10% de sua riqueza. “É desafiador, mas possível”, reconhece no The Guardian John Quiggin, professor de economia da Universidade de Queensland.
Um dos projetos-piloto mais entusiasmantes acontece em Stockton. Uma cidade na Califórnia deprimida pela pobreza, violência de gangues, desemprego e sem-teto. Seu prefeito, Michael Tubbs, de 27 anos, o mais jovem dos EUA e o primeiro afro-americano a ocupar o posto na cidade, tem um palpite. Seu programa-piloto, que começará no outono, consiste em dar 500 dólares por mês a 100 famílias durante dois anos e avaliar os resultados. É a primeira cidade do país que testa a renda básica seguindo um modelo que parece se repetir em outros lugares como Barcelona ou a província canadense de Ontário: escolher um pequeno número de pessoas e verificar sua utilidade.
Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas –a formação mais votada nas últimas eleições italianas– propõe uma renda de cidadania, mas com muitas ressalvas. “Não seria concedida pelo simples fato de ser cidadão, mas estaria vinculada aos níveis de renda, que teriam de ser inferiores a um determinado patamar e condicionada à participação em programas de formação para o emprego e voluntariado”, diz Silvia Meiattini especialista da instituição Analistas Financeiros Internacionais (AFI).
Desde janeiro de 2017, o Governo finlandês está testando uma renda básica com 2.000 desempregados com idades entre 25 e 58 anos. Eles recebem 560 euros por mês sem a obrigação de procurar emprego. Mas o Estado decidiu não prorrogar o experimento, que terminará em janeiro. Petteri Orpo, ministro das Finanças, disse ao Financial Times que essa renda incondicional torna as pessoas “passivas”. “Os voluntariosos finlandeses tentaram e, para sua surpresa e decepção, não conseguiram nada além de um caro ensinamento de como, invariavelmente, a natureza humana funciona”, critica o The Washington Post.
Mas nem todos acreditam que o desencanto é a força que paralisa essa ideia. Os economistas catalães Jordi Arcarons, Lluís Torrens e Daniel Raventós fazem estudos há anos para garantir que os números se ajustem. “É possível financiar uma renda básica na Espanha para toda a população [43,7 milhões de pessoas] e que seja igual à linha da pobreza [calculada para o país]”, observa Raventós. Isso implicaria em um pagamento garantido de 7.741 euros por ano (33.500 reais) para maiores de 18 anos e 1.494 euros (6.400 reais) para menores. O salário mínimo na Espanha é de 858 euros mensais (3.700 reais). Para financiar a RBU, os economistas propõem uma taxa única de 49% no imposto de renda: “Quem ganha mais financia mais e quem ganha menos recebe mais”. Cerca de 70% da população sai ganhando os 30% mais ricos saem perdendo.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Democracia atrofiada x mercado financeiro hipertrofiado.


Olá Alunos,

A notícia que trazemos remete à atual conjuntura de intensificação das políticas de austeridade, acrescida de um lento ciclo de retomada da economia, no qual, uma parcela da população sofre maiores consequências. 

Esperamos que gostem e participem,
Nathália Marques e Lucas Thomaz - Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense.

O Brasil vem passando por um intenso processo de desmonte do Estado por meio de cortes nas políticas públicas de proteção social. Somam-se a isso a queda significativa do investimento e o desemprego em massa. Ainda que os cortes tenham se iniciado no governo Dilma Rousseff, no limiar de 2015, quando a presidenta sucumbiu às pressões do mercado financeiro e colocou um economista ortodoxo no Ministério da Fazenda, essa agenda é capitaneada e aprofundada por um governo imerso em escândalos de corrupção e que chegou ao mais alto cargo da institucionalidade política por meio de um golpe parlamentar revestido de uma faceta democrática. As medidas em curso jamais passariam pelo crivo da soberania popular, que se consubstancia no sufrágio universal e, portanto, no voto. Elas acentuam o divórcio entre a democracia representativa de massas e os interesses articulados e politicamente organizados do capital financeiro. Os mecanismos do rentismo público e da dívida pública transformaram o Estado brasileiro em mais um vetor do aumento do patrimônio dos mais aquinhoados.
Para a burocracia econômica do governo parlamentar, blindada e insulada das pressões democráticas, a viabilidade de curto prazo do Teto dos Gastos Públicos (Emenda Constitucional 95, ou Novo Regime Fiscal), que limitou os gastos sociais pelos próximos vinte anos e instituiu a austeridade perene, depende não apenas da reforma da Previdência, mas também de medidas como limitar os reajustes dos salários dos servidores públicos e revisitar as regras que corrigem o salário mínimo. Nesse sentido, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de 2018 da Instituição Fiscal Independente do Senado, publicado em maio, a economia brasileira operou cerca de 7,2 pontos percentuais abaixo de seu potencial, no quarto trimestre de 2017. A recessão de 2014-2016 foi a mais intensa, duradoura e com recuperação mais lenta nas últimas duas décadas. A margem fiscal deverá atingir seu valor mínimo para efeito de funcionamento dos ministérios e/ou operacionalização de políticas públicas já em 2019, quando devem ocorrer problemas para o cumprimento do Teto dos Gastos. Os resultados projetados apontam certa estabilidade das receitas líquidas em relação ao PIB, enquanto as despesas precisarão ajustar-se de 19,45% do PIB em 2017 para 15,03% do PIB em 2030. Caso o ajuste pelo lado dos gastos não ocorra, medidas alternativas com mesmo efeito fiscal terão de ser adotadas. A dívida bruta deve ainda avançar até 86,6% do PIB, em 2023, no cenário base-1 (básico), para então começar a cair paulatinamente (considerando-se que o ajuste fiscal seja mantido e aprimorado), ainda segundo a Instituição Fiscal Independente.
O corte total no grupo de despesas incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa Minha Vida, subsídios e Fies foi de 30,3% em relação a 2016. O valor da redução é de R$ 25,6 bilhões, superior a todo o aumento de R$ 17,7 bilhões da despesa com pessoal, a segunda maior fonte de gastos federais verificados no ano passado. O montante cortado também é próximo aos R$ 32,6 bilhões pagos a mais nos benefícios previdenciários. Entre as rubricas com queda mais intensa está o PAC. O pacote de investimentos criado ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva registrou queda de 32,2% nos gastos em 2017 – ou R$ 14,2 bilhões. Nessa rubrica estão também as despesas relativas ao Minha Casa Minha Vida. O programa habitacional teve redução de 56,1% no ano, ou R$ 4,7 bilhões (Valor Econômico, 2 fev. 2018). União, estados e municípios restringiram tanto seus orçamentos que o investimento público chegou a um dos menores patamares da história. Nos doze meses encerrados em março, o investimento federal totalizou R$ 30,2 bilhões – queda de 54% apenas na gestão de Michel Temer (Folha de S.Paulo, 20 maio 2018).
O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) desligou 392 mil famílias do programa Bolsa Família em abril, um mês antes do reajuste de 5,67% concedido a todos os beneficiários do programa e anunciado em cadeia de rádio e TV pelo presidente na noite do dia 30 de abril. Segundo o MDS, o Bolsa Família atingiu, em abril, 13.772.904 famílias, que receberam benefícios com valor médio de R$ 177,71. O valor total transferido pelo governo federal foi de R$ 2,44 bilhões. Em março, o número de famílias beneficiárias pagas foi de 14.165.038. Esse é o segundo maior corte da história do programa. O maior tinha ocorrido também na gestão Temer, quando 543 mil famílias foram cortadas entre junho e julho de 2017 (UOL Notícias, 1º maio 2018).
Entre as políticas de seguridade social (saúde, previdência e assistência social), a saúde aparece como a principal preocupação dos brasileiros, em todas as pesquisas sobre insatisfação da população, inclusive com os planos privados. Entre os motivos estão restrições orçamentárias, falta de prioridade política, grandes e pequenos problemas de gestão, questões legais e de agências reguladoras. Embora a saúde seja um problema crônico, o Teto dos Gastos Públicos e a incapacidade de estados e municípios ampliarem seus investimentos na área criaram um cenário crítico em 2018. Mesmo com o fato de terem sido antecipados 15% da receita corrente líquida da União para a saúde, já neste ano o sistema “entrará em colapso”, com a diminuição na capacidade de atendimento e de leitos, pois não há melhoria de gestão que resolva um problema tão profundo e estrutural. O valor gasto pelo país com saúde, porém, não é pequeno. Apesar de o desembolso público com o setor chegar a pouco mais de 3,9% do PIB, quando se somam nessa conta os gastos privados, o financiamento sobe para 9%. O percentual é idêntico ao da Itália e do Reino Unido e pouco abaixo do gasto por Alemanha e França, de 11% e 12%, respectivamente. Com um PIB menor, é claro.2
De acordo com a professora da UFRJ Lígia Bahia, falta uma política de Estado no tocante às prioridades da saúde, uma vez que não estão sendo dadas respostas aos problemas de saúde dos brasileiros, que têm péssimos indicadores e tendência de piora por conta do perfil demográfico e epidemiológico. Segundo ela, toda a contribuição da Previdência Social foi retirada da saúde pelo ministro da Previdência Social, Antonio Britto, durante o governo Itamar Franco (1992-1995). Isso levou depois o ministro Adib Jatene a pedir recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para a área e a inventar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Na verdade, por decisão política sempre foram retirados recursos da saúde, seja no governo Sarney, Itamar, Collor, FHC, Lula e Dilma.3
Ainda ligada aos números, outra distorção está no fato de que, apesar de receber a maior parte do financiamento, o sistema privado atende menos de 25% da população. O que poderia refletir apenas privilégio revela também uma enorme ineficiência, pois se estima que o desperdício de recursos em todo o sistema varie de 15% a 30%. Apesar de render votos e algum auxílio à população, a maior parte dos hospitais espalhados por pequenas cidades do país também é insustentável, já que, com menos de setenta leitos, os hospitais ficam inviáveis do ponto de vista econômico. Um grande desafio é redimensionar essa malha ineficiente, porque ter acesso a um posto de saúde não implica ter acesso à saúde.4
O aprofundamento da austeridade fiscal vem surtindo impactos funestos sobre o tecido social da debilitada democracia brasileira. Segundo dados da Pnad Contínua do IBGE, no primeiro trimestre de 2018 a taxa de subutilização5da força de trabalho subiu para 24,7%, o que representa 27,7 milhões de pessoas. Essa é a maior taxa de subutilização na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O contingente de subutilizados também é o maior da série histórica. Bahia (40,5%), Piauí (39,7%), Alagoas (38,2%) e Maranhão (37,4%) apresentaram as maiores taxas de subutilização; as menores taxas foram em Santa Catarina (10,8%), Rio Grande do Sul (15,5%), Mato Grosso (16%) e Paraná (17,6%). A taxa de desocupação do primeiro trimestre de 2018 no Brasil, divulgada em 27 de abril, foi de 13,1%. Assim, há 13,7 milhões de desempregados no país. O número de pessoas desalentadas em relação ao emprego é de 4,6 milhões; 6,1 milhões de trabalhadores estão empregados, mas gostariam de trabalhar mais horas; e 5,3 milhões de pessoas estão em busca de emprego há um ano ou mais.
Em quatro das cinco regiões, o percentual de empregados com carteira assinada está menor que no primeiro trimestre de 2017. No primeiro trimestre de 2018, 75,4% dos empregados no setor privado tinham carteira de trabalho assinada, 1,2 ponto percentual a menos que um ano antes. As mulheres permanecem minoria na população ocupada, uma vez que o nível de ocupação dos homens foi estimado em 63,6% e o das mulheres, em 44,5%, no primeiro trimestre de 2018. No primeiro trimestre de 2012, o contingente dos desocupados era de 7,6 milhões de pessoas, quando os pardos representavam 48,9% dessa população, com brancos (40,2%) e pretos (10,2%) a seguir. No primeiro trimestre de 2018, esse contingente subiu para 13,7 milhões de pessoas e a participação dos pardos passou a ser de 52,6%; a dos brancos reduziu para 35,2% e a dos pretos subiu para 11,6%. O número de desempregados de 14 a 24 anos de idade cresceu para 5,6 milhões de janeiro a fevereiro, 600 mil pessoas a mais em relação ao fim do ano passado (+11,9%), ainda segundo a Pnad Contínua.
Além do desemprego generalizado, dados da Pnad/IBGE, compilados pela Fundação João Pinheiro, indicam que o déficit habitacional é de pelo menos 6,3 milhões de moradias em todo o país, sobretudo nas maiores regiões metropolitanas: São Paulo e Rio (O Globo, 13 maio 2018). Mais de 11 milhões de brasileiros moram em favelas, cerca de 34 milhões não têm acesso a água potável e 96% das cidades não contam com um plano de transporte: essas são algumas das estatísticas que mostram o tamanho da distância entre a realidade do país e as metas que se comprometeu a alcançar ao se tornar signatário, em 2015, juntamente com outros 192 Estados, da Agenda 2030 da ONU. Com dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desdobrados em 169 metas, a agenda estabelece avanços que os países devem fazer em temas como erradicação da pobreza, desenvolvimento sustentável de cidades, acesso a água limpa e saneamento. De forma geral, o Brasil está bem distante do cumprimento das metas por diversas razões, entre elas questões fiscais. Assim, o país corre o risco de voltar ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do qual havia saído em 2014 (Valor Econômico, 15 mar. 2018).
Esta é a maior recessão pela qual passa o Brasil, aprofundada por um governo ilegítimo mediante a intensificação das políticas de austeridade e seguida do mais lento ciclo de retomada da história. Na linha de reflexão do sociólogo Wolfgang Streeck, o Brasil de hoje vive uma antinomia entre o povo do mercado (capital financeiro/investidores) e o povo do Estado (cidadãos eleitores), na qual o capital deixou de influenciar a política apenas indiretamente e passou a influenciá-la diretamente por meio do financiamento ou não do próprio Estado. Verifica-se, pois, um processo sem precedentes de depreciação das políticas sociais em nome da austeridade fiscal e da redução da dívida pública, que acentua a contradição entre o capitalismo financeiro e a expansão da cidadania.