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quinta-feira, 26 de março de 2015

As 10 cidades com maior crescimento econômico em 2014



Olá alunos,

O resultado de um estudo envolvendo mais de 300 cidades feito pelo centro de pesquisa americano Brookings Institution mostra as dez metrópoles que mais cresceram em 2014. A base de comparação para o estudo foi o crescimento econômico e não a riqueza. Para medi-lo, combinou-se o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o crescimento do emprego.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Macau, Izmir, Bursa ou Xiamen não são as cidades mais conhecidas do planeta, mas estão entre as dez que mais cresceram em 2014.
O resultado de um estudo envolvendo mais de 300 cidades feito pelo centro de pesquisa americano Brookings Institution mostra que cinco delas estão na China e quatro na Turquia. Dubai, nos Emirados Árabes, completa a lista.
No Brasil, o Rio de Janeiro foi cidade melhor posicionada na lista, em 162º. São Paulo ficou em 284º lugar, e Campinas teve o pior desempenho de todas as metrópoles do país, em 291º.
Tóquio, Nova York, Paris e Londres, cidades entre as mais ricas do mundo, também não estiveram entre os melhores desempenhos. Joseph Padilla, coautor do estudo, não se surpreende.
"A base de comparação foi o crescimento econômico e não a riqueza. Para medi-lo, combinamos o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, porque dá uma ideia da renda média da população, e o crescimento do emprego, por seu impacto econômico. Em ambas as medidas, estas cidades superam as de países desenvolvidos", diz Padilla.
Em âmbito global, as 300 grandes cidades comparadas pelo Brookings Institution concentram 20% da população mundial, mas representam 50% da produção econômica.
Confira a lista completa e conheça um pouco mais sobre as cidades e os motivos por trás de sua plena expansão.

1 – Macau

A antiga colônia portuguesa retomada pela China no fim do século 20 teve um crescimento de PIB per capita de 8% e aumento de emprego de 4%.
Ela repete um padrão comum entre as outras cidades da lista: cresce embalada pela economia do país.
No caso de Macau, sua pequena população, de pouco mais de 500 mil pessoas, a ajudou obter este lugar de destaque no ranking. Mas a principal razão disso está num privilégio nacional: é o único lugar da China em que cassinos são legalizados.
"Macau encabeçou o índice em 2012, quando já havia se convertido no centro de jogos de azar da China", afirma Padilla.
"Isso atraiu investimentos de multinacionais, contribuindo de forma decisiva para este fenomenal crescimento."

2 - Izmir

Situada na costa oeste da Turquia, Izmir é a terceira maior cidade do país, com mais de 4 milhões de habitantes, e foi a cidade com o maior crescimento na taxa de emprego de todo o estudo: 6,6%.
Padilla destaca que Izmir tem sido um importante centro comercial desde o século 17, com acessos aos mares Mediterrâneo e Egeu.
"O governo tem usado esta localização para promover zonas industriais. Por isso, ela não foi apenas a cidade em que mais o emprego cresceu em 2014. No período entre 2009 e o ano passado, ficou na segunda posição", explica Padilla.
"Isso mostra uma clara solidez e continuidade econômica."

3 – Istambul

A antiga Constantinopla é a maior cidade da Turquia, com mais de 14 milhões de habitantes, e é responsável por um quarto da economia turca.
"Localizada em um centro histórico e comercial que conecta a Ásia central com a Europa, é a segunda cidade em termos de criação de emprego", diz Padilla.
"Tem uma economia diversificada e muito importante nos setor de serviços, turismo, comércio e de manufatura."
Neste sentido, é um claro exemplo de uma dimensão-chave do estudo do Brookings Institute: o poder de atração das grandes metrópoles sobre o conjunto da economia nacional.

4 – Bursa

Situada no noroeste da Turquia, é a quarta maior cidade do país, com quase 4 milhões de habitantes, e deve seu lugar no ranking graças à sua indústria automotiva.
"É conhecida internacionalmente como um importante centro de produção automotivo, batizado como a Detroit da Turquia", destaca Padilla, em referência à cidade americana conhecida por ter reunido um grande número de montadoras.
Em Bursa, há uma forte presença de multinacionais, como Renault e Fia,t e de uma ampla gama de fornecedores de peças para veículos.
"Tudo isso tem contribuído para sua alta taxa de criação de empregos, de cerca de 6,4%", explica Padilla.

5 – Dubai

Um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes, Dubai era um pequeno povoado pesqueiro há poucas décadas.
Com mais de 3 milhões de pessoas, hoje é a cidade com a maior população do país, com um crescimento do PIB per capita de 4,7% e de emprego de 4,5%.
"Dubai se converteu em um centro global de transporte, comércio, turismo e serviços profissionais", afirma Padilla.
"Graças a um esforço de diversificação, Dubai não depende mais de produtos primários para seu crescimento econômico. Hoje, os serviços representam cerca de 70% do seu PIB."

6 – Kunming

Capital da província de Yunnan, no sul da China, tem mais de 4 milhões de habitantes e um clima temperado que lhe rendeu o apelido de "Chuncheng", ou cidade da primavera.
Kunming é um centro de turismo no sudeste asiático e superou Macau em crescimento do PIB per capital, com 8,1%, ainda que tenha ficado abaixo no aumento do emprego, com 2,9%.
"Kunming é ainda um centro de transporte na região e a sede das mais importantes universidades", diz Padilla.
"Hoje, é a cidade continental chinesa com o melhor desempenho econômico."

7 – Hangzhou

Com uma população de 9 milhões de pessoas, a capital da província de Zhejiang, ao sul de Xangai, teve um crescimento do PIB per capita de 7% e do emprego de 3,3% - este último o maior entre as cidades da China continental.
"Hangzhou passou por um grande crescimento do setor empresarial, financeiro e profissional. Além disso, é um importante centro do comércio eletrônico, e o que exemplifica muito bem isso é o fato de ser a sede global da Alibaba", destaca Padilla.

8 – Xiamen

Esta cidade na costa leste da China tem uma população de mais de 3 milhões de pessoas.
Num ranking elaborado pelo governo chinês, foi considerada a melhor cidade de 2006 e a mais romântica de 2011.
Em 2014, teve um crescimento do PIB per capita de 8,6%, o maior entre as dez cidades da lista.
Deve isso a uma economia diversificada, baseada na pesca, estaleiros, alimentos, produtos têxteis, serviços financeiros e outros setores mais.
Outros dois elementos-chave a colocam nesta posição no ranking: sua relação com Taiwan, que está a 300km de distância, e sua classificação como zona especial econômica, o que lhe confere uma maior abertura ao capital estrangeiro, redução de impostos e legislação mais flexível, com uma forte produção industrial voltada para a exportação.
"Xiamen é um dos grandes centros de manufatura da China e, neste século, tem ficado sistematicamente entre as cidades que mais cresceram nacionalmente", afirma Padilla.
"Em 1980, foi uma das primeiras cinco zonas econômicas especiais. E hoje se encontra entre os 20 maiores portos do mundo."

9 - Ankara

Com quase 5 milhões de habitantes, a capital turca é sede do Parlamento, dos ministérios e da diplomacia do país.
Também é um importante centro industrial e comercial que se encontra estrategicamente localizada na rede de transporte nacional.
"As cidades turcas estão crescendo muito graças a fortes investimentos em infraestrutura e no setor de construção", explica Padilla.
"Mesmo que em Ankara o governo siga representando a maior parte da economia, o setor de manufatura teve um importante papel no crescimento do emprego e da indústria. Muitas das companhias de defesa e aeroespaciais tem sua sede na capital."

10 – Fuzhou

A capital da província de Fujian é a cidade mais industrializada desta região do país.
Localizada a penas 249km de Taiwan, Fuzhou se beneficiou da retomada de relações da ilha com a China.
Com uma população de quase 7 milhões, teve um crescimento do PIB per capita de 8%, igual ao de Macau, mas um menor aumento do emprego.
"É um centro especializado em produtos químicos, alimentícios e têxteis, mas os setores que mais cresceram em 2014 foram o empresarial, financeiro e profissional", diz Padilla.
"A isto se soma o fato da China ter acabado de anunciar uma zona de livre comércio expandida em Fuzhou, o que vai contribuir para este crescimento."

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crise da água em São Paulo: Quanto falta para o desastre?





Olá alunos,

A crise em São Paulo é, em parte, consequência da falta de água nas cabeceiras de rios que abastecem o Sistema Cantareira, mas a falta de chuva não explica a história sozinha. A postagem de hoje busca analisar os motivos que levaram a crise e possíveis medidas para soluciona-la.


Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense



Verão de 2015. As filas para pegar água se espalham por vários bairros. Famílias carregam baldes e aguardam a chegada dos caminhões-pipa. Nos canos e nas torneiras, nem uma gota. O rodízio no abastecimento força lugares com grandes aglomerações, como shopping centers e faculdades, a fechar. As chuvas abundantes da estação não vieram, as obras em andamento tardarão a ter efeito e o desperdício continuou alto. Por isso, São Paulo e várias cidades vizinhas, que formam a maior região metropolitana do país, entram na mais grave crise de falta d’água da história.

O Brasil pede água

A cena não é um pesadelo distante. Trata-se de um cenário pessimista, mas possível, para o que ocorrerá a partir de novembro. Moradores de São Paulo sentem, hoje, o que já sofreram em anos anteriores cidadãos castigados pela seca em Estados tão distantes quanto Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. A mistura de falta de planejamento, administração ruim, eventos climáticos extremos e consumo excessivo ameaça o fornecimento de água em cidades pelo Brasil todo. O episódio ensina lições aos governos. E exige respostas para perguntas que todo cidadão deve fazer a si mesmo e aos candidatos nas próximas eleições.

COMO A CRISE SURGIU?

A crise em São Paulo é, em parte, consequência da falta de água nas cabeceiras de rios que abastecem o Sistema Cantareira. Trata-se de um conjunto de represas responsável por abastecer 9 milhões de habitantes na Grande São Paulo. Todo esse sistema depende das chuvas do verão. Em anos normais, nos meses secos e frios, de junho a agosto, a precipitação é de menos de 150 milímetros. Isso é, normalmente, compensado no primeiro trimestre, que soma cerca de 600 milímetros. Desde o ano passado, as chuvas não vêm no volume esperado. “A maioria dos meses de 2013 já havia registrado níveis de pluviosidade abaixo da média dos últimos 30 anos”, diz o meteorologista Marcelo Shneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “A situação ficou pior a partir de outubro e novembro. Foi um clima anômalo em todo o Sudeste, não apenas na Cantareira.” Nos três primeiros meses de 2014, em vez dos esperados 600 milímetros, caíram menos de 300 milímetros.

O governo estadual põe a culpa na falta de chuva, mas ela não explica a história sozinha. A estiagem deste ano apenas tornou evidente quanto o sistema é frágil e quão escassa a água é, mesmo num país tropical. O Sistema Cantareira existe desde a década de 1970. Ele retira água das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Em 2004, a Sabesp (empresa de abastecimento da capital e de outras cidades) fez obras, aumentou o volume do Sistema Cantareira e renovou sua autorização para administrá-lo. O governo estadual permitiu a retirada de 36.000 litros de água por segundo, a maior parte destinada à Grande São Paulo. Esse volume de extração, segundo Antonio Carlos Zuffo, hidrólogo da Unicamp, supera o recomendável para a capacidade das represas. “Quando a outorga foi renovada, o governo subiu o volume de litros que poderia ser retirado com a condição de que fossem feitas mais obras para aumentar a capacidade de armazenamento das represas. E elas não ocorreram no ritmo previsto”, afirma.
A renovação da outorga previa a revisão de estudos hidrológicos, a criação de um plano de contingência para situações emergenciais e ações para reduzir a dependência que São Paulo tem do Sistema Cantareira. Nem todas as ações planejadas foram colocadas em prática. O problema chamou a atenção do Ministério Público. A promotora Alexandra Martins acredita que o poder público não deu a devida atenção ao caso. 
 “Detectamos uma série de problemas no cálculo da destinação de água a cada área. A população cresceu muito e o volume não foi ampliado nos últimos 30 anos”, diz. Questionada por ÉPOCA, a Sabesp respondeu que fez as obras necessárias.

Lição: não permitir que as obras parem. Para financiá-las, muitos países definem multas para quem polui ou consome em excesso. A Sabesp defende a isenção de impostos para empresas que invistam na manutenção e expansão do sistema de abastecimento. Parcerias público-privadas podem ser usadas para obras de esgoto e fornecimento de água.

COMO A CRISE PODERIA SER EVITADA?

São Paulo já passou por momentos climáticos extremos antes. Em 2004, o nível do reservatório do Sistema Cantareira ficou abaixo dos 30%. A Sabesp iniciou então um racionamento de água por rodízio de bairros. Fez obras para acessar o que era, até aquele momento, uma reserva de emergência. Trata-se da água que fica abaixo do ponto de captação nos reservatórios, conhecido pelo termo “volume morto”. Nos anos seguintes, por sorte, os reservatórios voltaram a encher.

Em 2011, experimentamos o extremo oposto. Fortes chuvas atingiram a região. As comportas dos reservatórios precisaram ser abertas para liberar o excesso de água. “Havia um nível superior a 100% no sistema, algo nunca antes registrado”, diz Francisco Lahóz, secretário executivo do consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

Lição: não podemos mais desperdiçar chuvas como em 2011. As represas devem ser capazes de armazenar mais água nos anos de abundância. Os sistemas devem prever alternâncias mais extremas de chuvas e secas. Construtoras, fábricas e grandes edifícios têm de adotar coleta da água da chuva.

COMO ENFRENTAMOS A ESCASSEZ?

O consórcio de águas PCJ escreveu os “25 mandamentos da estiagem”, em fevereiro. O documento vem inspirando medidas de reação à seca. Duas cidades, Valinhos e Vinhedos, decretaram racionamento. As regiões de Campinas e Americana adotaram multas para os gastadores. Prefeituras têm cadastrado os caminhões-pipa.  “São Paulo ainda tem outras opções de reservatórios, caso o volume morto do Cantareira seque. A região do PCJ não tem”, diz Lahóz.

Em São Paulo, a Sabesp tomou quatro medidas emergenciais para evitar o racionamento: redução de tarifa para quem reduzir em 20% o consumo; obras que trazem águas de outras represas (do Sistema Alto Tietê e de Guarapiranga); a instalação de 17 bombas flutuantes, que extraem água do volume morto; e uma campanha nas rádios e TVs, para convencer a população a economizar água. A quantidade de água retirada dos reservatórios do Sistema Cantareira caiu de 31.000 litros de água por segundo, antes da crise, para 23.000 litros por segundo, em maio. De acordo com Ivanildo Hespanhol, diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso da Água, as medidas emergenciais são boas, mas insuficientes para lidar com o problema no longo prazo.

Lição: crises de abastecimento de água envolvem várias cidades. Elas ocorrerão. Os comitês de gestão de bacias têm de funcionar de verdade. O “empréstimo” de água entre Estados, como o solicitado por São Paulo ao Rio em abril, tem de ser regulamentado. O Estado doador deve ser compensado.



O QUE ACONTECERÁ?

Os modelos de meteorologia não conseguem mostrar, com precisão, como será o próximo verão nas nascentes do Sistema Cantareira. O mais provável, pelos dados atuais, é que chova algo abaixo da média. 
Nesse cenário, o volume de água das represas se recupera um pouco, mas não passa dos 40%. Isso evitará a situação de emergência no próximo verão, mas não afastará o problema para os anos seguintes. A Sabesp precisará, portanto, manter os bônus para quem economizar água e talvez aplicar multas a quem desperdiçar. Há também cenários otimistas. A formação de um El Niño – um aquecimento cíclico das águas do Oceano Pacífico com efeitos no mundo todo – poderia trazer mais chuvas para a região. Isso já aconteceu no El Niño de 1982-1983. Mas é pequena a chance de isso se repetir. Segundo Zuffo, da Unicamp, o Sistema Cantareira tem condições de se recuperar da seca prolongada se o regime de chuvas normalizar nos próximos cinco a dez anos. “Se chover, e se o consumo não for maior do que o sistema aguenta, os reservatórios conseguem se recuperar a uma taxa de 10% a 20% ao ano”, diz. “Se não chover, o abastecimento será comprometido. Enfrentamos um risco grande.” E mais: no ritmo atual, em 30 anos São Paulo precisará de mais 25.000 litros de água por segundo – praticamente um novo Sistema Cantareira.

Lição: as autoridades podem tornar o consumo mais racional por meio de campanhas. É recomendável dar bônus e descontos que compensem a compra de equipamentos que economizem água. A conta d’água pode também mostrar aos perdulários que eles gastam mais que a média das famílias da mesma área ou do mesmo tamanho.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Após anos de queda, economias 'correm' para recuperar produtividade do trabalho


 

Olá alunos,

Os debates sobre a retomada do crescimento econômico, geralmente, giram ao redor de temas como o índice de desemprego e as taxas de juros. A postagem de hoje revela o surgimento de uma maior preocupação com outro indicador da economia: a produtividade do trabalhador.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo

Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
 

Previsões otimistas em 2014 para economias avançadas estão fazendo com que alguns países busquem melhorar um indicador - que estava em queda no mundo desde o começo da crise global em 2008 - para ajudá-los na retomada do seu crescimento: a produtividade do trabalhador.

A produtividade é uma medida de eficiência da produção, que calcula a relação entre o que é produzido, os meios empregues (como trabalhadores ou máquinas) e o tempo gasto - e permite a avaliação de quanto cada fator de produção contribui para produzir uma unidade de riqueza na economia.

Neste ano, a produtividade foi colocada no centro da política econômica de alguns países – que costumam dedicar suas atenções a índices de desemprego e de crescimento econômico.

Na Grã-Bretanha, o presidente do Banco da Inglaterra (o banco central britânico), Mark Carney, anunciou no dia 12 que a produtividade passará a ser um dos indicadores a balizar decisões sobre a taxa de juros.

Os juros britânicos estão nos patamares mais baixos da história. Na tentativa de reanimar a economia, o governo havia prometido subir os juros no momento em que o desemprego caísse para 7% (o número atual é 7,2%), mas agora a produtividade será um dos fatores determinantes na política monetária britânica.

No México, o governo lançou um programa oficial de cinco anos destinado a aumentar a produtividade dos trabalhadores locais. A intenção do governo é investir em infraestrutura e destravar obstáculos que reduzem a eficiência do processo produtivo.

Nos Estados Unidos e na China, a produtividade do trabalhador também está no centro das preocupações das autoridades. A recém-empossada presidente do Federal Reserve (o Fed, banco central americano), Janet Yellen, disse neste mês que o desafio da economia americana é fazer com que os salários dos trabalhadores acompanhem o aumento da produtividade.

Na China, considerada o "grande motor" da produtividade mundial na última década, a desaceleração do indicador foi considerada um sinal de alerta de que a economia chinesa pode estar em declínio.

 

Eficiência

A produtividade é importante porque um incremento de produtividade permite que o Produto Interno Bruto (PIB) de um país cresça sem necessariamente depender da queda no desemprego ou do aumento no número de empresas e fábricas.

Dados recentes divulgados pela entidade americana de pesquisas Conference Board mostram que a produtividade do trabalhador caiu pelo terceiro ano seguido em 2013 em todo o mundo. Cada trabalhador produziu 1,8% menos em bens e serviços do que em 2012.

No Brasil, a produtividade também está no centro da preocupação dos economistas. Em setembro do ano passado, o assunto foi tema de uma edição especial de um boletim do Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (Ipea), do governo federal.

Na avaliação dos economistas, o Brasil possui atualmente uma combinação de baixo desemprego com lento ritmo de aceleração econômica. Assim, uma forma de fazer o país crescer seria melhorando a eficiência dos fatores de produção já existentes – como trabalhadores e empresas.

Os dados da Conference Board mostram que a produtividade do trabalhador brasileiro subiu levemente no ano passado, crescendo 0,8%, depois de ter caído 0,4% no ano anterior e de se manter em uma média histórica baixa.

Os números são fracos se comparados com a produtividade do trabalhador chinês – que subiu 7,1% em 2013 e já atingiu 8,8% no começo da década.

Para o professor David Kupfer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a produtividade tem potencial para ser um tema-chave no debate econômico no Brasil no ano eleitoral, pois não existe sequer um diagnóstico claro de quais são os obstáculos para a produtividade brasileira crescer.

"Fazendo uma analogia, a produtividade é como uma temperatura de um paciente. Você mede e ela pode ser alta ou baixa. Mas ela não tem valor de diagnóstico algum. Ela apenas é um indicação de que alguma coisa está errada e que alguma coisa está fora do lugar, mas só depois disso é que você vai saber o quê."

Para ele, diversos fatores são comumente levantados como causadores de baixa produtividade nos países da América Latina, desde o nível inferior de educação da população ao clima quente (que prejudicaria o desempenho do trabalhador), mas não ainda há um diagnóstico convincente sobre quais fatores afetam o Brasil.

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Leilão expõe gargalos e atrasos em obras do Galeão


Olá alunos,

A despeito do sucesso do leilão de concessão do aeroporto do Galeão, este ainda sofre com atrasos em suas obras e com problemas estruturais que são alarmantes, sobretudo quando se atenta para o fluxo de passageiros que receberá em razão da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Esperamos que gostem e participem.

Juliana Padilha e Silvana Gomes
Monitoras da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


O temor é de que os aeroportos só consigam atender ao grande contingente de passageiros esperado para a Copa graças a um plano alternativo para "otimizar o que já existe".
De olho no setor aéreo, que sofreu expansão nos últimos dez anos e tem grande potencial de crescimento no país, cinco consórcios disputaram a concessão do Galeão por 25 anos e de Confins por 30 anos no leilão realizado em São Paulo.
Composto pela empreiteira brasileira Odebrecht (60%) e pela Changi (operadora do aeroporto de Cingapura, considerado o melhor do mundo, com 40%) o consórcio Aeroportos do Futuro arrematou a concessão do aeroporto fluminense por R$ 19 bilhões (ágio de 293%). O lance mínimo era de R$ 4,82 bilhões. Já o terminal aéreo mineiro ficou com o consórcio AeroBrasil por R$ 1,82 bilhão (ágio de 66%).
O AeroBrasil é integrado pelo grupo CCR (75%) e pelas operadoras dos aeroportos de Zurique (24%) e Munique (1%). As empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e a Soares Penido Concessões integram a CCR.
Embora a CCR fosse bem cotada para arrematar o aeroporto internacional do Rio, por já deter grandes concessões na cidade (a Via Dutra, a Ponte Rio-Niterói e o serviço de barcas), seu lance de R$ 10,3 bilhões foi superado pelos R$ 19 bilhões oferecidos pela Odebrecht (que perdeu a concessão de Guarulhos no ano passado).
A composição dos outros consórcios que apresentaram propostas foi divulgada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) após o encerramento do leilão cujo edital exige investimento mínimo de R$ 5,7 bilhões no Galeão e R$ 3,5 bilhões em Confins. As concessionárias vencedoras devem assumir o controle dos dois aeroportos no dia 17 de março de 2014, após um período de transição de 120 dias estipulados pelo regime de privatização.

R$ 20,8 bi

Segunda rodada de leilões do setor no país (após Guarulhos, Campinas e Brasília, em fevereiro do ano passado, que arrecadou R$ 24,5 bilhões), a disputa arrecadou R$ 20,8 bilhões aos cofres públicos e foi considerada um sucesso pelo governo.
Especialistas avaliam a rodada como mais um teste do modelo de privatizações aeroportuárias do governo, que deve tirar a Infraero de sua "zona de conforto".
"Eles (Infraero) têm um histórico de não cumprir prazos, mas agora, com as empresas privadas, estarão sob pressão. É do máximo interesse dessas grandes empreiteiras e operadoras internacionais que tudo aconteça", diz Jorge Leal Medeiros, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP e da Fundação Vanzolini.
No modelo atual, os consórcios tornam-se sócios majoritários dos terminais aéreos, com 51%, e a Infraero mantém-se como sócia minoritária, com 49%. No caso do Galeão, antes de repassar o controle à concessionária, a estatal continua sendo a responsável pela conclusão de obras iniciadas há cinco anos, ainda longe de serem concluídas.

Gargalos e transição


No Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (nome oficial do Galeão), em obras desde 2008, a Infraero tem agora pouco mais de seis meses para solucionar gargalos e problemas históricos antes de o terminal passar por um teste de fogo como um dos pontos de entrada ao país durante a Copa, e outro ainda maior, dentro de dois anos e meio, como a principal porta para as Olimpíadas de 2016, realizadas no Rio.
Usuários reclamam de falta de tomadas, má cobertura de rede 3G e WiFi, problemas em banheiros, escadas rolantes e esteiras inoperantes, sinalização ruim e despreparo de equipes de informação, além das obras no Terminal 1, que fazem com que serviços como farmácias sejam encontrados apenas no Terminal 2, forçando uma longa caminhada.
Estas melhorias, além das obras estruturais nos terminais 1 e 2 e a revitalização nas pistas, tinham previsão de entrega para 2012, mas vêm sendo sistematicamente postergadas.
Em entrevista à BBC Brasil, a Infraero afirmou que o pacote de melhorias ficará pronto até a Copa e não deve comprometer o evento. No balanço atualizado e informado pela própria estatal, no entanto, com dados de outubro, apenas as obras nas pistas têm mais de 50% concluídas (84,3%). No Terminal 1, somente 35,7% dos trabalhos foram finalizados, e no Terminal 2, a execução atinge 43,5%.
O Tribunal de Contas da União (TCU), informou à BBC Brasil que em sua última fiscalização, em abril deste ano, encontrou irregularidades no Galeão, como a existência de atrasos injustificáveis nas obras e serviços e possível desproporção entre as despeas auxiliares e administrativas em razão do ritmo da obra.
Quanto aos prazos, a Infraero diz que o setor A do Terminal 1 será entregue em fevereiro de 2014. "Para os setores B e C, os serviços serão reavaliados em conjunto com o concessionário. Esse fato não afetará as operações durante a Copa", afirma.

Plano de três etapas

Os gargalos no Galeão serão alvo de um plano em três etapas. A cargo da estatal, ainda antes da transição derradeira do controle do aeroporto, fica o Plano de Ações Imediatas, "com vistas a implementar rapidamente a experiência do usuário", e que deve ser implementado já nos próximos meses (veja lista ao lado), além das obras nos Terminais 1 e 2 e nas pistas.
A concessionária vencedora do leilão só deve assumir em março de 2014, ficando responsável por obras de expansão estrutural com prazo para final de 2015 (estacionamentos), e abril de 2016 (novos pontos de embarque e ampliação do pátio). Já a construção de uma terceira pista só está prevista no edital quando o aeroporto atingir 262 mil movimentações de aeronaves/ano.
A Infraero diz ainda que as obras, quando concluídas, aumentarão a capacidade do aeroporto em 25,8 milhões de passageiros/ano, passando dos atuais 17,4 milhões para 43,2 milhões, e que a demanda para 2014 está prevista em 20,2 milhões, "o que significa que o Galeão vai estar preparado para atender a demanda projetada para os próximos anos, incluindo os eventos esportivos".
Na visão dos especialistas consultados pela BBC Brasil, este panorama reflete justamente a lógica das soluções alternativas na corrida contra o tempo antes da Copa do Mundo e do próprio aumento do número de passageiros nacionais, que tem colocado o sistema aéreo do país no limite, como se vê em datas como Natal e Carnaval.
"Veremos a implementação de medidas conhecidas como de 'quick gain', ou ganho rápido. Elas têm fácil aplicacão, mínimo custo e grande impacto, e dado a todos os atrasos, é o que será possível fazer. Creio que é possível que sejam finalizadas a tempo", diz Francisco Lyra, consultor da CFly Aviation e ex-presidente da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral).
O especialista explica que, dado o momento, de fato seria conflitante executar obras de grande porte, mesmo que com caráter de urgência, e preparar os aeroportos para receber um alto volume de passageiros ao mesmo tempo. "Terão que otimizar o que já existe. Passada, a Copa, aí sim, serão dois anos para as grandes obras no Galeão, que será novamente testado durante as Olimpíadas".
Para as companhias aéreas a situação também é de preocupação. "Existe uma limitação e alertas têm sido feitos há algum tempo. Vamos lidar com o que se tem, e esperamos que as obras em curso sejam entregues dentro do cronograma, ainda que sem o devido tempo para teste", disse a Associação Brasileira das Empresas Aéreas.
Já Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, diz que o ritmo das obras continua sendo preocupante.
"Eu tenho certeza de que dificilmente essas obras ficarão prontas no prazo. Eu acredito que durante a Copa do Mundo haverá muito trabalho inacabado, mas teremos essa espécie de 'maquiagem', e os turistas não vão perceber. Vamos ver muitos painéis cobrindo áreas do aeroporto, mas nós sabemos que do outro lado está o atraso do que não foi feito".
O especialista diz ainda que, passado este primeiro momento da privatização e com uma melhoria a longo prazo, a sociedade deve passar a questionar outros pontos cruciais do transporte aéreo, como o acesso aos aeroportos.
"Haverá uma nova pressão. Quando a estrutura melhorar, as críticas serão dirigidas à falta de metrô e outras formas de transporte público ligando a cidade aos grandes terminais aéreos do país", diz.