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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Brasil é uma das economias mais fechadas entre as maiores do mundo, diz estudo

Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto poderia trazer para o país e busca apartamentos para alugar em santos analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Projeto Transul: Articulação Brics-Unasul como alavanca do desenvolvimento brasileiro Olá alunos, O projeto Transul surge como uma possível saída para a estagnação econômica nacional. A postagem de hoje expõe os benefícios que esse projeto apartamentos para alugar em santos poderia trazer para o país e busca analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
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Olá alunos,

De acordo com o levantamento de Otaviano Canuto, a corrente de comércio brasileira (importações mais exportações) representa apenas 27,6% do PIB, contra uma média de 55% das seis maiores economias globais. A postagem de hoje busca analisar os fatores que levaram a esse cenário e como modifica-lo.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


O Brasil é um dos países mais fechados entre as maiores economias mundiais e paga um preço alto por isso. Essa é a conclusão de um estudo do economista Otaviano Canuto, ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e consultor-sênior do Banco Mundial. Para ele, o País ficou isolado de uma revolução nos processos globais, na qual as cadeias de valor se fragmentaram, ou seja, com diversas etapas sendo feitas em países diferentes.

De acordo com o levantamento de Canuto, a corrente de comércio brasileira (importações mais exportações) representa apenas 27,6% do PIB, contra uma média de 55% das seis maiores economias globais. Dado o tamanho da economia brasileira, o economista estima que a corrente de comércio deveria ser de quase 85%. Mesmo levando em conta a dimensão territorial e populacional do País, assim como fatores tradicionalmente associados à abertura comercial, como urbanização e participação da indústria no PIB, o Brasil ainda fica para trás.

O artigo afirma que pouquíssimas companhias brasileiras exportam. São menos de 20 mil empresas acessando os mercados internacionais, quase o mesmo número observado na Noruega. Entretanto, com uma população de 5 milhões de habitantes, os noruegueses têm uma exportadora por cada 250 pessoas, enquanto no Brasil esse número é de uma para 10 mil. Mesmo dentre os exportadores brasileiros, a concentração é muito grande. Os 25% maiores exportadores respondem por 98% das receitas obtidas.

"A extraordinária falta de abertura do Brasil e seu pequeno número de exportadores estão fortemente relacionados com o fato de que as empresas brasileiras são pobremente integradas nas cadeias de valor transnacionais", diz Canuto no artigo. Segundo ele, existem diversos fatores para explicar a não inserção do País nas cadeias globais, como as condições logísticas precárias e os altos custos de transação relacionados ao comércio internacional, assim como políticas deliberadas para favorecer o conteúdo local.

Em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Canuto afirma que a chamada política de "campeões nacionais" do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colabora para a manutenção do cenário descrito acima. Lembrando que existe um processo natural de sobrevivência das companhias que conseguem auferir ganhos de escala, o economista diz que não há necessidade de ampliar essa assimetria, ainda mais "dada a escassez e o custo de financiamento de longo prazo no Brasil".

Ele defende que é preciso abrir a economia brasileira, permitindo que setores ineficientes sejam expostos à competição internacional e fortalecendo as áreas nas quais o Brasil possui vantagens comparativas. Logicamente, existe o risco de aumento do desemprego em meio a esse processo de transição, pelo menos no curto prazo.

Canuto diz que, primeiramente, o aumento do desemprego é um risco, não certeza. Além disso, a experiência mostra que "quanto menos barreiras se colocam para a transferência de mão de obra, quanto menos foco houver na retenção de empregos que já existem, o custo de ajustamento é mais baixo". Outro fator é que o custo de manter artificialmente setores ineficientes é maior do que o possível custo social, já que os empresários que atuam nessas áreas sabem que não têm muito futuro e acabam abandonando os investimentos.

Ao mesmo tempo, ele afirma perceber uma postura menos defensiva do empresariado brasileiro, que vem mostrando maior receptividade a uma agenda mais agressiva de abertura comercial. "As entidades de classe estão mais conscientes de que isso não será suficiente e que é preciso dar um passo diferente e fortalecer o que tem condições de sobreviver no longo prazo", afirma.

Entre esses setores nos quais o Brasil teria vantagens comparativas, estão aqueles ligados à extração de recursos naturais. Canuto diz que ainda existe um certo "preconceito" com o setor, já que parte dos analistas acredita que a indústria manufatureira seria um caminho melhor porque gera produtos com maior valor agregado e seria uma base mais forte para erigir uma matriz produtiva intensiva em ciência e tecnologia. Mas ele não concorda inteiramente com essa visão. "Entre uma agricultura sofisticada como a brasileira e a capacidade de prospecção e produção de petróleo em águas profundas que nós temos, em comparação com uma atividade de montagem com base em mão de obra não qualificada como vemos em muitas indústrias, eu prefiro muito mais os primeiros casos", comenta.

Segundo o estudioso, todos os casos de sucesso de integração ao comércio global tiveram de combater pressões políticas que defendiam maior proteção da indústria local. Ele aponta como exemplo o México, que abriu parte de sua economia e não tem apresentado taxas de crescimento muito maiores que o Brasil nos últimos anos. Entretanto, os segmentos que foram expostos à competição internacional são justamente aqueles que mais crescem e geram uma renda per capita muito mais elevada que o Brasil.

"O México só não cresce mais por conta da ineficiência da penetração das mudanças. O país corre a duas velocidades, entre os setores que foram abertos e aqueles que continuaram protegidos. Mesmo assim, a experiência mexicana revela justamente o custo que é para o Brasil se manter fechado", diz Canuto.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Brasil sobe, mas ainda é 120º em ranking de ambiente para negócios





Olá alunos,

Apesar de seu grande mercado consumidor e da abundância de recursos o Brasil ainda se encontra no 120º lugar do
ranking anual do Banco Mundial que avalia a facilidade de fazer negócios no mundo. A postagem de hoje analisa os possíveis fatores, dentre eles a burocracia, que levaram a essa classificação.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

 
O Brasil subiu três posições no ranking anual do Banco Mundial que avalia a facilidade de fazer negócios no mundo. Na edição deste ano do relatório "Doing Business", publicado nesta quarta-feira (29/10), o país está agora em 120º, uma colocação ainda alta, mas que, segundo os autores do estudo, mostra tendência de melhora.

"Apesar de o Brasil não ser um dos melhores, devido à complexidade burocrática, o país continua sendo atraente para investidores, porque é um grande mercado e com possibilidade de crescimento", afirma Rita Ramalho, autora chefe do relatório, à DW Brasil.

Entre os 189 países avaliados, os melhores ambientes para se fazer negócios estão em Cingapura, Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca e Coreia do Sul. Na América Latina, os melhores colocados foram Colômbia (34), Peru (35) e México (39).

Segundo Ramalho, o principal problema brasileiro é a burocracia e o tempo elevado para a realização de determinados procedimentos. Essa demora é causada muitas vezes pela falta integração de processos nos níveis municipal, estadual e federal.

"Em outros países, como Estado Unidos e México, o processo de abertura de empresas é mais integrado, com apenas um procedimento as informações são enviadas para todos os níveis do governo, porque há uma coordenação interna. No Brasil, houve melhorias nesse aspecto, mas ainda há bastante a ser feito para integrar a comunicação, reduzindo, assim, o número de procedimentos para o empreendedor", afirma a especialista do Banco Mundial.

Lenta mudança

O "Doing Business"avalia a facilidade de fazer negócios nos países, ou seja, se o ambiente é favorável para empresas, através de indicadores que englobam aspectos práticos da criação e operação de uma firma, até uma possível falência, levando em consideração os problemas e procedimentos enfrentados por empreendedores.

A facilidade é medida por meio de indicadores como tempo, custos e exigências legais para abertura de empresa, obtenção de alvarás e crédito e solicitação de serviços públicos, além de encargos pagos anualmente. A avaliação é feita a partir de pequenas e médias empresas instaladas em cidades usadas como base para o relatório. No Brasil as escolhidas foram São Paulo e Rio de Janeiro.

Ramalho afirma que o Brasil tem feito reformas em diferentes aspectos que abrangem os indicadores, no entanto, não teve um avanço expressivo com relação à sua posição no ranking porque, em outros países, as melhorias realizadas no setor foram muito mais impactantes.

"No Brasil, houve melhorias no processo de abertura de empresa, mas ainda são mudanças tímidas e pequenas para ter um impacto significativo. O país, no entanto, está indo na direção certa, mas a velocidade poderia ser mais rápida", opina Ramalho.

Entre os países do Brics, o Brasil só ficou em posição melhor do que a Índia (142), perdendo para África do Sul (43), Rússia (62) e China (90).

Simplificar para atrair

"O Brasil é a sétima maior economia do mundo, e essa posição no ranking não é compatível com seu tamanho", avalia o economista Julio Gomes de Almeida, da Unicamp.

Segundo o especialista, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, essa dificuldade de fazer negócios no Brasil não é recente e faz parte de um processo iniciado na década de 1980, quando foi se deixando de lado padrões definidos a nível internacional com relação a infraestrutura, facilidade e simplificação de regras trabalhistas e tributárias.

Almeida diz que, para melhorar sua posição no "Doing Business" e atrair mais empreendedores, o país precisa investir na infraestrutura e na simplificação da legislação tributária e trabalhista.
"Um país que tem o mercado interno que temos, se tiver uma bela infraestrutura e uma facilidade para negócios, além de reduzir incertezas, seria um dos locais com muito mais atratividade e cobiçado para investimentos estrangeiros e também internos. Isso beneficiaria a todos", opina o economista.
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sábado, 27 de setembro de 2014

Recessão no Brasil deverá ter impacto regional, dizem analistas




Olá alunos,

A recessão técnica no Brasil deve representar mais um percalço para economia da América Latina. A postagem de hoje expõe as previsões de crescimento para os próximos meses e as consequências que elas podem ter para região.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

A recessão do Brasil deverá ser mais um revés para a economia da América Latina, já atingida com a crise na Venezuela e o calote da Argentina.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país, maior economia da região, recuou 0,6% no último trimestre na comparação com o trimestre anterior e 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do IBGE divulgados na sexta-feira.

O órgão revisou para baixo o resultado do primeiro trimestre - de crescimento de 0,2% para queda de 0,2%, o que colocou o país em "recessão técnica", quando há dois trimestres seguidos de crescimento negativo.

O governo culpou a realização da Copa do Mundo - responsável pela redução de dias úteis com o decreto de feriados -, e a crise internacional como motivos da desaceleração, mas analistas advertem para problemas estruturais que freiam o crescimento do país, cujos efeitos são sentidos em toda a região.

"Isto afeta muito a região porque o (Brasil) é o maior país da América Latina. Todos os países que têm relações comerciais com o Brasil vão sofrer o impacto", disse Margarida Gutierrez, professora de Macroeconomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Especialistas já previam um retrocesso da economia no segundo trimestre, mas os números vieram piores do que o estimado.

Entre os fatores que puxaram o PIB para baixo estão a queda de 5,4% nos investimentos neste trimestre e a redução de 1,5% na produção da indústria. Também houve uma queda de 0,5% nos serviços e 0,7% nos gastos do governo.

O resultado já é sentido: empresas que têm negócios com parceiros no Brasil já estão com perspectivas de queda nas relações comerciais, disse Gustavo Segre, diretor do Center Group, empresa de consultoria de negócios na América Latina, em Buenos Aires.

A previsão, segundo ele, é que as grandes indústrias da região com negócios no Brasil sofram um impacto maior, mas que o país ainda é visto como atraente por muitas empresas pelo seu tamanho e mercado consumidor.

Problemas com vizinhos

O Brasil parece sentir também os problemas econômicos nas vizinhas Argentina e Venezuela, dois grandes parceiros regionais e integrantes do Mercosul.

As tensões parecem estar se acirrando.

"Se as economias que compram de nós não conseguirem reverter essa situação, dificilmente nossos setores exportadores poderão ser competitivos", disse o ministro de Economia argentino, Axel Kicillof, que se reuniu nesta semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Já Mantega queixou-se, na sexta-feira, da queda das exportações de automóveis para a Argentina como uma das razões do recuo do crescimento brasileiro.

Mantega negou que haja recessão e disse que a queda do PIB foi pequena e não afetou o desempenho nem o consumo. Ele previu uma recuperação para o segundo semestre.

No entanto, ele admitiu que deverá haver uma revisão da previsão de crescimento para este ano, atualmente de 1,8%. Economistas acreditam que a expansão do PIB deverá ser inferior a 1%.

Margarida, da UFRJ, diz que a queda dos investimentos reflete uma desconfiança na economia e incertezas sobre um possível reajuste em 2015 - há expectativa de aumento em preços de combustíveis e energia -, e que a indústria perde competitividade com um real forte e custos altos de produção.

Tal cenário tende a atingir os fluxos comerciais na região, segundo ela. "Isto vai atrasar investimentos e reduzir níveis de produção", disse.

O anúncio - a cinco semanas das eleições - é também um golpe duro para campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), e servirá de munição para seus principais rivais - Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB).

"Esta recessão mostra a exaustão de um modelo de crescimento centrado no consumo interno", disse Eduardo Velho, economista-chefe da empresa de investimentos INVX Global, em São Paulo.

"É um bom retrato do que a economia está sofrendo - desaceleração da indústria, queda em investimento", disse ele, argumentando que profundas reformas serão necessárias, independente de quem for eleito em outubro.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Banco dos Brics busca alternativa a hegemonia de países ricos



Olá alunos,

Os países membros do Brics criaram um banco de desenvolvimento para financiar obras de infraestrutura em países pobres e emergentes. A postagem de hoje procura analizar os motivos políticos, econômicos e diplomáticos que levaram a criação dessa instituição.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Os chefes de Estado dos países membros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) assinaram nesta terça-feira um tratado para a criação de um banco de desenvolvimento que financiará obras de infraestrutura em países pobres e emergentes.

Batizada de Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), a instituição terá sede em Xangai, na China. A presidência do banco será rotativa entre os membros, e a Índia será o primeiro país a chefiá-lo.

Acredita-se que o novo banco possa representar uma equivalente "emergente" ao Banco Mundial, um órgão internacional tradicionalmente dirigido por um representante dos Estados Unidos, com aporte americano significativo.

O acordo que formalizou a criação do banco foi assinado durante o 6º Fórum dos Brics, em Fortaleza.
Participaram do encontro, além da presidente Dilma Rousseff, o novo premiê indiano, Narendra Modi, e os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, Xi Jinping, da China, e Jacob Zuma, da África do Sul.

Alternativa

Pelo arranjo, o Brasil poderá indicar o presidente do conselho de administração do banco. O país pleiteava a presidência do banco, mas acabou cedendo para a Índia.

A Rússia poderá nomear o presidente do conselho de governadores, e a África do Sul sediará um Centro Regional Africano da instituição.

O capital inicial do banco será de US$ 50 bilhões, dividido igualmente entre os membros do Brics.

Em discurso na cúpula, a presidente Dilma Rousseff disse que o banco "representa uma alternativa para as necessidades de financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, compreendendo e compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais".

Na reunião, além da abertura do banco, os líderes acertaram a criação de um fundo para socorrer membros dos Brics que passem por riscos de calote.

O fundo, batizado de Arranjo de Contingente de Reservas (ACR), será composto por US$ 100 bilhões: US$ 41 bilhões virão da China; Brasil, Rússia e Índia, entrarão com U$ 18 bilhões cada; e África do Sul, com US$ 5 bilhões.

O NBD e o ACR foram construídos à semelhança do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), como admitiu recentemente o subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima.

Mais voz

Os membros do Brics reivindicam mais voz nas duas grandes instituições financeiras globais.

Na declaração da cúpula em Fortaleza, eles se disseram “desapontados e seriamente preocupados com a presente não implementação das reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2010, o que impacta negativamente na legitimidade, na credibilidade e na eficácia do Fundo”.

Para serem concretizadas, as reformas acordadas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos.

Na declaração, os membros do Brics também cobraram o Banco Mundial a democratizar sua estrutura de governança, fortalecer sua capacidade financeira e ampliar o financiamento para o desenvolvimento e difusão do conhecimento.

Os Brics expressaram a expectativa de que o Banco Mundial inicie "assim que possível" trabalhos de revisão acionária que também ampliem o poder de países emergentes na instituição.

'Barganha política'

Segundo Paulo Visentini, professor de Relações Internacionais da UFRGS, e Alcides Vaz, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a criação do banco faz parte de uma barganha política.

Uma das poucas demandas comuns dos Brics diz respeito à necessidade de reformas em instituições de governança política e econômica globais. Em especial, os cinco reivindicam mais voz no Banco Mundial e também no FMI (Fundo Monetário Internacional) – este, um órgão tradicionalmente comandado por um representante europeu.

"A criação desse banco pode ser um marco histórico importante: se ele de fato sair do papel será a primeira vez que países emergentes criam uma instituição desse porte, com mandato para atuar em diversos continentes", acredita Visentini.

"Com a criação do banco, os Brics estão dizendo que se os Estados Unidos e a Europa não modificarem o perfil dessas instituições, eles vão criar suas próprias instituições", diz ele.

"Há uma tentativa de relativizar mecanismos tradicionais (de atuação econômica e política) e explorar alternativas a esses mecanismos nos quais emergentes não têm muito espaço", acrescenta Vaz.

Mas o novo banco já nasce com uma série de questionamentos – entre eles o temor de que ele se transforme em um veículo para ampliação da influência chinesa e não venha a fomentar o desenvolvimento a que se propõe.

Dúvidas

Para Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, e Marcos Troyjo, especialista em Brics da Universidade Columbia, nos EUA, existe de fato a possibilidade de que a China tenha uma influência excessiva sobre o banco.

O PIB da China é maior que o de todas as outras economias do Brics juntas e também é o que mais cresce – expandindo-se a uma taxa de mais de 7% ao ano, "Esse novo banco pode permitir a China investir em alguns países em que hoje há receio da ‘invasão chinesa’", diz Stuenkel, explicando que, com envolvimento do banco, os investimentos chineses teriam uma "cara" mais multilateral. 

Stuenkel diz que em uma tentativa de evitar um peso excessivo da China no banco dos Brics, o Brasil teria insistido desde o início do projeto que o seu capital inicial fosse aportado igualmente pelos cinco países do clube emergente – embora os chineses tivessem condições de colocar muito mais dinheiro.

ONGs e movimentos da sociedade civil que fazem um encontro paralelo à cúpula de chefes de Estado em Fortaleza ressaltam a necessidade de garantir que os projetos financiados pelos recursos do banco realmente promovam "desenvolvimento".

"O problema é que, ao que tudo indica, esse banco vai continuar a financiar megaprojetos de infraestrutura que só beneficiam os líderes políticos e as empresas neles envolvidas", diz Carlos Tautz, do Instituto Mais Democracia.

"Ninguém está falando em financiar hospitais, escolas ou saneamento básico para beneficiar diretamente as populações desses países."

Histórico

O projeto do banco dos Brics vem sendo discutido desde 2012.

No ano passado, em Durban, na África do Sul, os cinco países deram sinal verde tanto para essa iniciativa quanto para o ACR.

"Desde Durban, já avançamos muito", disse uma fonte ligada ao Itamaraty. "Há um ano tínhamos pouco mais que uma página em branco."

As duas instituições foram construídas à semelhança do Banco Mundial e do FMI, como admitiu recentemente o subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima.

"O objetivo não é substituir essas instituições, mas suplementar, apoiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países do Brics ou em países emergentes, importantes para o Brics", explicou.

O Brasil teria sido o único país que não apresentou uma proposta de sede.

Para Troyjo, da Universidade Columbia, foi uma decisão míope.

"Não pleitear uma sede brasileira só pode ser resultado de uma falta de visão de longo prazo, uma hipertrofia da agenda imediata do país, porque essa pode ser uma instituição multilateral de peso em alguns anos", opina.

Razões

Mas, afinal, para que países como Brasil, Índia e China – que já tem seus bancos de desenvolvimento - precisam de um novo banco para financiar projetos de infraestrutura?

Além da razão política de criar uma alternativa à hegemonia americana e europeia no sistema financeiro internacional, do ponto de vista financeiro, o banco dos Brics poderia receber uma classificação de risco melhor que os países do grupo para captar dinheiro no mercado a custo menor.

Para Troyjo, a escolha dos Brics por uma estratégia de construção institucional também ajudaria a tirar a atenção da questão do crescimento econômico – que motivou a criação do acrônimo Brics - em um momento em que os cinco países estão desacelerando (embora isso para a China signifique uma expansão de mais de 7% ).

Stuenkel, da FGV, concorda que a institucionalização é uma saída para dar relevância ao grupo e garantir a cooperação entre países de interesses econômicos e políticos tão díspares.

"O banco ajuda a assegurar que o grupo continuará existindo. Os cinco países estarão assumindo um compromisso firme, de longo prazo, que exigirá o encontro frequente de suas autoridades."

Vaz enfatiza que os cinco países do Brics nunca tiveram como ambição falar em uma única voz no que diz respeito a temas políticos da agenda internacional.

"Não há programa de integração política: são países politicamente diferentes, com interesses diferentes e culturas diferentes", reforça José Botafogo Gonçalves, ex-ministro de Indústria e Comércio Exterior e ex-embaixador do Brasil na Argentina.

Ainda assim, Gonçalves acredita que essas diferenças não impedem que os integrantes do bloco construam uma agenda conjunta em torno de temas como desenvolvimento sustentável, investimentos em infraestrutura, transporte e energia.

"O banco dos Brics seria um resultado concreto da cooperação. O G7 (grupo das nações mais industrializadas e desenvolvidas economicamente), por exemplo, nunca conseguiram nada nessa linha", opina Troyo.