web counter free
Mostrando postagens com marcador Desafios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desafios. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Evento: BRICS - CHALLENGES AND OPPORTUNITIES



Olá alunos,

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) estará promovendo entre os dias 09 e 10 de junho de 2015 o evento BRICS: CHALLENGES AND OPPORTUNITIES, e convida a todos para tal oportunidade.

Trazendo discussões sobre o futuro dos BRICS: A estratégia geopolítica da China, a diversidade e a integração econômica entre os BRICS, transformação estrutural, os desafios de crescimento e a agenda de reformas da China e da Índia e, por fim, as oportunidades para o Brasil.

Horários: 09/06: 14:30 – 18:30
10/06: 09:00 – 18:30
Endereço: Fundação Getúlio Vargas – Praia de Botafogo, n° 190 no décimo segundo andar. Auditório Engenheiro M. F. Thompson Motta. Rio de Janeiro – Brasil.

Abertura:
Carlos Ivan Simonsen Leal – Presidente FGV
Pedro Cavalcanti Ferreira – FGV/EPGE
Rubens Cysne – FGV/EPGE

Palestrantes:
Murilo Ferreira – CEO/ Petrobrás
Eswar Prasad – Universidade de Cornell
Fernando Veloso – FGV/ IBRE
Jean François Brun – Université d’ Auvergne
João Victor Issler – FGV/EPGE
Jonathan Fenby – Trusted Sources
Maurício Mesquita Moreira – Banco de Desenvolvimento Interamericano
Octavio Amorim Neto – FGV/EBAPE
Oliver Stuenkel – FGV/CPDOC
Roberto Castello Branco – FGV
Yang Yao – Peking University




terça-feira, 28 de abril de 2015

Sonegação de impostos é sete vezes maior que a corrupção





Olá alunos,

A elevada carga tributária no Brasil é tema frequente de debates na sociedade em geral, bem como a discussão quanto à sobrecarga suportada pelos contribuintes adimplentes em função da evasão tributária existente.
A postagem de hoje aborda o tema da busca pela justiça fiscal, permitindo com que sejam observados tanto a capacidade contributiva do Brasil, como o efetivo combate à sonegação fiscal, que já ultrapassa, em valores, a corrupção.

Esperamos que gostem e participem. 

Joyce Borgatti e Palloma Borges.
Monitoras da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense. 

Nenhum assunto rivaliza com as notícias sobre corrupção na cobertura e no destaque dados pela mídia, um sinal da importância devidamente atribuída ao problema pelos cidadãos. Males de proporções maiores, porém, continuam na sombra. A sonegação de impostos, por exemplo, tem sete vezes o tamanho da corrupção, mas recebe atenção mínima da sociedade e do noticiário.
Deixa-se de recolher 500 bilhões de reais por ano aos cofres públicos no País, calcula o presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, Heráclio Camargo. O custo anual médio da corrupção no Brasil, em valores de 2013, corresponde a 67 bilhões anuais, informa José Ricardo Roriz Coelho, diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com base em cálculos recentes.
Para alertar a sociedade da importância de se combater a sonegação, Camargo, inaugurou na quarta-feira 18, em Brasília, um sonegômetro e uma instalação denominada lavanderia Brasil. Na inauguração, o medidor mostrava um total sonegado de 105 bilhões desde janeiro, dos quais 80 bilhões escoados por meio de operações de lavagem ou manipulação de recursos de origem ilegal para retornarem à economia formal com aparência lícita.
Em um exemplo citado pelo Sindicato, um comerciante simula a compra de 50 milhões de litros de combustível, adquire só 10 milhões de litros físicos e obtém, mediante pagamento, notas fiscais falsas no valor de 40 milhões. Ele negociou de fato só aqueles 10 milhões, mas trouxe para a economia formal os 40 milhões de origem ilícita por meio desse mecanismo de lavagem, sem recolher os impostos devidos. Tanto a parcela superfaturada, os recursos de propinas, tráfico de drogas, de armas e de pessoas, contrabando, falsificações, corrupção e renda sonegada precisam retornar à economia com aparência de origem lícita, para as atividades criminosas prosseguirem.
A livre atuação no Brasil das empresas off shores, ou registradas em paraísos fiscais, agrava a sonegação. Há laços fortes do País com esses redutos de burla dos fiscos dos estados nacionais, na prática nossos grandes parceiros comerciais. A principal razão é o tratamento preferencial dado ao capital externo, subtaxado quando da sua remessa de lucros ao exterior, afirma-se no site Tax Justice Network.
“Todos os países que não taxam ganhos de capital, ou o fazem com base em alíquota inferior a 20% são considerados paraísos fiscais no Brasil. Ironicamente, esse país tem diversas situações de ganhos de capital taxados em menos de 20%.” Não é bem assim, explica a Receita Federal. “A definição de paraíso fiscal na legislação brasileira não leva em conta apenas a tributação de ganhos de capital, mas sim a tributação da renda. A tributação da renda das pessoas físicas é de 27,5% e das pessoas jurídicas é de 25% de imposto de renda, mais 9% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.” Mas a taxação de ganhos de capital, “em regra de 15%”, é baixa em termos mundiais e o trânsito do dinheiro é facilitado pela parceria comercial com os paraísos fiscais.
Pessoas físicas recorrem também aos paraísos fiscais para não pagar impostos sobre os seus ganhos, lícitos ou não. No caso das 8.667 contas de brasileiros descobertas no HSBC da Suíça (4.º maior número de correntistas no mundo), Camargo vê “com certeza indícios de conexão com paraíso fiscal, porque essas contas eram secretas, só vazaram porque um ex-funcionário do HSBC divulgou a sua existência. Há indícios a serem investigados pelas autoridades brasileiras, de evasão de divisas e crime de sonegação fiscal.”
Os impostos mais sonegados são o INSS, o ICMS, o imposto de renda e as contribuições sociais pagas com base nas declarações das empresas. Os impostos indiretos, embutidos nos produtos e serviços, e o Imposto de Renda retido na fonte, incidentes sobre as pessoas físicas, são impossíveis de sonegar. A pessoa jurídica cobra os tributos, mas algumas vezes não os repassa ao governo.
A sonegação acompanha a concentração de renda. Os processos envolvem 3,54 milhões de devedores, mas os chamados grandes devedores são apenas 18.728. Para dar conta dos 7,48 milhões de processos em tramitação, há só 2.072 procuradores, auxiliados por 1.518 servidores, menos de dois por procurador. O sindicato reivindica o preenchimento urgente dos 328 cargos vagos de procurador da Fazenda Nacional abertos.
Quem tem mais, deve pagar mais, estabelece a Constituição, em um preceito tão desobedecido quanto o do Imposto sobre Grandes Fortunas, à espera de regulamentação. Nesse assunto, o Brasil está na contramão. A partir de 2012, com a piora da economia e da arrecadação, países europeus que haviam concedido desonerações tributárias e cortado gastos, voltaram a aumentar o imposto de renda nas alíquotas mais altas e elevaram os impostos sobre propriedade, diz a professora Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“Aqui, não conseguimos fazer isso porque o IPTU não é arrecadado pela União, mas pelos municípios, então você não mexe na propriedade. Impostos que tratam da concentração da renda, do patrimônio, deveriam estar nas mãos da União. A reforma tributária, segundo algumas visões do Direito, é tratada como uma questão de simplificação. Não é o caso, muito pelo contrário, tem que complexificar mais, dentro de uma estrutura adequada em termos de progressividade, de taxar realmente o patrimônio, os ativos, essa coisa toda.”
A estrutura do nosso sistema tributário, diz a professora, “é uma tragédia, regressiva, picada, os impostos não vão para as mãos que deveriam ir. Por que não se consegue repensar o IVA, o ICMS? Porque são dos estados. Impostos e medidas que poderiam favorecer uma progressividade, não se consegue adotar, por conta do nosso caráter federativo.”
A sonegação é uma possibilidade aberta para as empresas pela estrutura tributária, conforme mencionado acima, e quando pegas, são beneficiadas pela discrição das autoridades. Também nesse quesito, o Brasil segue na contramão. Nos Estados Unidos, por exemplo, os próprios políticos tratam de alardear os nomes das empresas flagradas em irregularidades. 


Por que o Brasil, não dá publicidade aos nomes dos grandes sonegadores, o que possivelmente contribuiria para desestimular o não recolhimento de tributos e impostos? Segundo Camargo, há divulgação, mas ela não é satisfatória. “Existe um sítio na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que enseja a consulta dos CNPJs ou CFPs dos devedores, mas sem informar quais são os valores devidos. Não temos uma cultura de transparência no Brasil. Essas restrições são inaceitáveis e nós devemos caminhar para uma maior transparência, com a divulgação dos nomes e respectivos valores devidos.”



sábado, 25 de abril de 2015

Estudo conclui que reservas de água podem diminuir até 40% em 15 anos


Olá alunos,

Um estudo da ONU concluiu que, dentro de 15 anos, as reservas de água do mundo todo podem diminuir até 40% apontando problemas enfrentados em relação aos recursos hídricos em nosso país. 
A postagem de hoje nos faz refletir sobre o consumo exagerado que temos feito de uma de nossas principais fontes vitais.

Esperamos que gostem da notícia e participem.

Joyce Borgatti e Palloma Borges.
Monitoras da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense. 

Falta d’água no Sudeste, água demais na Região Norte. O Brasil enfrenta os dois problemas. E às vésperas do Dia Mundial da Água, domingo (22), o relatório da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, é preocupante.

Quase 750 milhões de pessoas no mundo não tem acesso à água potável. E se nada for feito, até 2030, o planeta vai sofrer com a falta d’água, um déficit de 40% no abastecimento. Ainda segundo o relatório, a água nunca foi tão consumida na indústria, na geração de energia, na agricultura.

Até 2050, apenas a agricultura, a área que mais consome água, deverá produzir 60% mais alimentos do que hoje. O estudo lembra, ainda, o grande volume de água necessário para gerar energia, e fala da necessidade de estímulos para fontes renováveis, como solar e eólica, a energia produzida a partir dos ventos.

O relatório cita o Brasil. Destaca o programa Rio Rural, no Rio de Janeiro, que estimula a agricultura familiar com a conservação dos recursos naturais. Mas o Brasil e o mundo, segundo a Unesco, precisam priorizar a gestão da água. Reduzir o desperdício e a poluição. E conciliar desenvolvimento econômico com a preservação dos recursos naturais.

“Nós temos no Brasil um sistema de administração hídrica já bem madura. É claro que as políticas têm que ser aperfeiçoadas. Enfim, ainda há muito o que fazer no mundo inteiro”, afirma Ary Mergulhão, coordenadora Ciências Naturais – Unesco.





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Técnico do Dieese diz que medidas do governo deixam a economia 'no chão'



Olá alunos,


Segundo o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, partes das medidas anunciadas por Joaquim Levy atingem diretamente o consumo. 
As medidas têm caráter recessivo e terão impacto no mercado de trabalho - "Deve haver aumento da taxa de desemprego, uma desaceleração do ritmo de formalização e crescimento da informalidade". 
A notícia de hoje busca analisar as consequências dos ajustes econômicos anunciados

Esperamos que gostem e participem.   

Fellype Fagundes e Carlos Araújo 
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminensemeu ip

No próximo 3 de fevereiro, centrais sindicais e governo voltarão a se reunir para tentar um acordo em relação às medidas provisórias que alteram acesso a benefícios sociais. Até lá, assessores técnicos dos dois lados vão se debruçar sobre os textos. O coordenador de relações sindicais do Dieese, que coordenará o grupo técnico de assessoria das centrais, José Silvestre, acredita que alguns itens poderão ser alterados, mas não tem dúvida sobre a natureza das propostas apresentadas até agora pela nova equipe econômica, que incluem ainda aumento de tributos e redução de crédito, entre outros itens. "A lógica é de colocar a economia no chão", afirma Silvestre.

Segundo ele, as medidas têm caráter recessivo e terão impacto no mercado de trabalho. "Deve haver aumento da taxa de desemprego, uma desaceleração do ritmo de formalização e crescimento da informalidade", avalia. E o próprio governo, que espera conter gastos e aumentar a arrecadação, pode ver a sua receita diminuir.

"Partes das medidas anunciadas pelo (Joaquim) Levy vai direto ao consumo", observa Silvestre, em referência ao aumento de tributos anunciado na segunda-feira (19) pelo ministro da Fazenda. E as medidas provisórias sobre benefícios trabalhistas e da Previdência Social, acrescenta, tira recursos do sistema de proteção. "É um ajuste que está pegando uma parcela mais vulnerável da população."

Como recuperar depois?, questiona o economista. "Você está atacando áreas e recursos que vão para parcela grande da população, que em certa medida dinamizam a economia. São medidas que vão ter um efeito não apenas conjuntural. E vão na contramão do que a gente vinha assistindo nos últimos anos", diz Silvestre. "É claro que o modelo anterior já tinha dado sinais de fadiga, mas também por conta da questão externa." Uma preocupação do técnico do Dieese refere-se a uma aparente falta de foco na questão industrial. "Pelos depoimentos da nova equipe (econômica), principalmente do Levy, a indústria não está no centro das preocupações", avalia.

Desde que as medidas que alteram (e dificultam) o acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença foram anunciadas, ministros se revezaram na justificativa de que o objetivo era corrigir "fraudes e distorções" nos programas. Mas o discurso foi um pouco diferente na reunião com as centrais na última segunda-feira, mostrando que a preocupação não é apenas pontual. O ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Miguel Rossetto, por exemplo, afirmou que o objetivo era garantir o sistema de proteção social e proteger o patrimônio dos trabalhadores, citando a Previdência e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Segundo relatos de quem participou da reunião, Nelson Barbosa, do Planejamento, também adotou essa linha, falando da importância das medidas para o conjunto da economia. Foi Barbosa, por sinal, que ao final do encontro – realizado em São Paulo – informou sobre as medidas que Levy anunciava em Brasília. Foi mais um fator de irritação para os dirigentes das centrais, que já reclamavam de terem sido apenas informados sobre as propostas relativas ao benefícios, sem discussão prévia. O próprio Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) foi excluído.

"O governo está tentando justificar que as medidas não tinham caráter apenas estrutural, mas não aponta as fraudes e distorções. Não dá para aceitar que, em nome disso, você exclua milhões de pessoas", critica Silvestre. Ele lembra que uma das razões para o aumento de gastos do FAT é a rotatividade no mercado de trabalho. Você tem quase metade da mão de obra formalizada que fica menos de seis meses no emprego", acrescenta. O governo quer aumentar de seis para 18 meses o período mínimo para a primeira requisição do seguro-desemprego, o que já excluiria boa parte dos trabalhadores com direito ao benefícios. Sindicalistas acreditam que, nas negociações, é possível reduzir esse período.

A área econômica diz que espera economizar R$ 18 bilhões/ano com as medidas, sendo metade apenas com o seguro-desemprego. Rossetto alega que o anúncio ocorreu ainda em 2014, em 29 de dezembro – de forma "açodada", segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas – por causa do princípio de anualidade, para garantir a sua aplicação. O ministro ressaltou que as mudanças só valem para futuros beneficiários.

Silvestre teme os efeitos da série de medidas restritivas, que incluem ainda aumento de taxas do crédito imobiliário, veto à correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda e alta dos juros, na atividade econômica, já fraca. Isso em um momento em que há indícios de crescimento da informalidade ou, pelo menos, de diminuição no ritmo da formalização do mercado, que por sua vez também dá sinais de ritmo menor, com pouca criação de vagas. Em certa medida, o desemprego nos últimos meses só não aumentou porque não houve entrada de pessoas no mercado de trabalho.

"A taxa de desemprego caiu em razão da expansão do mercado, mas também pela pressão menor da PEA (população economicamente ativa), especialmente daquela parcela jovem", lembra Silvestre. Parte da mão de obra mais jovem retardou sua entrada no mercado de trabalho por fatores como aumento da renda familiar e programas sociais. Agora, essa mão de obra pode voltar a pressionar o mercado, fazendo a taxa subir. A nova conjuntura também poderá ter impacto nas campanhas salariais deste ano. "Em 2015, vamos ter um cenário muito difícil. Não vamos ter os patamares de ganho real (acima da inflação) que vinha tendo até então."

Em março, o Dieese divulgará o balanço anual das campanhas salariais. Segundo o economista, 2014 poderá resultado ainda melhor do que o ano anterior, quando 87% das negociações pesquisadas tiveram aumento real. "Mas 2015 não deve manter."

Link Original

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O real na gangorra


Olá alunos, 

O dólar chegou a R$ 2,60, o câmbio nesse patamar começa a compensar as perdas registradas nos últimos anos, além de inibir a entrada de importados, um movimento sentido de maneira mais forte nos últimos quatro meses. A notícia de hoje busca analisar as consequências da apreciação do dólar na economia nacional.
Esperamos que gostem e participem.  
Fellype Fagundes e Carlos Araújo 
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminensemeuip.co
Depois de quatro anos estagnado, o faturamento de uma fábrica brasileira de isoladores para energia deve voltar a crescer neste ano,puxado pelas receitas da exportação. A razão determinante para a mudança é a apreciação do dólar. Mesmo sem aumento dos volumes exportados, a empresa registrará um ganho em reais. A empresa pediu para não ser identificada, pois o setor conta com poucos concorrentes.
Quando a moeda americana estava na faixa de 1,70 real, período que durou de meados de 2009 até o fim de 2011, foi o caos para a companhia, segundo um diretor. A partir de 2011, a moeda brasileira, de maneira vagarosa, mas persistente, atingiu um patamar de maior desvalorização e garantiu um alívio para a indústria. Na última semana, o dólar chegou a 2,60 reais, valor considerado adequado para 100% dos industriais, segundo o presidente da Associação das Empresas Exportadoras, José Augusto de Castro.
Para a fabricante de isoladores, o câmbio nesse patamar começa a compensar as perdas registradas nos últimos anos, além de inibir a entrada de importados, um movimento sentido de maneira mais forte nos últimos quatro meses. Diante da variação da moeda estrangeira nos últimos anos, a empresa preferiu manter  seus preços em dólar para não perder clientes estratégicos, e segurou o prejuízo da redução da receita em real à espera de uma recuperação da moeda estrangeira. O momento chegou e a expectativa agora é de o dólar não cair abaixo dos 2,40 reais. A essa taxa de câmbio, seria possível recuperar as vendas no mercado interno a partir de 2015. Seus maiores concorrentes, os asiáticos, conseguiram nos últimos anos “roubar” clientes brasileiros e estes ainda contam com estoques de importados.
“A desvalorização do real traz um alívio imediato para alguns exportadores, mas não significa que resultará em aumento dos investimentos”, diz David Kupfer, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ele, o problema mais grave é a lacuna de investimentos durante o período longo de real valorizado. A decisão de investir dependeria mais da expectativa quanto ao nível futuro da taxa de câmbio do que do seu nível corrente. “A volatilidade do câmbio gera uma preferência dos investidores por esperar, o que é extremamente negativo.” O economista afirma, porém, existir uma tendência firme, embora lenta, de desvalorização do real desde 2011.
O setor automotivo está em uma fase de investimentos estimulados pelo programa Inovar Auto, de condicionamento de desonerações a metas de nacionalização da produção. No médio prazo, se o dólar se fixar num patamar mais alto, as empresas com maior conteúdo nacional serão beneficiadas, principalmente as exportadoras. De imediato, o impacto é o aumento do custo dos componentes importados para as encomendas  com prazo de entrega entre oito meses e um ano. “Você não impulsiona exportação com o câmbio volátil. É importante ter um rumo, saber em que patamar ficará a taxa”, diz Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A situação pune ainda mais as empresas em um ano que terminará com queda na produção e nas vendas de veículos.
Para investimentos iniciados, há algum espaço para a antecipação da meta de nacionalização de componentes, de modo a fugir da alta do custo de importação. É o caso da Nissan, que inaugurou uma fábrica em Resende, no Rio de Janeiro, em abril deste ano, onde são produzidos automóveis com índice de nacionalização de 66%. Executivos da empresa declararam que a meta para elevar o porcentual para 80% deve ser antecipada de 2016 para 2015, por conta da escalada do dólar. Há planos para aumentar as compras de aço, peças de plástico e alumínio produzidos no Brasil.
Esses movimentos são, no entanto, pontuais. A generalização dos efeitos da atual desvalorização cambial no comércio exterior deve levar mais tempo. Kupfer compara o período atual com aquele da desvalorização cambial de 1999, quando o real caiu 30% diante do dólar a partir da adoção do câmbio flutuante. Demorou quatro anos para a balança comercial se recuperar. Em 2003, o saldo das exportações aumentou 21,1% em relação ao ano anterior.
Este ano deve se encerrar com déficit na balança comercial brasileira. Até o momento, o resultado negativo atinge 3,4 bilhões de dólares. A projeção da AEB é de um déficit de 4 bilhões. No começo de 2014, a associação esperava um superávit de 7,2 bilhões. Outras causas afetaram os resultados do comércio exterior, entre elas a queda dos preços do minério de ferro e da soja. Mesmo no período mais recente, de elevações mais significativas do dólar, as exportações caíram. Nas duas primeiras semanas de novembro, a média diária recuou 24,3% comparada àquela do mesmo período no ano passado, com uma redução maior nos manufaturados.
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a taxa de câmbio ideal situa-se acima dos 2,70 reais por dólar. “A desvalorização do real é uma das saídas para a volta dos investimentos e a retomada das exportações”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor de competitividade da Fiesp. Segundo Kupfer, o fato de a valorização cambial ainda ser uma estratégia importante na política anti-inflacionária, adotada desde o Plano Real, faz com que o impacto sobre as decisões de investimento seja limitado.
“Quando o industrial vê a inflação avançar, ele espera uma apreciação cambial, e isso faz com que projetos atrativos a um câmbio depreciado sejam abandonados.” É a prova, afirma Kupffer, de esgotamento da política de juros altos e câmbio valorizado. “O grau de utilização da capacidade produtiva da indústria, de 81%, não está baixo e mostra que as fábricas não estão paradas, mas mesmo assim não há investimento.”
Castro, da AEB, confirma o receio dos exportadores de o câmbio não se manter a 2,60 reais por conta da preocupação do governo com a inflação. “Não dá para estimar qual será o impacto por não sabermos quanto tempo essa valorização do dólar vai durar.” Segundo ele, a dependência do câmbio denuncia a baixa competitividade dos nossos produtos e por isso seria preciso atacar em outras frentes, incluída a da reforma tributária.
No setor de eletroeletrônicos, parte da cadeia produtiva no Brasil não suportou o período de real valorizado e deixou de existir por causa da concorrência com importados. Nesse segmento, além da estabilização do câmbio em um patamar mais competitivo, serão necessários incentivos para viabilizar investimentos elevados na instalação de fábricas, explica Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. A entidade defende um dólar ainda mais valorizado, entre 2,90 e 3 reais.
Desde 2010, o déficit da balança comercial do setor só aumenta, e a previsão é de que neste ano a diferença chegue a 35 bilhões de dólares. As exportações representam hoje 10% do faturamento do setor, ante 19% em 2006. As importações, por sua vez, saltaram de uma participação de 16% naquele ano para 23% em 2013.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o coeficiente de penetração das importações, índice que mede a participação dos produtos importados no consumo nacional, bateu recorde no terceiro trimestre, com 21,9%. O porcentual cresce continuamente desde o primeiro trimestre de 2010, quando foi de 15,9%.

sábado, 24 de janeiro de 2015

O que aconteceu com a economia dos Brics?


 



Olá alunos,

Os Brics foram identificados como economias grandes e de crescimento rápido que teriam papeis globais cada vez mais influentes no futuro. A postagem de hoje busca analisar os motivos da desaceleração econômica do grupo e o impacto que ela pode ter na economia mundial.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Em 2001, os Brics foram considerados países que poderiam remodelar a economia mundial.

Brasil, Rússia, Índia e China -na época o grupo não incluía a África do Sul- foram identificados como economias grandes e de crescimento rápido que teriam papeis globais cada vez mais influentes no futuro.
Mas a desaceleração econômica pela qual o Braisl está passando se repete em todo o grupo. O que aconteceu com estas economias?


Hoje, China e Rússia são possivelmente as mais preocupantes para o resto do mundo no curto prazo. Podem provocar uma reformulação séria e bastante indesejável.

No caso da China, há o risco de a desaceleração econômica se transformar em algo mais prejudicial para a economia mundial. Com a Rússia, há a possível consequência econômica do conflito na Ucrânia.

A desaceleração da China aconteceria mais cedo ou mais tarde. Na verdade, é notável que não tenha vindo antes.

A China tem registrado taxas extraordinárias de crescimento econômico há muito tempo - uma média de 10% ao ano nas últimas três décadas.

Mas este crescimento é baseado em taxas muito elevadas de investimento, atualmente em 48% da renda nacional ou PIB.

Quando o investimento é alto assim, há sempre o risco de que muitos projetos acabem sendo um desperdício ou não rentáveis, minando as finanças dos próprios investidores e de qualquer pessoa que tenha emprestado dinheiro a eles.

Poucos países têm taxas de investimento mais altas do que as chinesas -e nenhum deles têm muito a ensinar para a China. São eles Butão, Guiné Equatorial, Mongólia e Moçambique.

Outro fator que ajuda a entender o crescimento chinês é a exportação.

Mas não é possível depender disso atualmente, quando o resto do mundo ainda luta para se recuperar da crise financeira.

Transição chinesa

O que o governo chinês quer fazer é avançar no sentido de um crescimento econômico um pouco mais lento e mais influenciado por venda de bens e serviços para os consumidores chineses.


A desaceleração está acontecendo. Já nesta década, a taxa média de crescimento caiu em mais de dois pontos percentuais.

O homem que inventou o termo "Brics", Jim O'Neill, então da Goldman Sachs, acredita que a transição pode ser gerida sem muita turbulência. Outros são mais cautelosos.

O professor Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, diz que a desaceleração da China é ao mesmo tempo inevitável e desejável, mas adverte: "Não é fácil conter o crescimento gradualmente sem provocar problemas generalizados de projetos de investimentos ambiciosos."

Ele diz que, se o crescimento chinês entrar em colapso, a queda global poderia ser muito pior que a causada por uma recessão normal nos EUA.

Já a Rússia é uma história diferente. Seu impacto econômico potencial sobre o resto do mundo em um futuro próximo está altamente relacionado com questões políticas.

O conflito na Ucrânia já prejudicou a Rússia economicamente. As sanções impostas pelo Ocidente e o receio entre os investidores de que elas possam aumentar agravaram uma desaceleração que ocorreria de qualquer maneira.

O país já perdeu US$ 85 bilhões este ano, de acordo com dados do Banco Central. A Rússia é muitas vezes criticada por ter um ambiente de negócios difícil, devido à burocracia e incertezas sobre o sistema legal.

O FMI já falou disso antes, e Jim O'Neill também afirma que a Rússia precisa de normas confiáveis de direito empresarial.

Os problemas da Rússia já tiveram impacto econômico além de suas fronteiras, notadamente na Alemanha.
As exportações para a Rússia caíram acentuadamente - o que é um fator importante por entender por que a Alemanha está perto da recessão.

Olhando para o futuro, o FMI também advertiu que "riscos geopolíticos", ou seja, a crise na Ucrânia e no Oriente Médio, são algumas das principais ameaças para a recuperação da economia global que já é, nas palavras do próprio FMI, "fraca e desigual".

Força da Índia

Outros dos Brics com problemas claros é o Brasil - apesar de o país representar menos perigo no contexto global.

Assim como a Rússia, é uma economia em que as exportações de commodities desempenharam um papel importante para os bons resultados da década de 2000.

Na Rússia, o que se exportava era de petróleo e gás. Já o Brasil tem minério de ferro e commodities agrícolas como soja, café e açúcar.

Jim O'Neill diz que ambos precisam tomar medidas para tornarem-se menos dependentes do setor de commodities.

Devem melhorar a sua competitividade de trabalho, diz, e se tornarem mais atraentes para o investimento privado em outras indústrias.

Entre os países do Bric original - que não inclui a África do Sul -, a Índia aparentemente é o que está causando menos ansiedade nos mercados financeiros e instituições econômicas internacionais no momento.

O crescimento ganhou força este ano, embora esteja muito aquém daquele da década anterior.

Muitos investidores receberam bem o novo governo de Narendra Modi, que assumiu o cargo em maio. "Estou mais otimista do estive por algum tempo sobre a Índia", diz Jim O'Neill.

Então, os Brics estão desmoronando?

É bom lembrar de onde este conceito veio. Ele apareceu pela primeira vez em um artigo escrito em 2001 por Jim O'Neill.

Não era um grupo, mas apenas uma maneira conveniente, com uma sigla agradável, para detectar tendências importantes.

Somente anos depois os países começaram a fazer cúpulas anuais e, nesta fase inicial, o grupo não incluía a África do Sul. O "s" no final de Brics aparecia apenas como um plural.

Alcançando o crescimento

O objetivo do trabalho era mostrar o papel cada vez mais influente que esses países desempenhariam na economia global pelos próximos 10 anos, e argumentar que a cooperação econômica internacional deveria mudar para refletir esta realidade diferente. E isso ocorreu.

Desde 2008, um dos fóruns-chave para questões de política econômica tem sido o grupo G20, que inclui todos os Brics entre os seus membros.

Os Brics eram as maiores economias emergentes. Não havia nenhum país africano quando a ideia foi usada pela primeira vez, e em termos do seu peso econômico a África do Sul estava bem atrás dos outros, e também de alguns que não foram incluídos, como a Indonésia e o México.

Um artigo de acompanhamento de dois outros economistas do Goldman Sachs estendeu a análise até 2050 e sugeriu que os Brics, em conjunto, poderiam ser maiores que os seis principais países industrializados somados em 2039.

A rigor, os artigos do Goldman Sachs não eram previsões. Eram retratos de como o mundo poderia ser se os países crescessem o quanto podem.

As taxas de crescimento previstas eram muito maiores do que a de países ricos.

Eles têm a possibilidade de alcançar esses países ao investir rapidamente em tecnologia, o que já está estabelecido em economias desenvolvidas.

Eles também têm mão de obras disponível, para as indústrias em rápida expansão, por causa da população em crescimento e urbanização, com as pessoas se mudando do campo para as cidades.

Nas projeções originais de Jim O'Neill, o crescimento chinês ao longo dos próximos 10 anos foi fixado em 7%, da Índia de 5%, e Rússia e Brasil, em 4%.

O Brasil foi o único que não atingiu essa projeção.

Mas todos os Brics têm desacelerado na década atual, por mais de dois pontos percentuais cada, com exceção da África do Sul.

Potencial para o futuro

O FMI investigou a desaceleração dos países em desenvolvimento.

Uma parte significativa dele reflete a demanda internacional mais fraca por suas exportações e políticas governamentais dos próprios países, que se tornaram uma limitação ao crescimento, à medida que reverteram políticas de estímulo anteriores -cortando gastos ou aumento impostos para reduzir as necessidades de financiamento.

Mas também há outros fatores que afetam a capacidade das economias emergentes de crescer no futuro - que limitam o que o FMI chama de "potencial de crescimento".

As taxas de juros tendem a subir gradualmente de seus atualmente baixos níveis nos países ricos - particularmente nos EUA e no Reino Unido.

Isso vai afetar as taxas globais e tornar o investimento mais caro em economias emergentes.

Muitos também terão de lidar com o envelhecimento da população e um crescimento mais lento do número de pessoas em idade ativa.

Para alguns, a vantagem demográfica que tinham anteriormente está desaparecendo.

Rússia e China estão entre nesse grupo. Isso foi levado em conta nas projeções do Goldman Sachs. Jim O'Neill diz que, mais recentemente, suas políticas nesta área têm sido "surpreendentemente boas".

A China está afrouxando sua política de filho único e, diz ele, "a Rússia tem tido algum sucesso no aumento da expectativa de vida com políticas muito mais inteligentes sobre o consumo de álcool."

Apesar de todos os Brics terem desacelerado nesta década, os que apresentam perfomance mais fracos agora são Brasil e Rússia.

Suas taxas médias de crescimento têm sido inferiores a dos Brics asiáticos o tempo todo e, neste ano, eles desaceleraram ainda mais. Para 2014 como um todo, o FMI projetou crescimento para os dois, mas muito pouco - de 0,3% para o Brasil e 0,2% para a Rússia.

Os dois números, aliás, são um bem menores do que foi previsto este ano até para a zona do euro - apesar de ela ainda estar em crise e ter sido descrita como assombrada pelo "fantasma da estagnação" por Mark Carney, do Banco da Inglaterra.

Jim O'Neill ainda não achar que é o caso de tirar Brasil e Rússia do Brics - mas os últimos anos têm certamente sido uma decepção.

Portanto, não é hora de abandonar os Brics.

Os países do grupo estão passando por alguns problemas, certamente. Para mudar o quadro, a China, em particular, está embarcando em uma operação audaciosa, enquanto busca uma forma diferente e, talvez, em última análise, mais sustentável de desenvolvimento econômico.

Os Brics e seu desempenho importam para o resto do mundo, mais do que importavam na virada do século - o que é, afinal, o ponto principal do conceito original.

Link Original

domingo, 21 de dezembro de 2014

O abismo entre ricos e pobres cresce



Olá alunos, 

Com raras exceções, a desigualdade tem aumentado em todos os países do mundo. A desigualdade econômica produz diferenças em termos de oportunidades de vida, quem está na parte baixa da escada social tem grande desvantagem em termos de escolaridade, saúde, violência e expectativa de vida. A postagem de hoje busca analisar esse cenário e possíveis medidas para redução da pobreza e desigualdade. 

Esperamos que gostem e participem. 

Fellype Fagundes e Carlos Araújo  Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Em um mundo angustiado pela crise econômica, aprendemos que de março de 2009 a março de 2014, exatamente o período considerado mais crítico, depois da bancarrota do Lehman Brothers, o número de bilionários do planeta dobrou: eram 793 no começo do furacão e agora somam 1.645. Os 85 mais ricos entre eles, no mesmo período, incrementaram seus capitais em 668 milhões de dólares a cada dia e sua renda equivale àquela de metade da população mundial, 3,5 bilhões de outros seres humanos. Os dados constam, entre outras “pérolas”, do recente estudo sobre a desigualdade no mundo, publicado pela Oxfam, rede internacional de 19 ONGs que combatem a pobreza. Na sequência da divulgação do relatório, originalmente chamado Even It Up: Time to end extreme inequality, foi lançada a campanha mundial de sensibilização “Equilibre o jogo”.

Crise é um termo utilizado no mundo inteiro para descrever situações diferentes, mas com um denominador comum, a desaceleração do crescimento das economias, que em média superava os 4% anuais na década passada e hoje sofre para chegar perto dos 3,5%. Para resolver os problemas provocados por esse recuo e retomar o ritmo anterior, os defensores do atual sistema econômico-financeiro indicam um caminho único, a ampliação do espaço da iniciativa privada em detrimento do setor público, com corolário de cortes nos gastos sociais e intensificação da produtividade no trabalho. Em outras palavras, salários mais baixos para criar produtos mais baratos. Essa receita, baseada numa visão brutalmente quantitativa do bem-estar da humanidade e sem nenhuma atenção à equilibrada convivência social, é rotundamente recusada pela Oxfam. Com riqueza de informações e análises, a desigualdade é descrita sob diversos aspectos, e o estudo chega à conclusão de que essa praga contemporânea não só é contrária a uma ética humanista, mas também a causa fundamental da crise econômica em curso.

O primeiro mito que o relatório se encarrega de derrubar é aquele que considera natural a desigualdade entre os seres humanos. Melhor se concentrar na redução da pobreza, afirmaram os liberais a partir da Revolução Industrial, pois a compaixão é a única maneira de mitigar a lei natural que inevitavelmente produz as diferenças. Mas a desigualdade excessiva tem comprometido o combate à pobreza, apesar dos bons resultados conseguidos nesse campo até o início dos anos 80 do século passado. O abismo entre ricos e pobres nas últimas três décadas, demonstra a pesquisa, tem clara correlação com a baixa mobilidade social. Em outros termos, nos países em que o fenômeno é mais acentuado, quem nasce rico fica rico, quem nasce pobre não tem outra alternativa além de permanecer pobre. A esperança de uma vida melhor, na evolução entre pais e filhos, é banida do horizonte de bilhões de seres humanos.

Com raras exceções, a desigualdade tem aumentado em todos os países do mundo. Caso particularmente emblemático, a Oxfam calcula que até na África do Sul a desigualdade é hoje maior do que no período do Apartheid. Com base em dados de 2013, 7 de cada 10 habitantes do mundo vivem em países em que a desigualdade econômica é maior do que há 30 anos.

O enriquecimento desmedido de um número restrito de indivíduos, a depender dos países, encolheu ou limitou o crescimento da classe média, comprometendo a sua capacidade de gasto e, em última análise, o motor do crescimento mundial. Desde 1990, a participação do trabalho na composição do PIB mundial é constantemente decrescente. O ataque ao valor e à dignidade do trabalho é particularmente acentuado nos países mais pobres, mas também ocorre nas nações ricas. Por consequência, o PIB mundial é composto por uma porcentagem crescente do capital, que se autoalimenta cada vez mais da especulação financeira.

As 150 páginas da pesquisa, com amplíssima bibliografia, demonstram que a desigualdade extrema também está associada à violência. A América Latina, a região mais desigual do mundo do ponto de vista econômico, reúne 41 das 50 cidades mais violentas do planeta e registrou 1 milhão de assassinatos entre 2000 e 2010. Países desiguais são lugares perigosos para viver, e a insegurança afeta tanto ricos quanto pobres.

A desigualdade econômica produz ainda diferenças em termos de oportunidades de vida. Quem está na parte baixa da escada social tem grande desvantagem em termos de escolaridade, saúde e expectativa de vida. A Oxfam demonstra com dados e gráficos que a “pobreza interage com desigualdades econômicas e de outros tipos para criar ‘armadilhas de desvantagens’ que empurram os mais pobres e marginalizados para o fundo – e os mantêm lá”. E a globalização da economia aumentou consideravelmente o número de super-ricos nos países em desenvolvimento e emergentes. Na África Subsaariana, 16 bilionários convivem com 358 milhões em pobreza extrema.

No atual cenário, o Brasil, que nos últimos 12 anos tirou da pobreza dezenas de milhões de indivíduos, é citado várias vezes no relatório como positiva exceção por ter agido na contracorrente mundial, mas também como exemplo de uma desigualdade ainda gravíssima que afeta as perspectivas de resgate econômico e de pacificação nacional. É extremamente fácil evidenciar a imediata correspondência entre o aumento de 50% no valor do salário mínimo entre 1995 e 2011 e a redução da pobreza e desigualdade no País.

Como exemplo oposto, dados de 40 países europeus e latino-americanos revelam que a capacidade redistributiva de um bom sistema fiscal, combinada com gastos sociais bem-focados, pode reduzir as disparidades de ingressos produzidas pelo mercado. A Finlândia e a Áustria conseguem reduzir pela metade essa desigualdade por meio de impostos, enquanto o sistema fiscal e o gasto social brasileiro a limitam de maneira insignificante.

O relatório da Oxfam não se restringe à análise da situação de fato, mas identifica as causas que provocaram a absurda desigualdade atual: o fundamentalismo de mercado e a captura do poder pelas elites econômicas. A ideologia neoliberal, que continua dominante, apesar das contradições que suscitou, segue a impulsionar as diferenças, que não poderão ser reduzidas enquanto os países forem forçados a engolir remédios como a desregulamentação financeira, a austeridade fiscal, as privatizações, a redução de programas sociais ou o corte de impostos para os ricos. Por outro lado, como em um círculo vicioso, o dinheiro compra a influência e o poder político, tanto nos países ricos quanto nos pobres.

Para “reequilibrar o jogo”, a Oxfam identifica uma série de medidas específicas que, acrescentamos, não poderão ser alcançadas com base em alguma milagrosa fulguração de bondade da parte de quem hoje dirige o jogo, mas apenas à medida que as relações de força e de poder entre as minorias ricas e as maiorias pobres se inverterem. O mérito do relatório é demonstrar implicitamente que a batalha deve ser combatida em cada lugar de trabalho e em cada país, mas, para ser vencida, deve incluir um pensamento e uma ação global de todas as vítimas da desigualdade e de todos os seus aliados de boa vontade. Se a economia e a riqueza do mundo são globalizadas, a resposta para redistribuir deve ter a mesma escala. O nacionalismo é uma ferramenta arcaica. O que hoje precisamos é de um novo internacionalismo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

"O risco de uma terceira recessão na Europa é muito real”

Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal FluminensBarry Eichengreen é professor de Economia e Ciência Política na Universidade de Berkeley. Especialista em mercado de divisas, é o historiador econômico de maior prestígio nos Estados Unidos. Visitou recentemente a Espanha para dar uma conferência no Instituto Figuerola de História e Ciências Sociais.
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Olá alunos, 

A situação econômica pós-crise de 2008 continua preocupante. A postagem de hoje traz uma entrevista concedida pelo historiador econômico Eichengreen, que busca analisar o cenário internacional.

Esperamos que gostem e participem. 

Fellype Fagundes e Carlos Araújo 
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Eichengreen, o historiador econômico de maior prestígio nos Estados Unidos, diz que é complicado encontrar outra região onde a situação econômica não seja decepcionante.

Pergunta. Está otimista com a situação econômica mundial?

Resposta. É difícil estar otimista neste momento. Excetuando os Estados Unidos, que estão se saindo relativamente bem, e o Reino Unido, é complicado encontrar outra região do mundo onde a situação econômica não seja decepcionante.

P. Acha possível que a Europa caia em uma terceira recessão?

R. Sim, esse risco existe. Até na Alemanha há uma desaceleração da atividade. A deflação na Europa não é um problema de médio prazo, mas já está aqui. As medidas que estão sendo adotadas para combatê-la, com estímulos fiscais pelos Governos e estímulos monetários pelo Banco Central Europeu (BCE) são poucas e talvez estejam chegando muito tarde. Para enfrentar a deflação são necessárias decisões mais traumáticas, mas a Europa não está organizada para isso, sua estrutura não permite atuar da forma decidida que a situação requer. O risco de uma terceira recessão, acompanhada de um ambiente deflacionista, é muito real e preocupante.

P. Em que medida o empenho da Alemanha pela austeridade está por trás dessa debilidade?

R. Um dos problemas da crise é que a Alemanha teve um diagnóstico distinto dos problemas. Não admitiram que se adotasse uma política de mão dupla: por um lado incentivar a oferta através de reformas estruturais; e por outro facilitar a demanda mediante mais gasto público. Os alemães não acreditam em uma demanda maior. Entretanto, sua posição se enfraqueceu nos últimos meses, porque sua economia também está mais fraca e porque as facções contrárias à austeridade em outros países estão ganhando força. A Comissão Europeia, por exemplo, permitiu à Itália e à França certa margem com o déficit. A Alemanha não gostou da decisão, mas não pôde fazer muita coisa para mudá-la.

P. Atravessamos uma fase bipolar quanto às políticas monetárias. Os Estados Unidos começam a retirar liquidez do sistema, enquanto a Europa acelera a aplicação dos estímulos. Que consequências essa situação pode trazer?

R. Em primeiro lugar, é lógico que as políticas dessas economias são diferentes porque suas perspectivas de crescimento também o são. Dito isso, devo alertar que as consequências desse mundo bipolar são duas. Em primeiro lugar, há um impacto nas taxas de câmbio. Nos últimos meses já vimos uma depreciação do euro frente ao dólar. Acredito que a moeda europeia tende a cair mais se não forem cumpridas as expectativas do mercado, ou seja, se o Federal Reserve (Fed) elevar as taxas antes do tempo ou se o BCE prosseguir com seu programa de compra de ativos. Eu ficaria surpreso se algum deles saísse desse roteiro. A segunda consequência é que o mercado bancário mundial tem o dólar como referência. A retirada de estímulos do Fed não poderá ser compensada pelas injeções do BCE e o sistema precisará de mais liquidez, prevejo mais turbulências nos mercados emergentes.

P. O que aconteceria se o BCE ativasse um Quantitative Easing como o do Fed?

R. O principal requisito é que passe o tempo. Nem mesmo uma recessão na Alemanha faria seus líderes mudarem de opinião de agora. O BCE tem um mapa de rota, dará pequenos passos na compra de ativos até chegar a adquirir um número muito reduzido de bônus públicos em 2015. Isso deveria servir para afastar da mente dos alemães o medo da hiperinflação. Mas insisto, o problema agora não é a inflação, mas a deflação e para combatê-la é preciso tomar decisões radicais como as do Banco do Japão. O BCE não é capaz de fazê-lo porque tem um conselho muito grande e não quer se indispor com a opinião pública alemã. É como um grande tanque que tem uma enorme dificuldade de mudar de direção.

P. Ainda há muita liquidez no sistema. Há risco de alguma bolha estourar?

R. Algumas Bolsas, sobretudo nos Estados Unidos, subiram muito em um ambiente onde, embora haja crescimento, este não é exagerado. Além disso, no mercado imobiliário de Reino Unido, China ou em algumas áreas dos Estados Unidos como a Califórnia, os preços estão em níveis próximos ao que estavam no início da crise. Se as taxas subirem antes do previsto algumas dessas bolhas podem estourar. A boa notícia é que os reguladores estão atentos e tomaram medidas. Isso quer dizer que embora essas bolhas se desinflem e causem problemas, eles não serão tão graves como em 2007.

P. De quando em quando volta ao mercado a possibilidade de uma guerra de divisas, por quê? Acredita que já estamos imersos em uma dessas guerras?

R. Nas economias desenvolvidas não há uma guerra de divisas. Japão, Europa e Estados Unidos querem que as taxas de juros continuem baixas para estimular suas economias. A inflação no momento não é um problema e baixam taxas com o consequente enfraquecimento de suas moedas. Se todos fazem isso ao mesmo tempo não há movimentos agressivos no mercado de divisas. Acredito que isso é sadio e construtivo. O problema vem para outro grupo de países como os emergentes. Eles não podem baixar as taxas porque têm problemas inflacionários, sistemas financeiros mais frágeis e bancos centrais com menos credibilidade que os dos países desenvolvidos. Isso se traduz em moedas muito fortes para suas necessidades.

P. Onde pode desembocar a montanha russa em que embarcou o rublo?

R. A situação financeira do país vai de mal a pior. A Rússia está prestes a impor controles de capital e de taxas de câmbio. Perdeu-se a confiança em sua economia e a tentação é levar o dinheiro para fora do país. Vários fatores somados levaram a essa situação: as sanções, a política errática do Governo e a queda dos preços da energia.

P. Você é historiador. Com a perspectiva dada pelo tempo, foi um erro lançar o euro sem uma união política e fiscal?

R. É fácil acertar quando se revisa o passado. À sua pergunta respondo que sim, foi um erro criar uma união monetária sem união bancária e política. Isso já não tem remédio e o importante agora é que o euro funcione. Os passos para a união bancária são positivos. Entretanto, devem vir acompanhados de uma maior integração fiscal e de mudanças políticas como a eleição direta do presidente da Comissão Europeia. Não deve haver acordos nos bastidores para escolher os representantes.

P. Como será o mundo posterior à crise?

R. Acredito que deve haver um debate a respeito de quanto Governo necessitamos para ter uma sociedade mais justa e um funcionamento econômico mais adequado. Nos Estados Unidos muitos pensamos que o Governo deveria ser mais forte, com menos limitações, para proporcionar um melhor sistema de saúde e educacional ou um maior investimento em infraestrutura. No caso europeu talvez se necessite de um Governo menor, mas mais eficiente. Também devemos debater se as reformas e a regulação financeira são suficientes para garantir que não vamos ter uma crise como a que acabamos de deixar para trás. Espero que as reformas nesse sentido não tenham terminado.

P. Uma das consequências da crise foi o aumento da desigualdade. O que poderia ser feito para reduzi-la?

R. Eu diria que foi uma das consequências da crise, mas também uma de suas causas. Medidas diferentes poderiam ser tomadas para corrigir a desigualdade de acordo com o país. Nos Estados Unidos terão utilizar a política fiscal: os ricos quase não pagam impostos. Na Europa o que se precisa é gerar crescimento econômico.
Link Original
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense
Olá alunos, O setor industrial teve um declínio em termos de participação na produção e no emprego das economias capitalistas maduras durante o século vinte. A postagem de hoje analisa se essa queda teve efeitos sobre qualidade de vida da população e suas relações sociais. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense