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quarta-feira, 25 de março de 2015

ESPECIAL: O verdadeiro ralo da nação



Olá alunos,

Os brasileiros muito ricos possuíam, até 2010, cerca de US$ 520 bilhões  em paraísos fiscais, é a quarta maior fortuna do mundo depositada em bunkers do dinheiro frio. A postagem de hoje busca analisar as consequências desse desvio de recursos e como evitá-lo. 

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Estudos da The Price of Offshore Revisited, coordenados pelo ex-economista-chefe da McKinsey, James Henry, revelam que os brasileiros muito ricos possuíam, até 2010, cerca de US$ 520 bilhões  em paraísos fiscais.

É a quarta maior fortuna do mundo depositada em bunkers do dinheiro frio, francamente adiante do que seria proporcional à oitava economia do planeta.

Essa é mais uma evidência do sofisticado estado das artes das elites -- que se envergonham do governo corrupto -- no quesito sonegação, caixa 2  e demais malabarismos financeiros, favorecidos pela supremacia da desregulação bancária em quase todo o planeta.

Estamos falando de um desvio de recursos da ordem de R$ 1,5 trilhão de reais.

Esse imenso ralo da nação, diante do qual tudo o mais empalidece (inclusive o inaceitável desvio na Petrobrás, da ordem de R$ 4,5 bilhões), tampouco é negligenciável do ponto de vista das grandezas da luta pelo desenvolvimento.

O montante equivale, por exemplo, a tudo o que o BNDES prevê de investimento pesado no Brasil nos setores industrial e de infraestrutura, no quatriênio de 2015 a 2018.  

Segundo os cálculos do banco, o efeito multiplicador dessas inversões rebaterá em encomendas da ordem de R$ 830 bilhões ao parque fabril brasileiro: 14%  superiores às do quatriênio anterior.

Portanto, se a fortuna mantida pelos endinheirados nos bunkers internacionais retornasse na forma de investimento produtivo, significaria dobrar – repita-se, dobrar -- o impulso de expansão industrial, logística e encomendas na dinâmica econômica brasileira até o final da década.

Essa é uma pequena amostra dos impactos decorrentes da forma como a plutocracia local resolveu inserir-se nas cadeias globais da riqueza.

O fato de sete a oito mil contas de brasileiros reunirem outros US$ 7 bilhões clandestinamente remetidos à subsidiária suíça do HSBC, ao lado de depósitos de procedência igualmente sugestiva feitos por  traficantes e terroristas internacionais, apenas confirma o principal.

O principal é que não faltam recursos para o Brasil deflagrar um novo ciclo de desenvolvimento.

Tampouco para dispor de contas fiscais razoavelmente equilibradas, sem recorrer ao arrocho sobre direitos dos trabalhadores, ou dos investimentos do Estado.

A aplicação de uma alíquota camarada de 20% sobre esses US$ 520 bi, por exemplo, pagaria um ano do escandaloso juro incidente sobre a dívida pública brasileira – cujo crescimento decorre em grande parte da incapacidade estatal de taxar as fortunas e heranças, entre outros, dos detentores desse pecúlio clandestino.

A tentativa de se construir por aqui um Estado social que assegure aos sem riqueza os mesmos direitos daqueles que enxergam no espaço público a mera extensão do interesse privado, esbarra assim em uma sabotagem fiscal clandestina que age em sintonia com a luta ideológica explícita em defesa do Estado mínimo, travada pelo martelete da emissão conservadora.

A indigência do espírito público dos endinheirados brasileiros não é nova.

Mas é forçoso reconhecer o seu senso de oportunismo no desfrute das novas possibilidades abertas pela globalização dos circuitos financeiros.

Em um texto de 1986, ‘Sobre o óbvio – Ensaios Insólitos’, o  antropólogo Darcy Ribeiro, criador da Universidade de Brasília, e chefe da Casa Civil de Jango, iluminou os traços dessa rosca descendente, confirmada agora em episódios como o do HSBC, que certamente não constitui exceção no cipoal das conexões bancárias que transformam qualquer capital em capital estrangeiro dentro de seu próprio país.

‘Por muito tempo’, dizia Darcy Ribeiro, ‘se pensou que éramos e somos um país pobre, no passado e agora. Pois não é verdade. Esta é uma falsa obviedade. Éramos e somos riquíssimos (...) para uso e gozo de nossa sábia classe dominante. A verdade verdadeira é que, aqui no Brasil, se inventou um modelo de economia altamente próspera, mas de prosperidade pura. Quer dizer, livre de quaisquer comprometimentos sentimentais. A verdade, repito, é que nós, brasileiros, inventamos e fundamos um sistema social perfeito para os que estão do lado de cima da vida’

Darcy está falando de uma elite que prefere blindar automóveis a investir em infraestrutura, razão pela qual o país que tem a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais, ostenta também a maior frota de carros blindados do planeta.

Faz todo sentido. Ainda que seja trágico.

O país redesenhado nos últimos 12 anos por políticas progressistas na esfera da renda e do combate à pobreza, não cabe mais na infraestrutura concebida por essa lógica, focada em apenas 30% de sua gente.

A desproporção teria que ser ajustada em algum momento.

Chegou a hora.

Seus ponteiros desenham duas opções na mesa da democracia.

Faze-lo taxando a riqueza de modo a redistribui-la na forma de investimentos, educação, serviços e empregos de qualidade na indústria e em frentes de maior incremento tecnológico, caso dos encadeamentos do pré-sal na área de energia e petroquímica.

Ou faze-lo regressivamente, revogando avanços, arrochando o investimento público e, sobretudo, desmanchando a base de quase pleno emprego erguida nos últimos anos –conquista que mais incomoda os endinheirados por conta da correlação de forças que espraia no mercado de trabalho, nas mesas de negociações e no calendário eleitoral.

Em toda a América Latina, elites lambem o beiço. Essa escolha coincide com a reversão no ciclo mundial de liquidez, associado à queda nas cotações das commodities. O conjunto, de fato, restringe a margem de manobra  progressista na definição do passo seguinte da luta pelo desenvolvimento.

O Brasil, porém, é uma das raras economias que, mesmo em condições adversas, dispõe de requisitos objetivos para um salto industrializante, capaz de irradiar a produtividade necessária a novos avanços em direção à cidadania plena de sua gente.

A saber:

1. as empresas instaladas no país dispõem de uma massa de capital monetário suficiente para um novo ciclo de expansão, hoje estocado na roleta rentista (que inclui dívida pública e o repouso em paraísos fiscais) ;

2. O mercado de massa brasileiro forma hoje, sozinho, o 16º maior país do mundo em movimento econômico; poderia figurar no G-20;

3. a economia dispõe de sólidas bases de recursos naturais, incluindo-se o impulso industrializante inerente à exploração das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta neste século;

4. O conjunto de investimentos já disparados na área de infraestrutura garante por si só um impulso combinado de crescimento e ganhos de produtividade.

Falta a amarração política desses ingredientes, processo que guarda semelhança com a disputa de um gigantesco jogo de truco estratégico.

A iniciativa privada mantém o pé no freio e a emissão conservadora exaspera a guerra de expectativas para desencorajar o capital privado a apostar no país.

Melhor deixar o dinheiro no HSBC da Suíça, ou em renda fixa aqui mesmo. Derrotado o “lulopetismo”, o lucro será maior, sugere-se.

Nesse lusco fusco prospera a sonegação e a evasão de riqueza em detrimento do salto possível na esfera produtiva e logística.

Nem tudo é luta política. Há, de fato, desequilíbrios macroeconômicos reais a vencer para destravar os braços cruzados do capital diante das urgências do país.

O câmbio valorizado é um deles.

Ademais de incentivar importações baratas, ele atrofia a exportação, subtrai empregos e demanda à indústria local e leva a uma integração desintegradora diante das cadeias globais de suprimento e tecnologia.

O necessário ajuste cambial, porém -- em marcha --  pressiona a inflação, que aciona juros mais altos para ser contida, que por sua vez fazem o fastígio da riqueza financeira, que se locupleta sem investir na produção, o que rebate em menor receita fiscal, que agrava o endividamento público, leva à mingua o Estado, inibe seu poder indutor na esfera privada, acanha a expansão da logística...

Quem vê no capitalismo apenas um sistema econômico, e não a dominação política intrínseca a sua encarnação social, derrapa no entendimento do que se passa no país nesse momento e do que é essencial para avançar.

O fato é que não há solução exclusivamente técnica para os desequilíbrios inerentes à luta pelo desenvolvimento.

Por isso eles têm que ser pactuado em compromissos, metas e salvaguardas de longo prazo. E só quem pode fazê-lo no Brasil hoje é a democracia participativa.

Nesse emaranhado de constrangimentos políticos e macroeconômicos, a greve do investimento reflete a conveniência de um capital que aderiu à ciranda rentista e dela não abdicará tão cedo, nem tão facilmente.

Ao contrário do que aconteceu no caso das cadeias industriais, nisso – repita-se -- o Brasil atingiu o estado das artes.

A coagulação rentista de uma elite perfeitamente integrada ao circuito da alta finança global, feita de contas no HSBC e em paraísos fiscais, amesquinhou o alcance das escolhas da democracia, recusando-lhe instrumentos para dar à riqueza sua destinação social.

Se nem a lista dos detentores das contas no HSBC é publicada no Brasil – embora conste que a Folha/UOL a tem, assim como o ministro Joaquim Levy deveria requisita-la através do COAF e divulga-la — como induzir esses recursos à mutação produtiva?

Essa dissociação entre a elite e a sorte do país estabelece uma corrosão profunda nos laços da sociedade e abastarda a credibilidade na política e na democracia.

Não é uma fatalidade. É uma decorrência da luta política global que consolidou uma oligarquia transnacional cuja pátria é o circuito das  finanças desreguladas.

Seus efeitos econômicos, de qualquer forma, são devastadores.

A maximização do retorno financeiro contaminou todas as dimensões do cálculo econômico submetendo as demais instâncias do mercado aos mesmos padrões irreproduzíveis de ganho da ganância rentista.

Desvela-se aqui uma dimensão pouco discutida da desindustrialização e da baixa produtividade brasileira, decorrente da inapetência empreendedora das elites apascentadas em piquetes de juro alto.

Combater esse descompromisso com o investimento produtivo implica uma mudança estrutural no tabuleiro do jogo do desenvolvimento.

Implica dispor de um controle de capitais que permita dar maior poder de induzir e tributar a riqueza, sem gerar maior fuga e mais sonegação.

A democracia brasileira precisa avançar para que isso não seja apenas uma miragem de futuro.

Precisa se colocar como uma ferramenta a serviço do desenvolvimento.

Depende desse passo o escrutino plebiscitário de escolhas que vão catalisar a força e o consentimento necessários a uma nova hegemonia mudancista no país (leia o editorial ‘A mão da rua’; nesta pág).

Essa é a questão crucial que lateja nas entranhas de um Brasil espremido entre dois caminhos: avançar na realização de suas potencialidades estratégicas; ou regredir à condição de um duto de riquezas expatriadas, a contrapelo das urgências de seu povo.

São escolhas subjacentes às engrenagens da sonegação, muitas vezes confundidas com um mero desvio jurídico.

O que elas revelam, na verdade, é um desvio de finalidade da riqueza social, cuja regeneração efetiva passa pela repactuação democrática do futuro brasileiro.

Essa é a natureza do debate que propomos com os textos que compõem o Especial da Carta Maior.

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terça-feira, 10 de março de 2015

Seleção Programa de Monitoria Economia Política e Direito


Ola alunos, 

Estão abertas as inscrições para o processo de seleção de monitores da disciplina Economia Política e Direito. 

DAS INSCRIÇÕES

Período: 16/03/2015 a 23/03/2015. 

Endereço eletrônico da página disponibilizada para a inscrição.

DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS DO ALUNO PARA A INSCRIÇÃO NA MONITORIA

Comprovante do cumprimento de pré-requisitos fixados pelo Projeto de Monitoria (se houver).

Comprovante de permanência de vínculo para os alunos cuja conclusão do curso esteja prevista para antes do final do exercício da monitoria. 

Os candidatos deverão levar para a Entrevista curriculum vitae e histórico, para fins de verificação do C.R e nota obtida na disciplina Economia Política e Direito. 

DAS PROVAS

A seleção será constituída de: Prova Escrita que será realizada no dia 25.03.15 de 11:30 às 13:30 e Entrevista que será realizada no próprio dia 25.03, das 14:00 às 16:00 horas, somente para os candidatos que obtiverem na prova escrita, nota igual ou superior a 7,0.

Local de realização: Faculdade de Direito.

Ementa e Bibliografia relativa ao projeto objeto do concurso: 

EMENTA

Principais autores relacionados ao Pensamento Econômico e ao campo da Economia Política. 

Elementos de transição das sociedades pré-capitalista para a sociedade de mercado e questões jurídico-econômicas contemporâneas.

A contribuição da Nova Economia Institucional e da Análise Econômica do Direito e suas interfaces com os campos da Economia e do Direito: a teoria, os principais conceitos e autores centrais.

BIBLIOGRAFIA
 
HEILBRONER, R.; THUROW, L. Entenda a Economia. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2001. (Capítulos 1 e 2). 

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1981. (Capítulos 3, 9 e 16). 

KUPFER, D.; HASENCLEVER, L. (Orgs.) Economia Industrial: fundamentos teóricos e práticos no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2002. (Capítulo 12). 

PINHEIRO, A. C. ; SADDI, J. Direito, economia e mercados. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2005. (Capítulos 1, 2 e 3). 

POLANYI, K. A grande transformação: as origens da nossa época. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2000. (Capítulo 4). 

SILVA, A. C. M. Macroeconomia sem Equilíbrio. Petrópolis/Campinas: Ed. Vozes/FECAMP, 1999. (Introdução/ Capítulo 1).

RESULTADO
Média final mínima para aprovação: 7,00 (sete).

Critérios de desempate: O desempate dos candidatos dar-se-á com o acréscimo de 0,1 pontos a média final daquele candidato que: 1º) tenha obtido maior número de pontos na prova escrita; 2º) tenha obtido maior média final na(s) disciplina(s) vinculada(s) ao projeto; 3º) tenha realizado o maior número de monitorias anteriores.

Instâncias de recurso: Recursos ao processo seletivo deverão ser encaminhados ao Departamento de Direito Privado, por meio de requerimento protocolado na Faculdade de Direito, em até 72 horas após a divulgação do resultado final.

DA ASSINATURA DO TERMO DE COMPROMISSO

Os candidatos classificados deverão comparecer à Secretaria do Departamento de Direito Privado até o dia 30.03.2015 para assinar o Termo de Compromisso. Será considerado desistente o candidato que não comparecer no prazo acima estabelecido.

O registro dos dados bancários pelos monitores no Sistema de Monitoria para efetivar o pagamento das bolsas terá quer realizado, impreterivelmente, até o dia 30.03.2015.
Olá alunos, Está em alta na Europa os estudos relacionados ao "descrescimento econômico". A postagem de hoje busca analisar seus objetivos e significado. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminensedicas para emagrecerknzjlknjsiojfidf
Olá alunos, Está em alta na Europa os estudos relacionados ao "descrescimento econômico". A postagem de hoje busca analisar seus objetivos e significado. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminensedicas para emagrecer
Olá alunos, Está em alta na Europa os estudos relacionados ao "descrescimento econômico". A postagem de hoje busca analisar seus objetivos e significado. Esperamos que gostem e participem. Fellype Fagundes e Carlos Araújo Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminensedicas para emagrecer

sábado, 7 de março de 2015

Para Reinhard Loske, economista e ambientalista: "Consumo além do necessário é doença social"



Olá alunos,

Está em alta na Europa os estudos relacionados ao "descrescimento econômico". A postagem de hoje busca analisar seus objetivos e significado.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


"Nasci numa pequena cidade da Alemanha em 1959. Até o final dos anos 1990 dediquei a vida a estudos de clima, ambiente e sustentabilidade. Em 1998 concorri ao Parlamento e tive sorte porque o Partido Verde integrava o poder. Participei de reformas como imposto verde e o programa de extinção da energia nuclear".

Conte algo que não sei

Está em alta na Europa um movimento pelo "descrescimento" econômico, que é novo mas já é bem forte. Houve uma conferencia internacional sobre isso em outubro passado em Leipzig, com pessoas do mundo todo.

O que é exatamente?

Prefiro chamar de sociedade pós-crescimento. prevê uma redução efetiva da produção e do consumo. há limites para o crescimento do ponto de vista do meio ambiente, além dos aspectos cultual e econômico. Muitas já entendem que o consumo além do necessário é mais sinal de doença social do que de uma sociedade desenvolvida.

Quais são os sintomas?

As pessoas não vivem melhor, não são mais felizes. Pesquisas mostram um descasamento entre crescimento econômico e bem-estar. As finanças dos países indicam o PIB basicamente como produção e consumo, mas há efeito colaterais que não são computados, como mudança climática e poluição, com impacto na saúde publica. Índices que deveriam entrar na conta com um sinal de menos. Hoje, se uma pessoa bate o carro numa árvore, é bom para o PIB porque ela vai ter que comprar um novo. 
Por que esse movimento surge na Europa, que luta para retomar o crescimento?

Nos anos 1970, a mensagem era simples: se a humanidade continuar a poluir e multiplicar a demanda sobre fontes naturais, iremos ao colapso. Era uma visão pessimista. O debate atual na Alemanha, na Inglaterra e até nos EUA é mais otimista. Ele busca alternativas, como a economia de compartilhamento, que é baseada em coisas que todos usam, como carros, máquinas, dispositivos ou jardins. A ideia é: se você divide recursos precisará de menos coisas.

No Brasil, carro ainda é o sonho de muita gente. Dividir um faz alguém feliz?

Há uma mudança cultural, sobretudo entre os jovens. Eles querem usar coisas, não tê-las. Querem mobilidade, não um carro. Lidar com a terra, mas não com um jardim para cada um. Querem superar a competição da economia velha de quem tem a grama mais verde, e avançar com inteligência.

Sustentabilidade é assunto recorrente há décadas, mas o modelo não muda...

O sistema financeiro e os orçamentos públicos têm o crescimento como imperativo. Ou é ele, ou a certeza do colapso.

É mais fácil defender isso num país desenvolvido?

É possível substituir muita coisa recursos renováveis e encontrar o equilíbrio certo. É claro que isso é mais difícil onde há mais pobreza. No entanto, há hoje uma classe consumidora global vivendo nos países ricos, mas também na China ou aqui, na Zona Sul do Rio. Temos ricos globalizados e pobres locais. Os ricos consomem igualmente em qualquer lugar do mundo. Eles têm a responsabilidade de promover o uso mais racional dos recursos para, ao mesmo tempo, garantir o básico aos pobres

Problemas como crise de fornecimento de água em grandes cidade brasileiras podem levar a mudanças de atitude?

Se faltar algo essencial, como água, as pessoas param para pensar. A catástrofe é catalisadora, mas é há que ser ter alternativas. Quando não há saída, as crises não são suficientes para criar mudanças. Por exemplo, olho para o sol do Rio, tenho medo de me queimar, mas penso no seu potencial. Vocês, contudo, parecem preferir as hidrelétricas e térmicas.

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Quer entender o que acontece na Petrobras?






Olá alunos,

Com investigação sobre corrupção, renúncia de diretores, processos, sobe e desce nos valores das ações, queda do preço do petróleo no mercado internacional, a Petrobras passa por uma fase turbulenta. A postagem de hoje busca analisar a situação em que se encontra a estatal.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

1- Entenda o que é a operação Lava Jato

 

A operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal (PF), teve início em março do ano passado, para apurar suposto esquema de corrupção na Petrobras, relativo a desvio e lavagem de dinheiro envolvendo diretores da estatal, grandes empreiteiras e políticos. O esquema pode ter desviado mais de R$ 10 bilhões.
A operação recebeu este nome pois um dos grupos envolvidos no esquema fazia uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro ilícito.

2- Esquema de corrupção pode ter desviado R$ 10 bi

 

Segundo a PF, a Petrobras contratava empreiteiras por licitações fraudadas. As empreiteiras combinariam entre si qual delas seria a vencedora da licitação e superfaturavam o valor da obra. Parte desse dinheiro "a mais" era desviado para pagar propinas a diretores da estatal, que, em troca, aprovariam os contratos superfaturados. O desvio é estimado em mais de R$ 10 bilhões pela PF.

O repasse era feito pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef, que distribuiria o suborno. De acordo com a investigação, políticos dos partidos PMDB, PP e PT também se beneficiariam do esquema, recebendo de 1% a 3% do valor dos contratos. Os políticos negam o envolvimento. Diretores da Petrobras e empreiteiros foram presos.

3- Entre os suspeitos estão ex-diretores da Petrobras

 

Paulo Roberto Costa: ex-diretor de Abastecimento da Petrobras (2004-2012). É suspeito de chefiar o esquema de desvio de dinheiro, superfaturando contratos e recebendo propinas. Fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), que prevê a redução de pena em troca de informações sobre os crimes. Foi o principal delator do esquema.

Nestor Cerveró: ex-diretor da área Internacional da Petrobras (2003-2008) e diretor financeiro da BR Distribuidora (2008-2014). O ex-diretor é acusado de receber US$ 40 milhões em propina para favorecer a contratação da empresa Samsung Heavy Industries para fornecimento de navios-sonda.

Alberto Youssef: era o doleiro responsável pela "lavagem do dinheiro". Recebia o dinheiro das empreiteiras e ajudava a fazer a distribuição das propinas.

4- Balanço atrasou e não foi aprovado

 

O balanço do terceiro trimestre de 2014, que deveria ser divulgado em novembro, foi adiado duas vezes devido às investigações. No dia 28 de janeiro, a Petrobras divulgou os resultados, mas sem revisão e aprovação dos auditores independentes. O balanço também não incluiu nenhuma perda relacionada às denúncias, decepcionando o mercado.  As ações desabaram.

5- Petrobras é processada no Brasil e nos EUA

 

A Petrobras sofre processos movidos por investidores no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, a ação é contra o presidente e os membros do conselho de administração da empresa à época das denúncias, que respondem com seu patrimônio pessoal. Nos EUA, a Petrobras tem processo movido pela Prefeitura de Providence, capital do Estado de Rhode lsland, e também sofre outras três ações coletivas iniciadas por fundos de investimentos e grupos de investidores.

6- Perdas totais da Petrobras chegariam a R$ 90 bi

 

A estimativa da PF é que o desvio pode ter passado de R$ 10 bilhões, mas o prejuízo total da empresa, incluindo investimentos errados por causa da corrupção, pode ser bem maior. A estatal não chegou a uma conclusão. No entanto, contas apresentadas inicialmente pela ex-presidente da Petrobras Graça Foster ao conselho de administração apontavam perdas de R$ 88,6 bilhões nos ativos da companhia, de acordo com o jornal "Folha de S.Paulo". A metodologia dos cálculos, no entanto, foi considerada indevida, e os dados foram descartados.

7- Presidente Graça Foster e diretores renunciam

 

Graça Foster renunciou ao cargo de presidente, junto com diretores da estatal. Ela foi a primeira mulher a ocupar o posto, em fevereiro de 2012, substituindo José Sergio Gabrielli. O nome da executiva foi diretamente envolvido nas denúncias de corrupção na estatal em dezembro, quando a ex-gerente de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca disse, em entrevista, que alertou pessoalmente a presidente da empresa sobre irregularidades de que teve conhecimento.

8- Ações da empresa tiveram fortes quedas

 

A imagem da Petrobras foi muito prejudicada e as ações despencaram. Com a renúncia de Graça Foster, analistas esperam melhora. Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora, são muito grandes os desafios que a nova diretoria irá encontrar, mas a mudança já representa um passo positivo. "Ainda que seja um fato modesto para o tamanho do problema, já é alguma coisa", diz.

Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora, também diz que a mudança foi positiva. "A expectativa é de alta nos papéis, pois a ação caiu muito e a mudança mostra que os rumos da companhia devem mudar", afirma.

9- A exploração do pré-sal pode ser afetada?

 

De acordo com Leandro Martins, o esquema de corrupção poderia afetar os investimentos no pré-sal. Isso porque, com os desvios, a petroleira –que está altamente endividada- precisaria tomar emprestado ainda mais dinheiro para conseguir manter a exploração.

Além disso, o pré-sal enfrenta o atual preço baixo do petróleo no mercado internacional. O valor do barril vem sofrendo fortes quedas. Segundo Martins, o petróleo mais barato pode ser um bom negócio para a Petrobras por um lado, mas, por outro, poderia até inviabilizar a exploração do pré-sal.

No ano passado, a estatal chegou a ter prejuízos, pois comprava petróleo e derivados do exterior e revendia-os no Brasil por um valor mais baixo. Isso porque o preço é controlado pelo governo, na tentativa de segurar a inflação. Por isso, a queda do preço do barril no exterior pode ser boa no curto prazo, pois reduziria os gastos com importação.

No longo prazo, no entanto, a queda poderia prejudicar a estatal. "O petróleo é o produto principal da empresa; se o preço cai, o ganho da Petrobras vai junto", diz Martins. O barril abaixo de US$ 45 poderia, inclusive, tornar a exploração do pré-sal inviável, já que o ganho não compensaria o custo de produção.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Sete estratégias para se proteger da inflação em alta


Olá alunos,

Em 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 6,41%, uma alta de 0,5 ponto percentual em relação à inflação de 2013 (de 5,91%). Foi a maior alta anual de preços desde 2011, quando a inflação ficou em 6,5%. A postagem de hoje oferece dicas de como gerenciar o dinheiro diante dessa alta dos preços.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


O índice de inflação divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira mostrou o que muitos brasileiros já estão há algum tempo sentido no bolso - uma aceleração da alta de preços.

Em 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 6,41%, uma alta de 0,5 ponto percentual em relação à inflação de 2013 (de 5,91%). Foi a maior alta anual de preços desde 2011, quando a inflação ficou em 6,5%.

O resultado ficou abaixo do teto da meta definido pelo Banco Central (de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima e para baixo), mas o ano já começa com economistas e analistas de mercado prevendo uma inflação acima da meta em 2015 (6,56%).

"A inflação de dezembro (de 0,78%), ainda que maior que a de novembro (0,51%), acabou levando o índice para baixo por uma questão estatística: em 2013 os preços haviam subido muito no mesmo período (0,92%). Foi isso que segurou o índice de 2014 nesse final de 2014. Mas em 2015 haverá uma pressão muito grande dos preços administrados, então será ainda mais complicado cumprir a meta", diz o economista Paulo Picchetti, especialista em índices de inflação da Fundação Getúlio Vargas.

Quer saber como proteger seu dinheiro da alta de preços e fazer o salário voltar a sobrar no fim do mês? A BBC Consultou analistas financeiros e economistas que sugerem sete estratégias:

1) Invista

 

Quanto maior a inflação, mais se perde ao deixar o dinheiro poupado parado e maior deve ser a remuneração de um investimento para que se consiga obter ganhos reais com ele.

Diante da atual volatilidade do cenário econômico, muitos analistas financeiros têm recomendado investimentos em renda fixa, como títulos do tesouro ou fundos de investimento e outros produtos financeiros atrelados a esses títulos (LCI, LCA e CDB).

"E como a expectativa é que os juros parem de subir entre abril e meados do ano, a preferência seria pelos pré-fixados", diz Michael Viriato, professor do Insper.

A poupança, apesar da vantagem de ser isenta de Imposto de Renda e taxas de administração, perde cada vez mais atratividade com a alta dos juros. "No ano passado, por exemplo, quem investiu em poupança teve um ganho real de cerca de 0,6%, quase nada", diz Viriato.

Para o economista e consultor financeiro William Eid, uma opção para quem tem mais recursos (mais de US$ 100 mil) é investir em títulos brasileiros no exterior. "Diversas empresas emitem títulos no exterior", diz ele. "Além da proteção contra inflação, ainda temos a proteção cambial."

No passado os imóveis já foram considerados uma boa proteção contra a inflação. Para Eid, porém, as perspectivas ruins para o crescimento da economia, que devem frear o mercado imobiliário, tornam a opção menos atrativa.

"Os imóveis foram um bom investimento há alguns anos porque se valorizaram bastante, mas isso foi algo pontual. Hoje não recomendo como investimento", concorda Viriato.

2) Negocie aumentos

 

Para que o dinheiro continue (ou comece) a sobrar no final do mês, mesmo com a alta dos preços, especialistas recomendam que, sempre que possível, se negocie os aumentos de produtos e serviços consumidos.

"É claro que você não pode pechinchar o preço da carne em um supermercado, mas talvez possa fazê-lo em um mercado de bairro em que compra com frequência", diz Mauro Calil, consultor financeiro e fundador da Academia do Dinheiro.

“Se os aumentos da escola de seu filho não são razoáveis – se são de 10%, 20% muito mais altos que a inflação oficial (de 6,41%), vale a pena se juntar com outros pais para questionar o porquê desse aumento e pedir uma redução”, diz o economista Samy Dana, da FGV.

“Afinal, seu salário não vai subir tudo isso.”

3) Pesquise preços

 

Nos tempos de hiperinflação, nos anos 80 e 90, era preciso correr de uma loja a outra para pesquisar preços. E muitas vezes ao concluir qual o local mais barato, o consumidor era surpreendido por um reajuste de preços no local.

Hoje, não só a inflação em patamares mais baixos facilita a comparação, como a internet é um grande aliado de quem quer se proteger da alta de preços.

"Pesquisar preços é uma tarefa que todo consumidor deve fazer antes de ir as compras - e hoje, com a internet, isso está muito mais fácil ", diz Dana.

Ele diz que hoje as pessoas podem não só entrar no site das empresas para conferir preços, como também há uma série de apps e sites em que as pessoas podem comparar diversos lugares (como o Buscapé, Zoom e Dica de Preços, para mencionar alguns exemplos).

4) Adie compras

 

Muitos comércios fazem promoções depois de datas festivas. Por isso, comprar o que você precisa em janeiro, em vez de dezembro, pode significar preços bem mais baixos.

Segundo os analistas, quanto mais um consumidor adiar a compra melhor - e não só por causa da possibilidade de conseguir promoções.

"Muitas vezes as pessoas não compram por necessidade, mas por impulso", diz Viriato, do Insper.

"Ao esperar um tempo antes de comprar elas têm a chance de perceber se realmente precisam - ou querem - fazer a aquisição. Além disso, com mais tempo para pesquisar podem descobrir que a compra não era um bom negócio."

5) Substitua itens de consumo

 

Uma forma de reduzir o impacto da inflação sobre o seu orçamento é cortar os produtos que você percebe que estão ficando mais caros e substituí-los por outros produtos ou similares de outras marcas.

É claro que ninguém é obrigado a substituir carne por frango ou ovo - sugestão feita pelo ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda Márcio Holland, que causou grande polêmica no ano passado.

"Mas cada um pode fazer uma análise de seu perfil de gastos para entender quais produtos e serviços são de fato importantes em sua vida e quais são o que eu chamo de 'gastos tolos', ou seja, aquelas coisas em que as pessoas acabam gastando muito, mas que não lhes trazem um bem-estar duradouro", diz Calil.

"São esses gastos que devem ser cortados ou substituídos."

Viriato, do Insper, dá o exemplo do item "alimentação fora de casa" um dos que mais subiu no ano passado, segundo o IBGE.

"Pode ser difícil para o trabalhador levar almoço para o trabalho - ele vai ter de cozinhar, transportar e guardar o almoço em algum lugar. Mas se ele conseguir levar ao menos o lanche, provavelmente terá mais dinheiro no fim do mês", diz.

6) Compras coletivas

 

Segundo Dana, outro recurso que pode ajudar os consumidores a driblar a alta de preços são as compras coletivas nos clubes de compras e 'atacarejos' - lojas que vendem no atacado para pessoas físicas.

Tais lojas oferecem um preço bem mais vantajoso para compras de grande quantidade. "Muitas famílias estão se juntando para poder comprar nesses lugares sem ter de ficar com um estoque gigantesco em casa", diz ele.

De acordo com a consultoria Nielsen, no primeiro semestre do ano passado, as vendas nos atacarejos cresceram 9% em relação a 2013.

Os preços seriam menores que os do varejo em 69% dos itens pesquisados pela Nielsen. E, segundo Calil, podem chegar a ser 30% mais baixos.

Um dos cuidados que devem ser tomados por quem adota por essa opção, porém, é checar o prazo de validade dos produtos. Também é preciso considerar que alguns clubes de compras cobram uma anuidade de seus associados.

7) Estoque produtos baratos

 

Para alguns consultores, vale a pena comprar em grande quantidade um produto que a família consome com frequência se ele for encontrado em promoção.

"Se você tem um bebê, numa promoção cada fralda de um pacote pode sair por menos de R$ 1, por exemplo, metade do que você pode chegar a pagar se tiver de comprar o produto na urgência, em uma farmácia de bairro. Então vale a pena estocar", diz Calil.

É claro que não é todo produto que pode ser estocado. E também é preciso medir bem as quantidades, para evitar o desperdício.

"A inflação que temos hoje ainda está muito longe da inflação que vivemos nos anos 80, então não podemos exagerar ao fazer estoque", diz Viriato.

"No caso da carne, por exemplo, provavelmente os custos de se ter um freezer para manter o alimento seriam altos. Além disso, às vezes a família consome ou desperdiça mais porque sabe que a dispensa está cheia."

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vivemos em um mundo mais rico... para quem?

Olá alunos,

Em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado, ou seja, em termos econômicos, o mundo melhorou. A postagem de hoje busca analisar como se deu esse crescimento econômico mundial e indagar a quem ele atingiu.

Esperamos que gostem e participem.

Fellype Fagundes e Carlos Araújo
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


Estamos ficando mais ricos. Certamente não todos nós, nem no planeta nem em todos os países. Mas, em média, um cidadão comum hoje tem padrões de vida superiores aos do passado.

Uma das formas de medir isso é pela quantidade de produtos e serviços produzidos em média por pessoa, o PIB per capita. Para a população global, esse índice subiu quase quatro vezes em seis décadas até 2010.

Há diferenças significativas entre os países: na China, o crescimento foi oito vezes. Na Coreia do Sul e em Taiwan foi ainda maior: em média, o país e o território estão 25 vezes mais ricos do que em 1950.

Outros países, no entanto, a maioria deles na África, viram o PIB per capita diminuir. Na República Democrática do Congo, o padrão médio de vida caiu para menos da metade no mesmo período.


Esses números devem ser lidos com cautela: eles não captam fatores intangíveis que afetam a qualidade de vida, como os laços comunitários ou padrões ambientais. Também há ressalvas técnicas quanto a comparar números em dólares e ajustá-los para levar em conta a inflação e obter termos reais comparáveis durante um longo período de tempo.

Mas os números foram tirados do que é provavelmente o banco de dados histórico mais respeitado, o Projeto Maddison, criado pelo falecido professor Angus Maddison. A história que eles contam é clara: em termos econômicos, o mundo melhorou.

Um benefício disso é que estamos vivendo mais. Em meados do século passado, um bebê recém-nascido tinha uma expectativa de vida de 50 anos. Hoje, a esperança de vida é de 70. Novamente, há variações enormes entre países, mas a tendência é favorável em quase todas as nações (Botswana é a única onde a expectativa de vida caiu, em alguns meses).

Há muitos fatores por trás de vidas mais longas, mas crescimento econômico significa que podemos gastar mais na nossa saúde, nutrição e em água limpa para beber.

A história é parecida se olharmos com cuidado para os padrões de vida: a propriedade de carros aumentou 30% nos primeiros sete anos do século, antes de caírem um pouco durante a recessão global. Esse aumento foi particularmente expressivo em países de renda média e baixa.




Desigualdade

De volta às estatísticas sobre padrão de vida, há um outro motivo pelo qual o PIB per capita não permite uma leitura mais ampla da realidade: esse número não leva em consideração a distribuição de renda e mudanças em padrões de desigualdade.

Pode ser que o padrão de vida esteja aumentando apenas para os mais ricos.

Vejamos, por exemplo, os Estados Unidos, país cuja abundância de dados facilita estudos. Em 2013, a renda média real (ou seja, descontada a inflação) dos lares mais pobres subiu 1,4% nos 40 anos anteriores. Nos lares mais ricos, esse índice foi de 44%.




Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne nações ricas e algumas emergentes, também indicam que a desigualdade está crescendo entre os países-membros. A medição usa como referência o coeficiente de Gini, no qual os números mais altos indicam distribuição de renda mais desigual. Esse índice subiu nos anos recentes.

Há, claro, um debate bastante vigoroso a respeito de quão negativo é esse aumento da desigualdade, e a respeito das políticas que podem ou devem ser empregadas para combater este fenômeno.

O aumento da desigualdade é um lembrete de que, por mais que o mundo tenha enriquecido, muitas pessoas não sentiram os efeitos da bonança.



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