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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Comissão Europeia apresenta prognósticos econômicos sombrios



Olá alunos, 
 
As previsões econômicas para 2015 são desoladoras: crescimento de 1,5% para a UE e de 1,1% para a zona do euro. A postagem de hoje busca analisar as causas desse cenário, entre elas profundos problemas estruturais, o excesso de dívidas públicas e privadas, as tensões nos mercados financeiros desde a crise e um curso de reformas instável e não amplamente implementado.
 
Esperamos que gostem e participem. 
 
Fellype Fagundes e Carlos Araújo  Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

Mal a nova Comissão Europeia foi empossada, sob a presidência de Jean-Claude Juncker, e os problemas já começaram. Enquanto o finlandês Jyrki Katainen – vice-presidente para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade do órgão executivo – é conhecido como adepto do Pacto de Estabilidade e Crescimento da Zona do Euro, não se pode dizer o mesmo de seu colega de equipe, Pierre Moscovici.

Na qualidade de antigo ministro das Finanças da França, Moscovici é responsabilizado pelo endividamento excessivo do Estado francês. Como comissário para Assuntos Econômicos e Financeiros e Fiscalidade, ele terá que trabalhar em conjunto com Katainen.

Entretanto, nesta terça-feira (04/11), a coletiva de imprensa para apresentação do prognóstico econômico para o quarto trimestre na União Europeia (UE) e na zona do euro mostrou que a colaboração entre os dois ainda não está funcionando muito bem.

Inesperadamente, Moscovici anunciou que pretendia viajar para a Grécia, a fim de conversar sobre o breve fim do programa de apoio financeiro da UE para o país. Katainen disse, então, que tinha a mesma a intenção e que talvez ambos pudessem viajar para Atenas juntos. Assim, a primeira lição que os dois precisam aprender é como coordenar suas agendas.

O que ambos tinham a anunciar em seguida, porém, eram os lamentáveis dados sobre o desenvolvimento econômico na zona do euro, coletados por seus antecessores. A tendência é sombria, e só com muito esforço os dois comissários conseguiram passar alguma esperança de melhora.

Se, no início do ano, Bruxelas ainda contava com uma taxa de crescimento de 1,6% para a UE, agora está claro que ela não passará de 1,3%. Na zona do euro, o crescimento deve ser de 0,8%, em vez do antes previsto 1,2%. As previsões para 2015 são igualmente desoladoras: crescimento de 1,5% para a UE e de 1,1% para a zona do euro. Somente para o ano seguinte, as perspectivas melhoram ligeiramente.

Como primeira razão dessa dinâmica tão lenta, Katainen citou os problemas estruturais profundos, conhecidos mesmo antes da crise do euro. Em segundo lugar, vem o excesso de dívidas públicas e privadas; em terceiro, as tensões nos mercados financeiros desde a crise; e por último, um curso de reformas instável e não implementado em alguns Estados-membros.

Segundo a Comissão Europeia, mesmo na Alemanha, até então país-modelo, as coisas não vão mais tão bem: em 2014 a economia alemã se arrasta à beira de uma recessão, mas ainda alcança 1,3% de crescimento. No ano seguinte, o nível permanece baixo, e só em 2016, a conjuntura alemã volta a ganhar impulso. Por enquanto, o país estará bem restrito em seu papel de locomotiva econômica da UE. Katainen aconselha investimentos em infraestrutura.

Confiança na UE em xeque
No entanto, os prognósticos ficam realmente negativos quando se trata da maior economia nacional da zona do euro, a França: no ano em curso, seu crescimento fica abaixo de 1%, insuficiente para progredir na redução da dívida pública. E o novo endividamento francês aumenta implacavelmente, devendo chegar a até 4,7% do PIB até 2016 – bem distante dos 3% prescritos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

A questão é se – e como – a Comissão pode dar mais tempo para o país reduzir suas dívidas, já que ela tem até o fim do mês para se manifestar a respeito do planejamento orçamentário de Paris. A princípio, está claro que não haverá uma advertência de Bruxelas, porém, ainda não está à vista nenhum curso de reforma e austeridade plausível para a França.

Por sua vez, Moscovici reforçou que está na hora de a política europeia agir. "Nas últimas eleições europeias, partiu dos eleitores uma mensagem inquietante para nós: eles nos dizem que querem crescimento e empregos. Por isso, faz tanto sentido o presidente Juncker nos chamar de 'a Comissão da última chance'."
Caso não haja nos próximos cinco anos uma vontade definida nem ação decidida no sentido de crescimento e de vagas de trabalho, os cidadãos poderão ter dúvidas sobre o projeto europeu, advertiu o comissário francês. "Por isso, temos que acrescentar uma nova dimensão à política europeia: estabilização era e é necessária. Agora precisamos de mais dinamismo."

Com isso, Moscovici se referiu a novos investimentos e, nesse ponto, continua defendendo a linha do governo francês. Para a Comissão Europeia, contudo, o impulso virá na forma do pacote de investimentos de 300 bilhões de euros anunciado por Juncker, cujos detalhes ainda são desconhecidos.

Desemprego elevado

Para citar pontos positivos dos prognósticos apresentados em Bruxelas: a economia da Irlanda cresceu sensacionais 3,6% – a lembrança da crise nacional de endividamento quase já vai longe. A Espanha também se encontra em rota ascendente, com expectativa de 1,7% de crescimento para 2015. O que continua sendo catastrófico no país, contudo, é o desemprego, cuja taxa é claramente superior a 20%.

No que tange à zona do euro, em geral, nos próximos dois anos os índices de desemprego só baixarão discretamente, mantendo-se bem acima de 10%. A Comissão segue prescrevendo reformas estruturais e investimentos públicos como antídoto.

A questão que o comissário Katainen não conseguiu responder a contento, é por que a zona do euro apresenta os mais baixos índices de crescimento entre as regiões econômicas mais desenvolvidas. Por um lado, disse, as crises pelo mundo, da Ucrânia até o Oriente Médio, afetam com violência especial sobre a Europa. Além disso, alguns países-membros se acomodaram numa falsa segurança, acrescentou. Afinal, a zona do euro só pode ser tão forte quanto a soma de seus membros.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sobre os objetivos do dumping do preço do petróleo



Olá alunos, 

A Arábia Saudita está injetando mais petróleo no mercado e a um preço menor do que o convencional. Esse desajuste esta causando preocupação e a postagem de hoje busca analisar os motivos que levaram a essa política.

Esperamos que gostem e participem. 
 
Fellype Fagundes e Carlos Araújo  Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense

A Arábia Saudita está destruindo o mercado de petróleo ao vender 11,8 milhões de barris (dois milhões a mais que sua cota) a um preço de 50-60 dólares o barril (d/B), ou seja, até 40 dólares menos do que alguns meses atrás. Se a baixa vai ser temporária, só Washington poderá saber, além de Riad, já que a fórmula oferta demanda não explica a situação: a elevada tensão e as guerras que estão esgotando o Oriente Próximo, junto das flutuações na oferta do Iraque, Líbia, Irã, Nigéria e Síria deveriam ter empurrado os preços para cima.

O conjunto das explicações convencionais apontam para a necessidade de a Arábia Saudita conseguir grandes quantidades de dinheiro para realizar seus mega projetos de construção de infraestrutura; recompensar a redução de suas exportações para os Estados Unidos, país que aumentou sua própria produção; a desaceleração na China e o estancamento na zona do Euro; o fracasso da Abenomics, o projeto de reformas econômicas no Japão, lançadas pelo premiê Shi ao Abe; a queda da tensão entre Rússia e Ucrânia e inclusive a diminuição do avanço do Estado Islâmico no Iraque.

Parece que desta vez uma queda no preço do petróleo não impulsionará o crescimento econômico de seus compradores. Por sua vez, os analistas "não convencionais", divididos em dois principais apontam o seguinte:

(A) Um complô arquitetado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita para afundar as economias da Rússia, principal produtor de petróleo no mundo, e do Irã. Desse modo, também castiga Moscou pela Ucrânia e Crimeia e pelo apoio a Bashar al Assad, forçando o Kremlin a reduzir seus gastos militares. No caso do Irã, serve para tirar vantagem de Teerã nas negociações nucleares em curso e tirar sua força na região. Lembra 1985, quando os sauditas quintuplicaram sua produção de 2 a 10 milhões de barris por dia e os vendeu a 10 dólares em vez dos 32, que era seu preço, obrigando a URSS a oferecer seu barril por 6 dólares, afundando a economia planificada.

(B) Que se trata de outro caso de dumping lançado pelos sauditas: fixar preços predatórios com a finalidade de atingir a Rússia e o Irã, mas também os EUA por sua "revolução do xisto". Assim, pretende conseguir contratos interessantes na Ásia e sabotar a petição das companhias norte-americanas ao Congresso para levantar a proibição sobre as exportações de petróleo.

O cenário, porém, é mais complexo: em um cartel como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), um aumento da produção não tem por que acarretar uma queda nos preços.

O Irã, apesar de ser uma das principais reservas mundiais de petróleo, envia somente ao mercado 800 mil barris (comparados aos 4 milhões de 1977) e a política dos sauditas não pode lhe prejudicar mais do que as sanções da ONU, dos EUA e da União Europeia fazem.

Se Riad quisesse prejudicar os EUA, teria desvinculado o petróleo do dólar. Em vez disso, reduziu os preços para seu aliado estratégico, sendo consciente de seu status de ser “Estado cliente” e que sua existência e segurança continuam dependendo da proteção militar do Tio Sam, que controla os sauditas, entre outros mecanismos, mediante a venda de armas.

Que um preço abaixo de 75 dólares não é rentável para os EUA pelo alto custo da produção de xisto betaminoso. Seria dar como um tiro no pé.

Objetivos: desmantelar a OPEP e salvar o petrodólar

Em 1973, Henry Kissinger sugeriu que os EUA deveriam invadir o Oriente Próximo e dissolver a OPEP. Acabar com o controle da OPEP sobre os preços do petróleo, fazer com que cada sócio estabeleça de forma individual para reduzir as tarifas e impedir que utilizem outra moeda que não seja o dólar, são dois objetivos da guerra de preços. Dois líderes que tentaram substituir a moeda verde pelo Euro, Saddam e Kadafi, foram assassinados. Em setembro de 2000, o presidente iraquiano anunciou a venda de seu pretróleo em Euros e em 2002 transformou os 10 bilhões de dólares do fundo de reserva do país na ONU na moeda europeia, desvalorizando o dólar. Os EUA querem sancionar, encurralar ou atacar todos os produtores de petróleo para obrigá-los a usar o dólar? E o capitalismo de livre mercado?

Meses antes da invasão do Iraque, um barril custava 15,30 dólares. Meses depois, 40,42, preço que continuou subindo sem parar, enchendo a Reserva Federal de petrodólares. Hoje, esta situação se inverteu; o valor do dólar aumentou e o preço do óleo bruto reduziu. Assim, ressuscitaram um dólar martirizado – cuja fortaleza depende dos petrodólares – mais forte desde junho de 2010.

O petróleo saudita e o dólar são dois dos pilares do domínio de Washington sobre o mundo. Que sua moeda seja o patrão do petróleo é tão vital para os EUA que o país pode perder um punhado de dólares e a indústria de xisto, em troca da desestabilização da Rússia, Irã, Venezuela e Equador. Derrotar Bashar al Assad seria a cereja do bolo.

Em 2012, Barack Obama forçou a Europa a deixar de comprar petróleo iraniano, impedindo, entre outros fatores, a transação petróleo/euro. Guerra financeira entre as potências ocidentais que também se refletiu nas sanções aplicadas por Washington contra o Irã, incluindo seu Banco Central – que em 2005 tinha convertido a metade de suas reservas de dividas em Euros – e que em setembro de 2014 foram declaradas ilegais pelo Tribunal Geral da União Europeia.

Ganhadores e perdedores imediatos

Entre os beneficiários do petróleo barato está a China, que compra cinco milhões de barris por dia e é o maior cliente da Arábia Saudita. Também está aumentando suas compras da Rússia e, pela primeira vez, da Colômbia (30 mil toneladas). Índia e Europa também estão aproveitando do petróleo barato.

Moscou, que aumentou seu orçamento para o próximo ano pensando em um barril de 100 dólares, com 20 ou 40 dólares a menos, sofrerá um déficit orçamentário que se somará aos efeitos das sanções e à queda do preço do rublo. Por isso, vai atuar a partir dos BRICS para desbancar o petrodólar do sistema financeiro mundial, enquanto a China trabalhará para estabilizar o rublo: pedem que seus sócios comerciais usem euro e iene. O Irã, por sua vez, já está trocando o petróleo por bens acordados, eludindo as sanções dos EUA, pois já anunciou a criação de um banco de desenvolvimento com a Rússia, com a finalidade de elevar suas transações comerciais, a construção de novas usinas nucleares e aumentar a compra do petróleo iraniano para exportar para outros países.

Novos movimentos no tabuleiro

Apesar de a China ter diminuído a importação de petróleo iraniano até 30% para “melhorar suas refinarias” - e talvez porque o Irã rompera em maio do ano passado o contrato de 2.500 milhões de dólares com a Corporação Nacional de Petróleo da China por descumprir o mesmo (em seis anos deveria ter perfurado 185 poços), pelo primeira vez na história – os exércitos dos dois países realizaram em setembro uma manobra conjunta no Golfo Pérsico em que participaram Changchun e Changzhou, um destrutor e uma fragata de mísseis. O Irã é a peça fundamental na estratégia chinesa de Marcha para o Oeste” - Ásia central, Ásia do Sul, Oriente Médio e Oceano Índico – e em ampliar o cinturão econômico marítimo na velha Rota da Ceda.

Longe de isolar a Rússia, o Ocidente conseguiu a formação de novas e temíveis alianças: uma aproximação entre Pequim e Moscou sem precedentes após a morte de Stálin, enquanto aumenta cada vez mais a aberta inimizade entre os mandatários e xeques sauditas.

É o final da era do petróleo: estão sendo utilizados os últimos 25% da reserva aproveitável, cuja oferta, se prevê, se esgotará em 25-30 anos. Diante do auge do petróleo e dos cenários que não são possível de se antecipar, a única garantia são os novos conflitos nas regiões produtoras de petróleo.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Europa vive maior êxodo em 50 anos


Olá alunos, 

As dificuldades econômicas enfrentadas pela Europa desde a crise de 2008 têm provocado o maior êxodo experimentado pelo continente nos últimos 50 anos. Em razão, principalmente, dos altos índices de desemprego e das medidas austeras tomadas pelos governos, deixar o país de origem em busca de melhores oportunidades tem sido a opção de mais de um milhão de europeus.
Esperamos que gostem e participem.

Lucas Dadalto e Silvana Gomes
Monitores da disciplina "Economia Política e Direito" da Universidade Federal Fluminense


"Estou a arrumar as malas. Levo quase tudo. Já não sei se volto. Quem emigra quer voltar, mas muitos poucos voltam à base. Farto disto tudo, farto de estar desempregado, de nada servem estes canudos. Quando há trabalhos são sempre temporários, humilhantes, precários, os salários hilários. União Europeia a colapsar, Portugal a mergulhar nestes dias funerários. Vou-me embora, vou para Luanda. Já não há nada aqui pra mim. Isto já não anda nem desanda. Portugal, meu céu, meu lamaçal, assiste ao recital da minha fuga da tua varanda."
Os versos são do rap Meu País, composto pelo português Valete. Mas o texto acabou se transformando em símbolo de um movimento que ganha dimensões inéditas. Em uma Europa com desemprego recorde e, acima de tudo, diante da falta de perspectiva, 1 milhão de pessoas já deixaram seus países de origem em busca de trabalho desde o início da crise, em 2008, no que já está sendo considerado o maior êxodo do Velho Continente em meio século.
Os dados de desemprego na Europa surpreendem até mesmo os políticos mais convencidos de que o continente pode sair da crise. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Europa tem hoje 10 milhões a mais de desempregados na comparação com 2007. Para muitos, o que mais preocupa é que as projeções deixam claro que a crise não terminará antes de meados da década e que não haverá uma recuperação dos postos de trabalho no curto prazo.
Os últimos dados da União Europeia indicam que 2013 será mais um ano de estagnação, enquanto governos continuam adotando políticas de austeridade e, na visão de críticos, asfixiando as próprias economias.
Diante desse cenário, 400 mil espanhóis já abandonaram o país, segundo dados oficiais do Escritório de Migração da Espanha, país que registra 27% de desemprego. Entre os jovens, a taxa chega a 57%. Muitos foram para Alemanha, Suíça, Brasil e outros países da América Latina em busca de trabalho.
Se em Madri o sentimento é de mal-estar, nem todos no governo admitem que a fuga ocorre pela falta de perspectiva. Na última semana, a presidente do Partido Popular de Madri, Esperanza Aguirre, causou revolta entre os jovens depois de afirmar que a saída dos trabalhadores para o exterior era "motivo de otimismo" para o país.
Mais realista é o presidente do Conselho da Europa, Herman van Rompuy. Na semana passada, em visita a Portugal, ele admitiu: "A paciência das pessoas com as políticas de austeridade está acabando".
Parte desses jovens está indo para a Alemanha, onde a taxa de desemprego é de apenas 5%. Pela primeira vez em mais de 30 anos, o inglês deixou de ser o curso de idiomas mais procurado na Espanha, superado pelo alemão.
Na Alemanha, a Agência Federal de Emprego aponta que o número de trabalhadores espanhóis aumentou 16% em apenas um ano, e 50,2 mil espanhóis imigraram para as cidades alemãs em busca de emprego. "Se a situação econômica na Espanha não melhorar, a tendência vai continuar", declarou Jason Marczak, diretor de políticas no Conselho das Américas.
A chegada dos novos estrangeiros foi notada na Alemanha. Apesar de o governo da chanceler Angela Merkel insistir que precisa de mão de obra, uma pesquisa de opinião feita pelo próprio governo apontou que, de cada 10 alemães, 4 classificaram os espanhóis como "ociosos e pouco trabalhadores".
Movimento generalizado. Em Portugal, os dados do governo apontam que o país encolheu e já perdeu 2% de sua população. Nos últimos dois anos, 240 mil portugueses abandonaram o país em busca de trabalho no exterior, diante de uma taxa de desemprego recorde de 17%. Só em 2012, 30 mil portugueses chegaram em Angola. Hoje, há mais portugueses vivendo em Angola que durante o período em que o país africano era uma colônia portuguesa.
O fluxo também mostra a fuga desses trabalhadores do Sul para o Norte da Europa. O vilarejo de Taesch acabou se transformando no símbolo da invasão portuguesa na Suíça. Dos 1,2 mil habitantes, 700 são portugueses e chegaram nos últimos 12 meses para trabalhar nos hotéis e restaurantes da região.
Na Irlanda, mais de 100 mil pessoas já deixaram o país desde o início da crise da dívida na Europa. Mas, em 2012, a taxa ganhou uma nova intensidade: 3 mil irlandeses deixaram o país por mês, representando o maior fluxo de migração desde a grande fome que atingiu a ilha entre 1845 e 1850.
Os gregos também já abandonaram em massa o país, que em 2013 atravessa o quinto ano de recessão. As estimativas do próprio governo são de que a Grécia tenha perdido 200 mil pessoas, grande parte jovens formados.
Os países do Leste Europeu, duramente afetados pela crise, também registraram uma fuga de seus cidadãos. A Hungria, que teve de ser resgatada, não via uma saída de pessoas em um número tão elevado desde os meses que se seguiram à intervenção da União Soviética em Budapeste, depois das revoltas de 1956.
Cerca de 10% da população da Letônia também deixou o país desde o início da crise. Entre os eslovacos, um a cada cem foi viver no Reino Unido. Diante desse movimento, os britânicos começaram uma campanha para frear a entrada de imigrantes, mesmo os europeus. Para espantar os que pensam em migrar para o país, a campanha mostra que o Reino Unido não é exatamente o que eles pensam: chove muito, não faz sol e o frio é intenso.